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Ciência

Bioestimuladores de colágeno realmente rejuvenescem a pele? Especialistas explicam benefícios e riscos

Tratamentos injetáveis prometem estimular a produção natural de colágeno, melhorar a firmeza da pele e suavizar rugas. Entenda como funcionam, quanto duram os resultados e quais cuidados são necessários.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Com o passar dos anos, a pele perde parte de sua elasticidade e firmeza, favorecendo o aparecimento de rugas e flacidez. Para combater esses sinais, os bioestimuladores de colágeno ganharam espaço nos consultórios de dermatologia e medicina estética. Diferentemente de procedimentos que proporcionam volume imediato, essas substâncias estimulam uma resposta gradual do próprio organismo. Mas será que funcionam? Pesquisas científicas ajudam a esclarecer os benefícios, a duração dos resultados e os riscos envolvidos.

O que são os bioestimuladores de colágeno?

Os bioestimuladores são substâncias injetáveis utilizadas para estimular a produção de colágeno, proteína responsável por parte da sustentação e resistência da pele.

Entre os compostos mais conhecidos estão o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio.

Quando aplicados em regiões específicas, eles desencadeiam respostas celulares que favorecem a formação de novas fibras de colágeno.

A médica especialista em estética Karen Quevedo explicou, em entrevista à emissora colombiana La Kalle, que esses produtos atuam abaixo da superfície da pele e são gradualmente reabsorvidos pelo organismo.

O objetivo é melhorar a qualidade dos tecidos, suavizar determinados sinais do envelhecimento e recuperar parte da firmeza perdida.

Entretanto, os bioestimuladores não interrompem o envelhecimento nem conseguem reproduzir os efeitos de uma cirurgia plástica.

Como o tratamento age na pele?

O colágeno é produzido principalmente por células chamadas fibroblastos, presentes na derme.

Com o envelhecimento, a produção e a organização dessas fibras sofrem alterações, contribuindo para a perda de elasticidade.

Os bioestimuladores procuram estimular a atividade dessas células por meio de mecanismos que variam conforme a substância utilizada.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 na revista científica Aesthetic Plastic Surgery analisou 14 estudos sobre ácido poli-L-láctico e hidroxiapatita de cálcio.

Os pesquisadores identificaram melhorias na elasticidade da pele, redução de rugas e recuperação de volume facial em pacientes submetidos aos tratamentos.

Os autores também destacaram a necessidade de estudos adicionais para avaliar a segurança a longo prazo e padronizar as técnicas de aplicação.

Quanto tempo demora para aparecer o resultado?

Uma das principais características dos bioestimuladores é que os resultados não aparecem imediatamente.

Isso acontece porque o organismo precisa de tempo para produzir novas fibras de colágeno.

Segundo Karen Quevedo, as primeiras mudanças mais perceptíveis podem surgir após aproximadamente três meses.

O tempo varia conforme o produto utilizado, a região tratada e as características individuais de cada paciente.

Em alguns casos, são necessárias várias sessões para alcançar o resultado desejado.

A duração também depende da substância. A revisão científica publicada em 2026 encontrou efeitos de até 25 meses com ácido poli-L-láctico e de aproximadamente 12 a 18 meses com hidroxiapatita de cálcio.

Esses períodos não representam garantias individuais, já que a resposta biológica pode variar consideravelmente.

Bioestimuladores são melhores que preenchimentos faciais?

Bioestimuladores de colágeno realmente rejuvenescem a pele? Especialistas explicam benefícios e riscos
© Unsplash

Embora sejam frequentemente confundidos, os procedimentos possuem objetivos diferentes.

Os preenchimentos com ácido hialurônico costumam ser utilizados para restaurar volume, modificar contornos e suavizar determinadas rugas, com efeitos visíveis logo após a aplicação.

Já os bioestimuladores priorizam a produção gradual de colágeno e a melhora da sustentação dos tecidos.

Alguns produtos, especialmente os que contêm hidroxiapatita de cálcio, também podem proporcionar volume imediato, dependendo da formulação e da técnica.

A escolha depende da avaliação médica, da anatomia e dos objetivos do paciente.

Não existe um tratamento universalmente superior ao outro.

Quais são os riscos dos bioestimuladores de colágeno?

Apesar de serem procedimentos minimamente invasivos, os bioestimuladores não estão livres de complicações.

Entre os efeitos adversos possíveis estão dor, inchaço, vermelhidão, hematomas e formação de pequenos nódulos.

Uma revisão e metanálise publicada em 2025 na revista Aesthetic Surgery Journal, que reuniu 25 estudos, encontrou uma taxa estimada de satisfação de 91%, mas também registrou eventos adversos, incluindo nódulos em aproximadamente 5% dos casos avaliados.

Os pesquisadores observaram grande variação entre os estudos, o que exige cautela na interpretação desses percentuais.

Complicações mais graves, embora menos comuns, também podem ocorrer, incluindo inflamações persistentes e danos aos tecidos.

Por isso, a aplicação deve ser realizada por médico habilitado e capacitado, com produtos regularizados pela Anvisa e em estabelecimento adequado.

Quem pode fazer o procedimento?

Os bioestimuladores podem ser considerados para adultos que apresentam flacidez, perda de volume ou alterações na textura da pele.

Entretanto, nem todas as pessoas são candidatas adequadas.

A avaliação deve considerar histórico de doenças, medicamentos, alergias, condições da pele e possíveis contraindicações.

Também é importante desconfiar de promoções excessivamente baratas e promessas de rejuvenescimento permanente.

Os bioestimuladores podem oferecer melhorias reais na aparência da pele, mas os resultados dependem de uma indicação correta, da técnica utilizada e da resposta individual do organismo.

O procedimento deve ser entendido como uma opção estética, não como uma necessidade para envelhecer de maneira saudável.

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