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Eleições presidenciais em Portugal: o que está em jogo na disputa que pode levar o país a um segundo turno histórico

Os portugueses vão às urnas neste domingo (18) para escolher o próximo presidente da República. Com um cenário fragmentado e pelo menos três candidatos competitivos, a eleição pode terminar sem vencedor no primeiro turno — algo que não acontece há décadas no país.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Embora a presidência da República em Portugal seja frequentemente descrita como um cargo de perfil institucional e moderador, a eleição deste domingo ocorre em um momento de forte tensão política. O possível segundo turno, previsto para 8 de fevereiro, expõe um cenário de dispersão eleitoral e reforça a importância de um presidente capaz de arbitrar crises, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições quando necessário.

Como funciona o sistema eleitoral português

Bandera Portugal
© Freepik

O presidente de Portugal é eleito por voto direto e precisa obter mais de 50% dos votos válidos para vencer no primeiro turno. Caso nenhum candidato atinja esse patamar, os dois mais votados disputam um segundo turno.

Qualquer cidadão português com mais de 35 anos pode concorrer ao cargo, desde que reúna ao menos 7.500 assinaturas de apoio. Todas as candidaturas e assinaturas passam por análise do Tribunal Constitucional, responsável por validar o processo.

As urnas ficam abertas das 8h às 19h no horário local (das 4h às 15h em Brasília). Após o encerramento, apenas eleitores que já estejam nas assembleias de voto podem concluir a votação.

O papel do presidente além do simbolismo

Apesar de não comandar o governo, o presidente português exerce influência decisiva em momentos de instabilidade. Cabe a ele dissolver o Parlamento, destituir o primeiro-ministro, convocar eleições antecipadas e vetar leis aprovadas pelos deputados.

O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, ocupa o cargo desde 2016 e está impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato consecutivo. Durante sua gestão, convocou eleições antecipadas em 2021, 2023 e 2025, o que reforçou o peso político da presidência em períodos de crise.

André Ventura e o avanço da ultradireita

Com 42 anos, André Ventura é o nome mais associado ao crescimento da extrema direita em Portugal. Fundador e líder do partido Chega, ele ganhou projeção nacional após carreira como comentarista esportivo na televisão.

Ventura transformou o Chega na segunda maior força parlamentar em 2025, defendendo uma agenda centrada no combate à corrupção e no endurecimento das políticas migratórias. Analistas políticos costumam descrever o partido como altamente personalista, o que se reflete no protagonismo absoluto do candidato na disputa presidencial.

João Cotrim de Figueiredo e a agenda liberal

João Cotrim de Figueiredo, de 64 anos, representa a Iniciativa Liberal, partido de orientação pró-mercado que ele próprio liderou. Atualmente deputado no Parlamento Europeu, defende redução de impostos, menor intervenção do Estado e maior flexibilidade nas relações de trabalho.

A campanha sofreu abalo recente após uma ex-assessora acusá-lo de agressão sexual em uma publicação online posteriormente apagada. Cotrim de Figueiredo negou as acusações e afirmou que se trata de uma tentativa de enfraquecer sua candidatura.

António José Seguro e a esquerda moderada

Ex-líder do Partido Socialista, António José Seguro, de 63 anos, retornou ao cenário político após anos afastado. Ele deixou a liderança do partido em 2014, quando foi derrotado internamente por António Costa, futuro primeiro-ministro.

Seguro se apresenta como uma alternativa de esquerda “moderna e moderada”, buscando atrair eleitores preocupados com o avanço de discursos populistas e autoritários. Sua candidatura aposta na experiência política e no apelo ao consenso institucional.

Henrique Gouveia e Melo, o outsider da disputa

O almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, de 65 anos, é o único candidato sem trajetória partidária. Tornou-se figura pública em 2021 ao comandar a campanha de vacinação contra a Covid-19, considerada uma das mais eficientes do mundo.

Ele afirma que pode atuar como um elemento de união em um país politicamente fragmentado, defendendo uma presidência focada em estabilidade, confiança e coordenação institucional.

Luís Marques Mendes e o apoio do centro-direita

Aos 68 anos, Luís Marques Mendes conta com o apoio do PSD, principal partido de centro-direita em Portugal. Ele liderou a legenda entre 2005 e 2007 e, nos últimos anos, consolidou sua imagem como comentarista político na televisão.

Marques Mendes afirma que Portugal precisa recuperar “ambição” e promete confrontar o que chama de um ambiente político acomodado e conformista, defendendo reformas e maior dinamismo institucional.

Com o cenário aberto e sem favoritos absolutos, a eleição presidencial portuguesa deste domingo pode marcar uma virada histórica — não apenas pelo resultado, mas pelo sinal claro de um país em busca de novos equilíbrios políticos.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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