A religiosidade mundial passa por uma transformação quase invisível, mas irreversível. O cristianismo, ainda a maior religião do planeta, vem perdendo espaço para o islamismo e para o grupo dos não religiosos. Uma análise do Pew Research Center mostra como esse novo cenário vem se consolidando entre 2010 e 2020 — e por que essa mudança deve continuar moldando sociedades em todo o mundo.
Cristianismo: maioria, mas em queda relativa
Com mais de 2,3 bilhões de fiéis, o cristianismo ainda representa 28,8% da população global. Porém, seu crescimento não acompanha o aumento da população mundial: em apenas dez anos, a proporção caiu 1,8 ponto percentual.
A África Subsaariana se tornou o novo epicentro cristão, reunindo cerca de 30,7% dos seguidores, superando a Europa, que agora soma apenas 22,3%. Essa virada reflete o forte crescimento populacional africano e o declínio da prática religiosa em países europeus. Nações como França, Reino Unido e Austrália registram, pela primeira vez, menos da metade de seus habitantes identificados como cristãos, enquanto os sem religião ultrapassam os 40% nesses locais.

O avanço do islamismo e dos não religiosos
O islamismo é, atualmente, a religião que mais cresce. Já são 2 bilhões de muçulmanos — 347 milhões a mais do que em 2010 —, o que corresponde a 25,6% da população mundial. Esse aumento está ligado principalmente a uma população mais jovem e com altas taxas de natalidade.
Paralelamente, o grupo dos não religiosos se expande rapidamente: já soma 1,9 bilhão de pessoas, ou 24,2% da população global. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de pessoas sem filiação religiosa quase dobrou na última década. Isso não se deve a conversões, mas sim ao abandono gradual da fé, especialmente entre ex-cristãos.
O que explica essas mudanças?
Segundo o estudo, dois fatores principais impulsionam essa transformação: a força do secularismo, sobretudo em sociedades ocidentais, e as diferenças demográficas. De um lado, cada vez mais pessoas se afastam das religiões tradicionais, buscando espiritualidade fora de instituições formais ou adotando o ateísmo. De outro, religiões como o islamismo se fortalecem graças a comunidades mais jovens e com maior taxa de fecundidade.
Essas tendências desenham um novo panorama espiritual que mistura fé herdada e contextos sociais em rápida mudança. Nos próximos anos, o equilíbrio entre religiões e não crentes deve continuar mudando — mostrando que o mapa da fé mundial está longe de ser estático.