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Tecnologia

Esta startup quer transformar robôs humanoides em soldados para os Estados Unidos

Robôs Phantom já foram testados em tarefas militares e logísticas, enquanto a empresa estuda futuras capacidades de combate — um plano que reacende o debate sobre armas autônomas
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Tempo de leitura: 4 minutos

Enquanto boa parte da indústria de robótica tenta criar humanoides capazes de trabalhar em fábricas ou realizar tarefas domésticas, uma startup de São Francisco tem uma ambição diferente: colocar essas máquinas em operações militares.

A Foundation Future Industries desenvolve o Phantom, um robô humanoide projetado para executar trabalhos perigosos. A empresa já realizou testes relacionados a logística e defesa e afirma estudar futuras aplicações de combate.

Mas existe uma diferença importante entre a ambição e a tecnologia disponível atualmente. Os Phantom ainda estão longe de funcionar como soldados humanos autônomos.

Um robô de quase dois metros para trabalhos perigosos

Fundada em 2024 por Sankaet Pathak, a Foundation desenvolveu o Phantom MK-1, humanoide de quase dois metros projetado para operar em ambientes construídos para seres humanos.

A proposta inicial inclui tarefas como logística, reconhecimento e inspeção.

A empresa afirma ter testado seus robôs com forças ucranianas, enquanto os Estados Unidos também demonstram interesse crescente em humanoides para aplicações militares.

A lógica é relativamente simples: se uma máquina conseguir entrar em um ambiente perigoso antes de uma pessoa, determinadas missões poderiam ser realizadas sem colocar imediatamente um soldado em risco.

O problema é que executar essa ideia no mundo real continua sendo extremamente difícil.

Os robôs ainda possuem limitações importantes

Robôs humanoides evoluíram rapidamente graças a novos motores, sensores e sistemas de inteligência artificial. Alguns conseguem caminhar, manipular objetos e realizar movimentos que pareciam impossíveis há poucos anos.

Ambientes imprevisíveis continuam sendo outro desafio.

Um robô militar precisaria atravessar escombros, abrir portas, subir escadas danificadas, reconhecer objetos e adaptar seus movimentos a situações que nunca encontrou anteriormente.

Rodney Brooks, pioneiro da robótica e professor emérito do MIT, estima que ainda pode levar mais de uma década para humanoides operarem de maneira confiável em ambientes complexos e desconhecidos.

A Foundation trabalha agora no Phantom MK-2, que pretende melhorar características como resistência à água e poeira.

A empresa não descarta colocar armas nos humanoides

É justamente aqui que o projeto entra em um território muito mais controverso.

Pathak afirmou que a empresa está explorando aplicações “cinéticas”, termo utilizado no setor militar para tecnologias relacionadas ao uso de força e sistemas de armamento.

A companhia também defende que robôs poderiam assumir algumas das tarefas mais perigosas realizadas atualmente por soldados.

Isso não significa, porém, que os Phantom já estejam circulando de forma autônoma pelo campo de batalha tomando decisões sobre alvos.

Existe uma enorme diferença tecnológica, jurídica e ética entre utilizar um robô para transportar suprimentos e permitir que uma máquina identifique uma pessoa e empregue força letal.

Eric Trump também está ligado à empresa

A Foundation possui ainda uma conexão direta com a família do presidente dos Estados Unidos.

Eric Trump é investidor e atua como principal assessor de estratégia da startup.

A empresa também possui relações com programas e contratos governamentais. Entretanto, parte dos valores apresentados publicamente como contratos da Foundation está relacionada à Boardwalk Robotics, adquirida pela startup, e a projetos desenvolvidos por meio do Institute for Human and Machine Cognition.

A participação de Eric Trump gerou questionamentos políticos sobre possíveis conflitos de interesse. A empresa e a Casa Branca negam que essa relação tenha proporcionado vantagens indevidas à Foundation.

O problema começa quando a máquina pode decidir usar força

Robôs militares não são exatamente uma novidade. Drones, veículos terrestres não tripulados e outros sistemas já desempenham funções importantes em conflitos atuais, inclusive na Ucrânia.

A discussão muda de dimensão quando inteligência artificial e armas são combinadas com maior autonomia.

Uma das questões centrais é determinar quanto controle humano deve existir antes de uma máquina empregar força letal.

Também existem problemas de responsabilidade. Se um sistema autônomo identificar erroneamente um alvo e matar um civil, será necessário estabelecer quem responde pela decisão: o fabricante, o programador, o comandante militar ou o operador.

Os próprios desafios técnicos ainda são enormes.

Por enquanto, o Phantom está muito mais próximo de uma plataforma robótica experimental para tarefas industriais, logísticas e militares do que do soldado autônomo imaginado pela ficção científica.

Mas a intenção declarada de desenvolver capacidades de combate mostra que uma discussão que durante décadas pertenceu a filmes como O Exterminador do Futuro começa a ganhar uma versão muito mais concreta.

A questão já não é apenas se conseguiremos construir máquinas capazes de lutar. É quem terá autoridade para decidir quando elas poderão usar força contra uma pessoa.

 

[ Fonte: DW ]

 

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