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Ciência

Bactéria marinha consegue frear doença que está destruindo corais do Caribe

Uma bactéria predadora interrompeu o avanço de uma infecção em corais ameaçados de extinção. Agora, cientistas querem testar o tratamento diretamente nos recifes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os corais do Caribe podem ter ganhado uma nova aliada contra as doenças que devastam seus recifes. Cientistas da Georgia Tech descobriram que uma bactéria marinha chamada Halobacteriovorax conseguiu interromper uma infecção grave em corais Acropora cervicornis. Em laboratório, mais da metade dos animais tratados deixou de apresentar avanço do branqueamento e perda de tecido.

Uma bactéria que protege os corais

Cientistas Identificaram Uma Nova Origem Para As Superbactérias Resistentes A Antibióticos
© CDC/ Antibiotic Resistance Coordination and Strategy Unit / Medical Illustrator: James Archer

A Acropora cervicornis, conhecida como coral-chifre-de-veado, já foi uma espécie bastante comum nos recifes do Caribe. Hoje, porém, encontra-se criticamente ameaçada.

Entre os principais responsáveis pelo declínio estão as doenças infecciosas. O problema se torna ainda mais grave quando a temperatura da água aumenta, condição cada vez mais frequente devido às mudanças climáticas.

Foi nesse cenário que pesquisadores da Georgia Tech decidiram testar uma abordagem diferente. Em vez de recorrer a antibióticos, eles utilizaram a Halobacteriovorax, uma bactéria marinha que se alimenta de outras bactérias.

O alvo era a Vibrio coralliilyticus, microorganismo capaz de atacar os tecidos dos corais e provocar doenças potencialmente fatais.

Os resultados, publicados no periódico científico The ISME Journal, foram promissores.

Todos os corais infectados que não receberam o tratamento ficaram completamente branqueados em apenas 48 horas. Entre os tratados com Halobacteriovorax, mais da metade não apresentou aumento do branqueamento nem perda adicional de tecido.

Como funciona o tratamento contra a infecção

Para reproduzir a doença em laboratório, os pesquisadores colocaram pequenos fragmentos contendo as bactérias prejudiciais diretamente sobre os corais.

Os primeiros sinais apareceram rapidamente.

Depois de aproximadamente 12 horas, a maioria dos fragmentos já apresentava regiões pálidas ou completamente brancas. Sem qualquer intervenção, a infecção continuava avançando até provocar o branqueamento total em cerca de 48 horas. Pouco depois, os animais começavam a perder tecido.

Os cientistas então aplicaram a Halobacteriovorax aproximadamente 10 horas após o início da infecção.

A estratégia funcionou em boa parte dos casos. O avanço da doença foi interrompido, evitando que o branqueamento e a destruição dos tecidos continuassem.

A explicação está no comportamento peculiar da bactéria usada como tratamento. Ela funciona como uma espécie de predadora microscópica, atacando justamente outras bactérias que podem provocar doenças.

Água mais quente torna a doença muito mais agressiva

O experimento também revelou como pequenas mudanças na temperatura podem influenciar drasticamente a velocidade da infecção.

Quando os corais foram mantidos em água a aproximadamente 27 °C, a perda de cor aconteceu de maneira mais lenta. Nessas condições, eles não chegaram ao branqueamento completo durante o período observado.

A situação mudou quando a temperatura subiu.

Em águas a 29 °C ou 31 °C, os corais ficaram completamente brancos em apenas 48 horas. O resultado reforça uma das maiores preocupações dos cientistas com o aquecimento dos oceanos.

Temperaturas elevadas provocam estresse nos corais e podem favorecer doenças mais rápidas e agressivas. Com ondas de calor marinhas cada vez mais frequentes, essa combinação representa uma ameaça particularmente grave para os recifes tropicais.

Tratamento poderia ser aplicado diretamente na água

Uma das vantagens da técnica está em sua simplicidade. No laboratório, os pesquisadores conseguiram aplicar o tratamento despejando uma suspensão concentrada de Halobacteriovorax na água onde estavam os corais doentes.

Como esses microorganismos são extremamente pequenos, a equipe conseguiu concentrá-los utilizando sistemas especiais de filtragem.

Isso abre a possibilidade de adaptar o método para programas de restauração de recifes.

Outra característica chamou a atenção dos pesquisadores. Depois do tratamento, a população de Halobacteriovorax aumentou rapidamente. Entretanto, sua quantidade começou a diminuir posteriormente e, após 96 horas, a bactéria já não podia ser detectada nos corais.

A hipótese é que ela permaneça enquanto existem bactérias das quais possa se alimentar. Quando essas presas desaparecem, a própria população da bactéria protetora também diminui.

Esse comportamento pode representar uma vantagem em comparação com antibióticos, que podem afetar outros microorganismos importantes e favorecer o surgimento de bactérias resistentes.

Próximo desafio será salvar corais diretamente no Caribe

Corais
© q u i n g u y e n – Unsplash

Apesar dos bons resultados, ainda existe uma diferença enorme entre um experimento controlado e um recife no meio do oceano.

Os pesquisadores agora querem testar a estratégia em condições naturais para descobrir se a Halobacteriovorax consegue oferecer a mesma proteção no Caribe.

Também será necessário entender por que bactérias predadoras semelhantes, que já existem naturalmente nos ambientes marinhos, não conseguem impedir todos os surtos de doenças.

Não existe uma solução única capaz de proteger os corais de todas as ameaças. Poluição, aquecimento dos oceanos, acidificação e diferentes agentes infecciosos continuam pressionando esses ecossistemas.

Ainda assim, transformar uma bactéria que caça outras bactérias em uma possível ferramenta de proteção pode oferecer aos cientistas uma nova arma para tentar preservar alguns dos recifes mais ameaçados do planeta.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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