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Ciência

Cientistas descobrem como é o interior da Lua — e o quanto ela se parece com a Terra

Um estudo do Instituto de Física do Globo de Paris revelou que a Lua tem um núcleo interno sólido, muito semelhante ao terrestre. A descoberta ajuda a explicar por que o satélite teve, no passado, um campo magnético mais intenso que o da própria Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Pesquisadores franceses conseguiram reconstruir a estrutura interna da Lua com detalhes inéditos. Usando dados sísmicos e modelagem geofísica, descobriram que o satélite natural da Terra possui um núcleo metálico denso e uma camada líquida externa — indícios de que, no passado, seu interior era muito mais ativo e magnético.

O coração metálico da Lua

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© Elena11 – shutterstock

A composição da Lua sempre intrigou astrônomos e geofísicos. Agora, um estudo publicado na revista Nature trouxe a evidência mais convincente até hoje de que o interior lunar se assemelha surpreendentemente ao da Terra.

A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Física do Globo de Paris em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), indica que a Lua possui um núcleo interno sólido e metálico, cercado por uma camada externa líquida — uma estrutura quase idêntica à terrestre.

Segundo os autores, o núcleo sólido tem cerca de 258 quilômetros de raio e uma densidade de 7.822 kg/m³, valor muito próximo ao do ferro puro, enquanto a camada líquida ao seu redor mede aproximadamente 362 quilômetros. Essa configuração confirma que a Lua é mais do que uma simples rocha fria: ela teve, em algum momento, um coração em ebulição.

Uma Lua que já teve campo magnético

Durante seus primeiros mil milhões de anos, a Lua foi muito mais dinâmica do que é hoje.
As intensas correntes elétricas e o atrito interno do núcleo geraram um campo magnético mais forte que o da Terra atual, capaz de envolver completamente o satélite.

Com o tempo, o interior lunar foi esfriando e se solidificando, o que levou ao enfraquecimento e, finalmente, ao desaparecimento do magnetismo. Essa transição explica por que as amostras trazidas pelas missões Apollo exibem traços fossilizados de magnetismo, enquanto a Lua moderna é praticamente desprovida dele.

O estudo sugere que compreender esse processo pode ajudar a desvendar como o campo magnético terrestre se manterá no futuro, já que ambos os corpos compartilham uma história geológica e estrutural comum.

A composição e as cores do nosso satélite

A superfície lunar é formada principalmente por quatro tipos de rochas: basaltos, brechas, anortositas e regolito, uma poeira fina e abrasiva que cobre todo o terreno. Esses materiais conferem à Lua o aspecto acinzentado e manchado que observamos a olho nu, resultado da mistura de oxigênio, silício, ferro, magnésio, cálcio e alumínio.

Curiosamente, o tom que vemos da Terra não depende apenas da composição, mas também de como a luz solar se dispersa ao refletir-se sobre ela. Esse fenômeno — a dispersão de Rayleigh, o mesmo que faz o céu da Terra parecer azul — é o responsável pelos diferentes matizes que a Lua exibe conforme o ângulo da luz e as condições atmosféricas.

O tamanho e a importância da Lua

Luna
© Pixabay/Pexels

Com 3.474 quilômetros de diâmetro, a Lua tem pouco mais de um quarto do tamanho da Terra e uma superfície de 37,9 milhões de km², ligeiramente menor que o continente asiático. Ainda assim, seu papel gravitacional é vital: controla as marés, estabiliza o eixo terrestre e influencia o ritmo biológico de incontáveis espécies.

A nova compreensão sobre sua estrutura interna reforça que o satélite não é apenas um vestígio inerte do passado, mas uma peça-chave para entender a formação dos planetas rochosos e o funcionamento interno da própria Terra.

O estudo francês revela uma verdade fascinante: a Lua e a Terra compartilham muito mais do que uma simples órbita — compartilham uma mesma origem metálica e um passado de energia e magnetismo que ainda ecoa, silenciosamente, pelo Sistema Solar.

 

[ Fonte: El Destape ]

 

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