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Ciência

Cientistas descobrem vestígios de sangue de dinossauro de 115 milhões de anos no Brasil

Pesquisadores identificaram estruturas semelhantes a glóbulos vermelhos e moléculas associadas à hemoglobina em um fóssil encontrado no Ceará. A descoberta pode transformar a paleontologia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma descoberta realizada a partir de fósseis encontrados no Nordeste brasileiro está surpreendendo cientistas de todo o mundo. Pesquisadores identificaram vestígios de células sanguíneas em ossos de um dinossauro que viveu há aproximadamente 115 milhões de anos. O estudo, publicado em 2 de novembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), apresenta algumas das evidências químicas mais robustas já encontradas de componentes do sangue de dinossauros.

Dinossauro encontrado no Ceará guardava vestígios de sangue

Cientistas descobrem vestígios de sangue de dinossauro de 115 milhões de anos no Brasil
© Pexels

A descoberta foi feita em fósseis do Aratasaurus museunacionali, um dinossauro carnívoro que habitava o território brasileiro durante o período Cretáceo.

O animal media aproximadamente 3,1 metros de comprimento, caminhava sobre duas patas e teria cerca de quatro anos quando morreu.

Seus restos foram encontrados em uma mina de gipsita no Ceará, incluindo partes do fêmur, da tíbia e do pé direito.

Uma equipe internacional liderada pela geoquímica Kliti Grice, da Universidade Curtin, na Austrália, analisou os ossos e identificou pequenas estruturas semelhantes a glóbulos vermelhos.

Essas estruturas estavam localizadas em canais internos que, quando o animal estava vivo, abrigavam vasos sanguíneos.

O estudo também contou com a participação do paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Como os cientistas identificaram sangue tão antigo?

A descoberta não se baseou apenas na aparência das estruturas encontradas.

Os pesquisadores utilizaram microscopia e técnicas avançadas de análise química para investigar o interior dos ossos fossilizados.

O principal resultado foi a identificação de sinais moleculares associados ao heme, composto que contém ferro e faz parte da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.

A equipe também identificou aminoácidos relacionados ao colágeno, proteína estrutural presente em diversos tecidos do organismo.

Para descartar possíveis contaminações, os cientistas compararam os resultados obtidos nos ossos com amostras das rochas ao redor.

A combinação de estruturas semelhantes a células sanguíneas e evidências químicas de sua origem biológica torna a descoberta especialmente importante.

Segundo os autores, o mineral hausmannita pode ter contribuído para preservar essas estruturas durante milhões de anos.

Descoberta pode mudar o que sabemos sobre os dinossauros

Durante muito tempo, acreditava-se que moléculas biológicas dificilmente poderiam sobreviver por períodos geológicos tão extensos.

O processo de fossilização costuma destruir ou transformar os tecidos orgânicos, preservando principalmente estruturas mineralizadas, como ossos e dentes.

A nova pesquisa sugere que determinadas condições ambientais podem permitir a conservação de vestígios químicos por muito mais tempo do que se imaginava.

Isso abre possibilidades para investigar aspectos da fisiologia dos dinossauros, incluindo metabolismo, circulação sanguínea e transporte de oxigênio.

Entretanto, a interpretação ainda exige cautela. A paleontóloga Mary Schweitzer, especialista em tecidos fósseis, observou que as estruturas identificadas não apresentam exatamente a forma esperada dos glóbulos vermelhos de dinossauros, embora considere relevantes as evidências químicas.

Portanto, o estudo representa um avanço importante, mas não encerra o debate científico sobre a preservação de células sanguíneas antigas.

Será possível recuperar DNA e recriar dinossauros?

A descoberta pode lembrar o filme Jurassic Park, no qual cientistas utilizam material genético preservado para recriar animais extintos.

Mas os pesquisadores deixam claro que isso continua no campo da ficção científica.

O estudo não identificou DNA de dinossauro, sangue líquido nem proteínas completas preservadas.

O que foi encontrado são estruturas mineralizadas e vestígios moleculares associados a componentes sanguíneos.

O DNA é muito mais vulnerável à degradação do que determinadas moléculas menores. Por isso, encontrar sinais de hemoglobina não significa que o material genético original tenha sobrevivido.

A importância da descoberta está em outro aspecto: um fóssil brasileiro de 115 milhões de anos pode revelar informações biológicas que antes pareciam definitivamente perdidas.

Com novas técnicas de análise, outros fósseis preservados em museus poderão oferecer pistas inéditas sobre a vida dos dinossauros.

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