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Ciência

Cientistas britânicos podem ter descoberto como a vida começou na Terra

Um novo estudo pode ter resolvido um dos maiores mistérios da biologia: como as primeiras proteínas — moléculas essenciais para a vida — se formaram antes mesmo de existirem células. A descoberta, publicada na revista Nature, pode ajudar a explicar como a vida surgiu na Terra e até indicar caminhos para encontrá-la em outros planetas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um enigma de décadas: quem veio primeiro?

Pesquisadores da University College London (UCL) mostraram como moléculas de RNA e aminoácidos poderiam ter se combinado de forma espontânea na Terra primitiva, criando as primeiras proteínas.

Segundo o químico Matthew Powner, coautor do estudo:

“Usamos uma química muito simples, em água com pH neutro, para unir aminoácidos ao RNA. O processo é espontâneo, seletivo e poderia ter acontecido naturalmente na Terra primitiva.”

O achado ajuda a responder um dilema científico que intrigava pesquisadores há mais de cinco décadas: as células só existem graças às proteínas, mas essas proteínas são produzidas dentro das células. Como a vida começou se os dois processos dependem um do outro?

A nova pesquisa oferece uma possível solução.

A química que pode ter criado a vida

Genes P
© Freepik

Os cientistas descobriram que um composto chamado pantetina — presente no metabolismo atual dos organismos — pode ter desempenhado um papel crucial.

Em laboratório, quando misturaram pantetina e aminoácidos em água, os aminoácidos reagiram e formaram uma nova substância chamada aminoacil-tiol. Essa molécula, por sua vez, conseguiu se ligar ao RNA e transferir os aminoácidos, permitindo a formação das primeiras cadeias proteicas.

Para Powner, essa reação pode ter sido inevitável:

“Se você tem aminoácidos, RNA e moléculas de enxofre, esse tipo de processo é quase certo de ocorrer.”

A Terra primitiva como laboratório natural

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Os pesquisadores acreditam que as condições ideais para essa reação existiam na Terra há cerca de 4 bilhões de anos, principalmente em lagos e poças rasas, onde as concentrações de moléculas eram mais altas do que nos oceanos.

Essa hipótese pode explicar por que ambientes de água doce são apontados como locais prováveis para o início da vida — um detalhe que também ajuda a entender onde procurar sinais de vida em outros planetas com condições semelhantes.

Implicações para a ciência e limitações do estudo

O estudo foi elogiado por outros especialistas. Para Aaron Goldman, biólogo do Oberlin College, a descoberta representa:

“Uma química nova e intrigante que lança luz sobre um possível precursor da síntese de proteínas.”

Apesar do avanço, os cientistas reconhecem que ainda há desafios. A pantetina provavelmente não estava presente em concentrações tão altas nos oceanos primordiais, o que sugere que esse processo dependia de ambientes mais restritos.

Além disso, segundo Nick Lane, especialista em bioquímica da UCL, as proteínas formadas nesse cenário inicial seriam aleatórias e não tão organizadas quanto as produzidas hoje pelos ribossomos.

Ou seja, o estudo responde uma parte do mistério, mas ainda não explica como surgiram as primeiras proteínas funcionais.

O impacto na busca por vida fora da Terra

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© Pexels – Yihan Wang.

A pesquisa também amplia o horizonte da astrobiologia. Se as condições descritas no estudo realmente favoreceram o surgimento da vida na Terra, isso significa que mundos com características semelhantes podem ter o mesmo potencial biológico.

Planetas com água líquida, compostos orgânicos e fontes de energia poderiam reproduzir reações semelhantes, aumentando a chance de descobrirmos vida fora do nosso planeta.

Cientistas da University College London descobriram um processo químico simples que pode ter formado as primeiras proteínas há cerca de 4 bilhões de anos, ajudando a explicar como a vida surgiu na Terra. A descoberta também pode guiar a busca por vida em outros planetas.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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