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Tecnologia

Esqueça os filtros: o Airbnb prepara uma nova maneira de encontrar onde ficar

A plataforma está usando IA para acelerar seus bastidores e prepara uma mudança mais profunda: em vez de procurar hospedagem apenas por filtros, você poderá explicar o que procura.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Escolher uma hospedagem costuma significar preencher datas, destino, número de hóspedes e uma longa lista de filtros. Mas e se fosse possível simplesmente explicar o tipo de viagem que você deseja? O Airbnb está caminhando nessa direção. Ao mesmo tempo em que usa inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento da própria plataforma, a empresa prepara uma nova forma de pesquisar acomodações, mais próxima de uma conversa do que de um formulário.

A mudança começa muito antes da busca

O Airbnb já vinha incorporando inteligência artificial ao desenvolvimento de seus produtos, mas os resultados apresentados pela empresa mostram que a transformação está ganhando velocidade.

Durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, a companhia afirmou que algumas iniciativas importantes passaram a chegar aos usuários até 60% mais rápido, desde a concepção até o lançamento.

O número não significa que todos os projetos da empresa sejam desenvolvidos 60% mais rapidamente. A própria companhia restringe o dado a determinadas iniciativas consideradas estratégicas.

Ainda assim, a mudança é significativa. No primeiro semestre de 2026, o Airbnb afirma ter lançado quase 80% mais funções e melhorias do que no mesmo período do ano anterior.

A inteligência artificial também já está presente no trabalho dos próprios engenheiros. Em maio, a empresa revelou que aproximadamente 60% do código produzido por suas equipes era desenvolvido em colaboração com ferramentas de IA.

Na prática, isso permite testar alterações, identificar problemas e implementar melhorias com maior rapidez.

O efeito aparece em áreas que muitas vezes passam despercebidas para o usuário: pesquisa, cadastro, pagamentos, reservas e ferramentas destinadas aos anfitriões.

A página inicial foi redesenhada, o sistema de classificação passou a tentar priorizar acomodações mais adequadas para cada viagem e os mapas receberam informações adicionais sobre restaurantes, transporte e atrações próximas.

Mas essa é apenas a primeira parte da estratégia.

A próxima busca pode ser muito mais natural

Até agora, a IA mais visível para quem utiliza o Airbnb apareceu principalmente em recursos como resumos de avaliações e destaques das propriedades.

Isso deve mudar.

A empresa pretende começar a testar uma ferramenta de busca capaz de interpretar linguagem natural. Em vez de escolher destino, datas e dezenas de filtros individualmente, o viajante poderá descrever o que está procurando com suas próprias palavras.

Imagine explicar que você quer uma hospedagem tranquila para uma viagem em família, próxima de bons restaurantes, com acesso fácil ao transporte público e espaço para trabalhar. A proposta é que o sistema transforme essa descrição em resultados relevantes.

O Airbnb não pretende eliminar imediatamente o mecanismo tradicional. Durante os testes, os usuários poderão alternar entre a nova experiência e a busca convencional.

E existe uma diferença importante em relação aos chatbots tradicionais.

A empresa não quer transformar a reserva de uma viagem em uma simples conversa de texto. Para escolher uma hospedagem, imagens, localização, preço, estrutura e comparação visual continuam sendo fundamentais.

Por isso, a estratégia combina a compreensão da linguagem pela IA com uma interface visual. A tecnologia poderá inclusive criar títulos e destacar, em tempo real, características de cada acomodação relacionadas ao que o viajante está procurando.

A IA também está reduzindo custos nos bastidores

Enquanto a nova busca pode ser a mudança mais perceptível para os usuários, outra aplicação da inteligência artificial já produz efeitos financeiros mais concretos.

O assistente de atendimento ao cliente do Airbnb funciona atualmente em mais de 50 idiomas. Segundo a empresa, aproximadamente 45% dos problemas iniciados com o assistente são resolvidos sem intervenção humana.

A companhia também pretende levar esse sistema para chamadas de voz ainda em 2026.

O impacto já aparece nos números: o custo de suporte por reserva caiu cerca de 16% em relação ao ano anterior durante o segundo trimestre.

E o período foi positivo para a empresa de maneira geral. A receita cresceu 17%, chegando a US$ 3,6 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado avançou 21%, para US$ 1,3 bilhão.

Isso ajuda a explicar por que a estratégia do Airbnb vai além de adicionar um chatbot ao aplicativo.

A inteligência artificial está sendo usada simultaneamente para construir a plataforma mais rapidamente, reduzir custos operacionais e interpretar melhor aquilo que o viajante procura.

A grande mudança pode estar justamente aí: no futuro, talvez você não precise descobrir quais filtros usar para encontrar a viagem que imagina. Bastará explicar o que deseja — e deixar que a plataforma tente descobrir quais opções combinam com essa descrição.

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