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Ciência

Especialista da NASA alerta para risco de asteroides: “Vai acontecer novamente”

Humberto Campins afirma que a humanidade precisa investir em defesa planetária para enfrentar possíveis impactos no futuro. Enquanto isso, a passagem do asteroide Apophis em 2029 será uma oportunidade única para estudar como a gravidade da Terra modifica esses objetos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A humanidade não enfrenta atualmente nenhuma ameaça conhecida de um grande asteroide em rota de colisão com a Terra. Isso, porém, não significa que podemos ignorar completamente esse risco.

Humberto Campins, especialista em asteroides ligado à NASA, alerta que grandes impactos fazem parte da história natural do Sistema Solar e, em algum momento, um evento desse tipo voltará a acontecer.

Para o cientista venezuelano, uma civilização que pretende sobreviver no longo prazo precisa desenvolver tecnologias e protocolos capazes de detectar ameaças com antecedência e, eventualmente, impedir uma colisão.

Um grande asteroide pode atingir a Terra novamente?

Asteroide Apophis Passará Perto Da Terra E Poderá Ser Visto Sem Telescópio Em 2029
© Getty Images – Unsplash

Em entrevista à EFE, Campins lembrou que eventos de grandes proporções, como aquele relacionado à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, fazem parte da evolução do Sistema Solar.

“A civilização humana deve se preparar para essa ameaça, que vai acontecer novamente”, afirmou.

Isso não significa que exista atualmente um asteroide conhecido prestes a atingir nosso planeta. A preocupação está relacionada ao futuro e à necessidade de manter programas capazes de localizar objetos próximos da Terra e calcular suas trajetórias.

Esse conjunto de iniciativas é conhecido como defesa planetária.

Agências espaciais, observatórios e pesquisadores de diferentes países trabalham juntos para identificar asteroides potencialmente perigosos e calcular a probabilidade de aproximações ou impactos.

A NASA participa há décadas dessas iniciativas e utiliza diferentes sistemas para avaliar riscos, incluindo a Escala de Turim.

Agências espaciais fazem simulações de impacto

A preparação não envolve apenas encontrar asteroides.

Segundo Campins, diversas agências espaciais realizam exercícios internacionais aproximadamente a cada três anos para simular como autoridades deveriam reagir diante da descoberta de um objeto realmente perigoso.

O objetivo é criar uma espécie de “memória institucional”.

Dessa maneira, caso uma ameaça real seja identificada, cientistas, governos e organizações internacionais já terão protocolos e experiências anteriores para orientar suas decisões.

Essa preparação ganhou importância depois que missões espaciais demonstraram que, pelo menos em determinadas circunstâncias, seria possível modificar a trajetória de um asteroide.

O desafio seria detectar o objeto com antecedência suficiente para organizar uma resposta.

Apophis passará muito perto da Terra em 2029

Um dos asteroides mais aguardados pelos cientistas é o Apophis.

Descoberto em 2004, o objeto chamou atenção porque as primeiras observações indicaram uma possibilidade preocupante de aproximação com nosso planeta.

Medições posteriores permitiram refinar sua órbita e descartar uma colisão com a Terra durante pelo menos os próximos 100 anos.

Mesmo assim, o encontro de 2029 será impressionante.

Em 13 de abril daquele ano, Apophis passará a menos de 32 mil quilômetros da superfície terrestre. Isso significa que ficará mais próximo da Terra do que alguns satélites de comunicação.

Dependendo da localização e das condições de observação, o asteroide poderá ser visto sem equipamentos profissionais em partes da Europa, África e Ásia.

Asteroide tem cerca de 350 metros de diâmetro

Asteroide Apophis
© YouTube

Apophis possui formato irregular e um diâmetro estimado entre 340 e 375 metros.

Sua composição inclui principalmente materiais rochosos, silicatos e metais como ferro e níquel. A massa estimada chega a aproximadamente 20 milhões de toneladas.

O objeto também completa uma rotação em torno do próprio eixo aproximadamente a cada 31 horas.

Apesar da proximidade impressionante prevista para 2029, os cientistas reforçam que o encontro não representa risco de impacto.

Na realidade, ele oferecerá uma oportunidade científica extremamente rara.

Gravidade da Terra poderá modificar Apophis

Durante a aproximação, a gravidade terrestre exercerá forças importantes sobre o asteroide.

Os cientistas querem descobrir se essa interação será suficiente para provocar alterações em sua superfície, estrutura interna ou velocidade de rotação.

Para estudar essas mudanças, a NASA prepara a missão OSIRIS-APEX, uma extensão da missão OSIRIS-REx.

A espaçonave encontrará Apophis depois de sua passagem próxima da Terra e deverá estudar sua superfície e composição durante aproximadamente 18 meses.

A Agência Espacial Europeia (ESA) também trabalha na missão Ramses, projetada para observar o asteroide antes e durante sua aproximação.

Comparar as observações realizadas antes e depois do encontro poderá revelar exatamente como a gravidade terrestre afetou o objeto.

Asteroides também podem fornecer recursos no futuro

Além da defesa planetária, Campins destaca outro possível interesse nesses objetos: a mineração espacial.

Asteroides próximos da Terra podem conter materiais valiosos, incluindo platina, terras raras e outras matérias-primas.

Alguns desses recursos poderiam ser utilizados diretamente no espaço. Em vez de transportar todos os materiais necessários desde a superfície terrestre, futuras missões poderiam aproveitar recursos encontrados nos próprios asteroides.

Essa possibilidade ainda enfrenta enormes desafios tecnológicos e econômicos.

Por enquanto, a prioridade continua sendo compreender esses objetos, localizar aqueles que possam representar algum risco e desenvolver formas de proteção.

Apophis não será uma ameaça em 2029. Mas sua passagem excepcionalmente próxima poderá ajudar cientistas a entender melhor justamente o tipo de objeto que, algum dia, poderá exigir uma resposta da humanidade.

 

[ Fonte: La Nación ]

 

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