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Ciência

Caminhada japonesa: o método que coloca o ritmo no centro do exercício

Alternar três minutos de caminhada leve com três minutos em ritmo acelerado pode melhorar o condicionamento físico e a força das pernas. Conhecida como caminhada japonesa, a prática tem respaldo em pesquisas e oferece outra maneira de organizar o exercício, sem depender apenas da contagem diária de passos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A meta de 10 mil passos domina aplicativos e relógios inteligentes, mas a quantidade percorrida conta apenas parte da história. A intensidade também importa. É nessa ideia que se apoia a caminhada japonesa, um treinamento que alterna momentos de esforço e recuperação. Estudado por pesquisadores da Universidade Shinshu, no Japão, o método apresentou benefícios em adultos de meia-idade e idosos acompanhados durante vários meses.

Como funciona a caminhada japonesa

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© A. C. – Unsplash

O protocolo combina três minutos de caminhada em ritmo leve com três minutos em ritmo mais intenso. Repetir essa sequência cinco vezes resulta em uma sessão de 30 minutos, metade deles dedicada ao esforço maior.

No estudo original, os participantes receberam a orientação de realizar pelo menos cinco ciclos por dia, em quatro ou mais dias da semana. Os trechos leves correspondiam a cerca de 40% da capacidade aeróbica máxima para caminhar. Nos rápidos, o esforço ultrapassava 70%.

Esses percentuais descrevem a capacidade aeróbica medida pelos pesquisadores, e não uma velocidade universal. Portanto, o ritmo adequado varia conforme o condicionamento de cada pessoa. Também não corresponde automaticamente ao mesmo percentual da frequência cardíaca máxima.

A alternância permite distribuir o esforço ao longo da sessão. O período lento funciona como recuperação entre os blocos mais exigentes, mantendo a pessoa em movimento. A proposta continua sendo caminhar, com intensidades ajustadas à capacidade individual.

O que os estudos encontraram

Um dos principais trabalhos sobre o método, publicado em 2007 na Mayo Clinic Proceedings, distribuiu 246 participantes, com idade média de 63 anos, entre três grupos.

Um grupo não recebeu treinamento de caminhada. Outro deveria caminhar continuamente em intensidade moderada, com uma meta de pelo menos 8 mil passos diários. O terceiro seguiu o protocolo por intervalos durante cinco meses.

Entre os participantes avaliados que cumpriram os critérios do treinamento intervalado, a força de extensão dos joelhos aumentou 13%, enquanto a força de flexão cresceu 17%. A capacidade aeróbica para caminhar melhorou 9%. A redução da pressão arterial sistólica em repouso também foi maior nesse grupo.

Os resultados favorecem o método nas condições estudadas, mas pedem contexto: nem todos os participantes inicialmente distribuídos concluíram as metas. Além disso, o experimento não demonstra que o protocolo seja superior a qualquer outra atividade ou produza os mesmos ganhos em todas as idades.

Uma pesquisa posterior com adultos de meia-idade e idosos também observou melhora do condicionamento e de indicadores metabólicos após o treinamento. As mudanças foram maiores entre aqueles que começaram com menor capacidade aeróbica.

Onde entram os 10 mil passos

Caminhada Gorila
© Getty Images – Unsplash

Contar passos ajuda a acompanhar quanto uma pessoa se movimenta. Entretanto, uma meta diária isolada não descreve a intensidade do exercício nem contempla todas as necessidades de atividade física.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde orientam adultos a acumular entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada. Outra possibilidade é realizar entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, ou combinar as duas intensidades.

A caminhada por intervalos pode integrar essa rotina. Porém, completar uma sessão não significa automaticamente cumprir toda a recomendação semanal: isso depende da frequência e do esforço efetivamente realizado. Exercícios de fortalecimento muscular também fazem parte das orientações.

Como começar sem exagerar

Quem está sedentário pode começar com caminhadas confortáveis e aumentar gradualmente a duração e a intensidade. O protocolo de pesquisa deve servir como referência, com adaptações ao condicionamento e às condições de saúde.

Pessoas que passaram muito tempo sem se exercitar ou apresentam problemas de saúde devem buscar orientação para ajustar o esforço. A regularidade precisa caber na rotina e permitir uma progressão sustentável.

O atrativo da caminhada japonesa está nessa estrutura simples: organizar o tempo, variar o ritmo e acompanhar a evolução. Ela amplia as possibilidades para quem quer transformar uma caminhada habitual em um exercício mais planejado.

 

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