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Ciência

O que aconteceu sobre a Antártida em 2025 trouxe uma rara boa notícia ambiental

Décadas depois de se tornar símbolo de uma crise ambiental global, o fenômeno sobre a Antártida apresentou números especialmente baixos. A explicação combina ação humana e condições atmosféricas incomuns.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante décadas, o buraco na camada de ozônio foi um dos exemplos mais assustadores de como a atividade humana poderia alterar a atmosfera. Agora, medições sobre a Antártida mostram um cenário bem diferente daquele observado nos períodos mais críticos. O resultado é animador, mas não significa que o problema acabou. Para entender o que aconteceu, é preciso olhar para acordos internacionais, temperaturas, ventos e até uma enorme erupção vulcânica.

Um dos melhores resultados registrados em décadas

O buraco na camada de ozônio formado sobre a Antártida em 2025 ficou entre os menores observados nas últimas décadas, segundo o mais recente Boletim sobre Ozônio e Radiação Ultravioleta da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Os números ajudam a dimensionar a mudança.

O déficit máximo de massa de ozônio chegou a 36,7 milhões de toneladas em 29 de setembro de 2025. Parece gigantesco, mas representa uma redução superior a 25% em relação à média de 50,1 milhões de toneladas registrada entre 1990 e 2010.

A OMM calcula que o buraco de 2025 ficou entre o quarto e o quinto menos intenso desde 1992. Além disso, pelo segundo ano consecutivo, tanto sua profundidade quanto sua extensão permaneceram consideravelmente abaixo da média histórica usada como referência.

O fenômeno começou normalmente durante julho, quando o inverno austral cria condições favoráveis à destruição do ozônio.

Mas algo mudou nas semanas seguintes.

A destruição máxima aconteceu mais cedo do que o habitual e, em setembro, a atmosfera começou a apresentar condições que dificultaram a continuidade do processo.

A temperatura sobre a Antártida teve um papel decisivo

O que aconteceu sobre a Antártida em 2025 trouxe uma rara boa notícia ambiental
© Unsplash

A camada de ozônio fica na estratosfera e funciona como uma espécie de filtro natural contra parte da radiação ultravioleta proveniente do Sol.

Sobre a Antártida, temperaturas extremamente baixas favorecem reações químicas que, na presença de substâncias como cloro e bromo, aceleram a destruição das moléculas de ozônio.

Em 2025, porém, a atmosfera não seguiu exatamente o roteiro esperado.

Em meados de setembro, grandes ondas atmosféricas provocaram um rápido aumento das temperaturas na estratosfera antártica inferior. Isso reduziu as condições necessárias para que a destruição química continuasse com a mesma intensidade durante o restante da temporada.

Outro elemento entrou na equação algumas semanas depois.

O vórtice polar estratosférico, uma enorme circulação de ar frio que se estabelece ao redor do Polo Sul, enfraqueceu e se desfez mais rapidamente. Com essa barreira menos intensa, massas de ar contendo concentrações maiores de ozônio conseguiram alcançar a região.

O resultado foi um buraco menos profundo e menos persistente.

Mas seria um erro atribuir toda a melhora apenas ao clima daquele ano.

Uma decisão tomada em 1987 está aparecendo nas medições de hoje

Existe uma tendência de recuperação da camada de ozônio observada desde aproximadamente o início deste século. E sua origem está ligada a uma das maiores iniciativas ambientais internacionais já realizadas.

Em 1987, países assinaram o Protocolo de Montreal para eliminar progressivamente substâncias responsáveis pela destruição do ozônio, especialmente os clorofluorcarbonetos, conhecidos como CFCs.

Esses compostos eram amplamente utilizados em refrigeradores, sistemas de ar-condicionado, espumas e aerossóis.

Quando alcançam a estratosfera, porém, podem liberar elementos químicos capazes de desencadear reações que destroem moléculas de ozônio.

O acordo internacional reduziu drasticamente sua utilização e, com o passar dos anos, a concentração atmosférica dessas substâncias começou a cair. A recuperação é lenta porque muitos desses compostos permanecem durante décadas na atmosfera.

Por isso, os resultados atuais são particularmente importantes: eles mostram que uma política ambiental adotada quase quatro décadas atrás continua produzindo consequências mensuráveis.

Ainda assim, existe outro detalhe que impede comemorações antecipadas.

Um buraco menor não significa que o problema desapareceu

O tamanho do buraco varia bastante de um ano para outro porque depende não apenas da concentração de substâncias destruidoras de ozônio, mas também das condições meteorológicas da estratosfera.

O que aconteceu sobre a Antártida em 2025 trouxe uma rara boa notícia ambiental
© Pexels

Um exemplo recente mostra como essas oscilações podem ser grandes.

Entre 2020 e 2023, foram registrados episódios excepcionalmente profundos. Um dos fatores que influenciaram esse período foi a enorme erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, ocorrida em 2022, que lançou quantidades extraordinárias de vapor d’água na estratosfera e alterou processos atmosféricos relacionados ao ozônio.

Os resultados de 2024 e 2025 representaram uma mudança favorável em relação àqueles anos.

Mas isso não permite afirmar que o buraco desapareceu definitivamente.

A própria OMM ressalta que a recuperação completa ainda levará décadas. Estimativas anteriores da NASA e da NOAA apontaram que a camada de ozônio sobre a Antártida pode retornar aproximadamente aos níveis de 1980 por volta de 2066, desde que as políticas internacionais continuem sendo cumpridas.

A boa notícia, portanto, não é simplesmente que um buraco ficou menor durante uma temporada.

O mais significativo é perceber que, por trás das oscilações naturais da atmosfera, existe uma tendência de recuperação de longo prazo.

Décadas atrás, o mundo identificou um problema ambiental gigantesco, descobriu quais substâncias estavam provocando o dano e decidiu agir de maneira coordenada. Os resultados não chegaram imediatamente.

Agora, começam a aparecer no céu.

[Fonte: Perfil]

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