Pular para o conteúdo
Ciência

A Nasa vai soltar três pequenos robôs na Lua e deixá-los decidir sozinhos o que fazer

Três rovers do tamanho de malas estão prestes a enfrentar um teste incomum na superfície lunar: receber uma missão e descobrir, praticamente sozinhos, como realizá-la.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Controlar um robô a centenas de milhares de quilômetros nunca foi simples. Cada ordem enviada da Terra exige comunicação, planejamento e equipes acompanhando seus movimentos. A Nasa agora quer descobrir o que acontece quando grande parte desse trabalho deixa de depender de humanos. Para isso, três pequenos rovers serão enviados à Lua com uma missão ambiciosa: trabalhar em equipe, escolher caminhos, dividir tarefas e tomar decisões por conta própria.

Três robôs pequenos vão enfrentar um teste enorme

A Nasa vai soltar três pequenos robôs na Lua e deixá-los decidir sozinhos o que fazer
© Pexels

A missão se chama CADRE, sigla em inglês para Exploração Robótica Distribuída Autônoma Cooperativa. Desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, o projeto pretende demonstrar uma nova maneira de explorar outros mundos.

Em vez de depender de um grande rover controlado continuamente por especialistas na Terra, serão usados três pequenos veículos de quatro rodas, cada um aproximadamente do tamanho de uma mala de mão.

Eles carregam câmeras estéreo, sensores de navegação e radar de penetração no solo. Também contam com painéis solares para produzir a energia necessária durante as operações.

O destino previsto é Reiner Gamma, uma região conhecida pelos misteriosos redemoinhos lunares visíveis na superfície. Os rovers deverão chegar como parte da missão IM-3, da Intuitive Machines, dentro da iniciativa Commercial Lunar Payload Services da Nasa. A página atual do JPL indica a chegada em 2026.

Mas os instrumentos não são a parte mais interessante.

Depois que os robôs estiverem sobre a Lua, os cientistas não pretendem dizer a cada um exatamente por onde andar. É aí que começa o verdadeiro experimento.

Humanos dão o objetivo e os robôs resolvem o resto

A proposta do CADRE é trabalhar com comandos de alto nível.

Os especialistas poderão estabelecer uma tarefa para o grupo. A partir daí, o sistema autônomo deverá organizar grande parte da execução.

Um dos rovers poderá assumir a liderança, distribuir trabalho e coordenar o grupo. Cada máquina poderá planejar trajetórias seguras, desviar de obstáculos e colaborar com as demais para cumprir a missão. Os veículos também poderão se comunicar entre si por uma rede própria e manter contato com uma estação-base instalada no módulo de pouso.

Essa cooperação é fundamental porque o objetivo não é simplesmente provar que três máquinas conseguem dirigir sem alguém controlando cada movimento.

Os rovers deverão trabalhar em formação para realizar medições sincronizadas com radar de penetração no solo. Ao combinar informações obtidas de diferentes pontos, os pesquisadores esperam produzir mapas tridimensionais da subsuperfície lunar.

É algo que um único veículo teria dificuldade para reproduzir.

Se funcionar, o conceito poderá permitir que futuras equipes de robôs explorem áreas perigosas, cavernas, crateras ou regiões distantes sem esperar continuamente por instruções enviadas da Terra.

Antes disso, porém, as pequenas máquinas terão de sobreviver a um ambiente bastante hostil.

A Lua vai colocar essa autonomia à prova

A ausência de atmosfera transforma a superfície lunar em um lugar complicado para computadores e sistemas eletrônicos.

Durante o período iluminado pelo Sol, as temperaturas podem subir drasticamente. O superaquecimento representa um risco especialmente importante porque os rovers precisam processar localmente as informações necessárias para navegar e tomar decisões.

Por isso, o plano prevê ciclos de atividade e descanso. Os veículos trabalharão durante determinados períodos e depois interromperão suas operações para permitir que seus sistemas esfriem.

Existe também um limite bastante claro para a missão.

Os rovers foram projetados para realizar seus experimentos durante as horas iluminadas de um único dia lunar, equivalente a aproximadamente duas semanas terrestres. Eles não foram concebidos para atravessar a longa e extremamente fria noite lunar.

É pouco tempo, mas suficiente para responder à principal pergunta da experiência: vários robôs conseguem cooperar autonomamente em outro mundo?

A resposta pode mudar muito mais do que a exploração da Lua.

O próximo passo é enviar equipes, não apenas robôs

A autonomia não é exatamente uma novidade nas missões espaciais.

O Perseverance, em Marte, já consegue identificar obstáculos e tomar diversas decisões de navegação sem precisar receber uma ordem humana para cada movimento. Essa independência é essencial porque a distância entre Marte e a Terra torna inviável controlar o veículo como um carrinho por controle remoto.

O CADRE pretende avançar em outra direção: autonomia coletiva.

Em vez de apenas permitir que um robô encontre seu caminho, o objetivo é demonstrar que vários veículos podem negociar tarefas, coordenar movimentos e realizar medições científicas distribuídas.

Essa diferença pode ser decisiva em missões futuras.

Uma equipe de pequenos robôs poderia se espalhar por uma região muito maior do que aquela alcançada por um único rover. Alguns poderiam entrar em terrenos considerados perigosos demais para astronautas, enquanto outros permaneceriam em posições seguras, mantendo comunicação e coletando dados simultaneamente.

O conceito também poderia chegar a Marte e a outros destinos onde esperar instruções humanas para cada decisão consome tempo precioso.

Durante décadas, os robôs espaciais funcionaram essencialmente como extensões das equipes na Terra. O CADRE quer testar algo diferente.

Os humanos continuarão escolhendo a missão.

Mas, pela primeira vez nesse tipo de demonstração lunar da Nasa, o caminho para cumpri-la poderá ficar, em grande parte, nas mãos das próprias máquinas.

[Fonte: Xataka]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados