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Tecnologia

China avança em chips de IA e aposta em milhares de processadores para reduzir dependência externa

Huawei e Alibaba ampliam suas plataformas de inteligência artificial com chips próprios e sistemas que conectam milhares de unidades. A estratégia busca compensar limitações dos processadores com redes mais rápidas e software otimizado. Os avanços mostram alternativas concretas, embora os anúncios não comprovem uma liderança chinesa em todas as frentes.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A corrida pelos chips de inteligência artificial envolve muito mais do que fabricar o processador mais potente. Na China, empresas procuram aumentar o desempenho do conjunto, conectando chips, memória e servidores em estruturas gigantescas. Huawei e Alibaba estão no centro dessa aposta. Seus projetos sugerem que o país consegue ampliar sua infraestrutura de IA mesmo diante das restrições americanas ao acesso a tecnologias avançadas. 

A força está na conexão entre os chips

Enigma Dos Chips Chineses
© Shutterstock / VGV MEDIA

Reunir muitos processadores só funciona quando eles conseguem trocar informações rapidamente. Caso contrário, parte da capacidade fica ociosa, esperando dados de outras unidades. Por isso, a Huawei concentra seus esforços tanto nos chips Ascend quanto nas redes e no software que coordenam o trabalho.

Um exemplo aparece no estudo técnico sobre o CloudMatrix384, publicado no arXiv. O sistema reúne 384 aceleradores Ascend e 192 processadores Kunpeng, ligados por uma rede de alta capacidade. A arquitetura permite comunicação direta entre unidades e compartilhamento de recursos. 

Os autores avaliaram a plataforma com o modelo DeepSeek-R1 e relataram ganhos ao combinar ajustes de software e distribuição das tarefas. O trabalho demonstra o funcionamento desse modelo em hardware da Huawei. Isso, porém, não equivale a provar que todos os modelos da DeepSeek foram treinados exclusivamente com chips chineses.

A distinção ajuda a entender a disputa. Treinar uma IA significa ajustar o modelo com grandes volumes de dados. Já a inferência corresponde ao uso do modelo pronto para produzir respostas. Um sistema pode apresentar bons resultados em uma dessas etapas sem liderar automaticamente a outra.

Huawei amplia a escala dos sistemas

Em setembro, a empresa apresentou o Atlas 960E SuperPoD, projetado para conectar até 4.096 aceleradores. Segundo a Huawei, a plataforma combina comunicação óptica, memória com endereçamento unificado e refrigeração líquida para atender modelos de grande porte. 

A fabricante também afirma que sua tecnologia de conexão reduz o consumo elétrico em comparação com uma configuração convencional de módulos ópticos. Essa comparação diz respeito à infraestrutura descrita pela empresa: ela não estabelece, por si só, uma vantagem energética sobre qualquer sistema concorrente.

A proposta revela uma mudança de foco. Além de melhorar cada processador, a Huawei tenta reduzir os obstáculos que aparecem quando milhares deles trabalham juntos.

Alibaba aposta em uma cadeia própria de IA

China Ia
© Freepik

A Alibaba segue um caminho semelhante. Em sua apresentação na conferência Apsara de 2026, o presidente executivo Eddie Wu anunciou o Zhenwu V900. Segundo ele, o chip oferece três vezes o desempenho do antecessor M890, e uma plataforma baseada nele pode chegar a 500 mil placas.

A companhia pretende integrar processadores, servidores, redes, modelos e serviços de nuvem. O objetivo é aumentar a produção de respostas de IA e melhorar o custo de operação do conjunto.

Wu também reconheceu que limitações na cadeia global de fornecimento dos centros de dados dificultam a expansão. Portanto, desenvolver um chip é apenas uma parte do desafio.

Os projetos indicam uma capacidade crescente de construir alternativas nacionais. Ainda assim, escala anunciada, desempenho medido e disponibilidade comercial representam etapas diferentes. A disputa passa agora pela capacidade de transformar essas plataformas em serviços confiáveis, competitivos e disponíveis para os clientes.

 

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