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Tecnologia

Este “LEGO” chinês é diferente de tudo: depois de montado, ele começa a andar

Mais de 200 peças, dezenas de articulações e uma proposta incomum: transformar tecnologia robótica avançada em algo que qualquer entusiasta pode montar, programar e modificar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Montar um kit de peças e descobrir no final que você construiu um castelo ou um carro já é divertido. Agora imagine fazer o mesmo e, ao terminar, ter diante de você um robô quadrúpede capaz de andar, subir escadas e carregar objetos. Uma empresa chinesa decidiu levar a ideia de construção modular para um território muito mais tecnológico, criando uma máquina voltada não apenas para brincar, mas também para aprender e experimentar com robótica.

Mais de 200 peças para construir um robô de verdade

A ideia vem da chinesa Mirror Me Technology, que transformou parte da tecnologia usada em seus robôs quadrúpedes de alta performance em uma plataforma que pode ser montada pelo próprio usuário.

O resultado se chama Black Panther X.

O projeto chega desmontado e reúne mais de 200 módulos, incluindo 12 articulações motorizadas. A arquitetura foi pensada para permitir não apenas a montagem, mas também futuras modificações, com suporte para diferentes sensores e acessórios.

Apesar da aparência de kit de construção, não se trata exatamente de um brinquedo.

Depois de montado, o robô pode atingir até 4 metros por segundo, o equivalente a aproximadamente 14,4 km/h. Também é capaz de transportar cargas de até 8 quilos, superar degraus de até 18 centímetros e enfrentar inclinações de até 30 graus.

Suas 12 articulações de alto desempenho são responsáveis pelos movimentos. Segundo a fabricante, os atuadores podem alcançar até 33 Nm de torque e velocidades de 22 radianos por segundo.

E há ainda uma demonstração bastante peculiar: o Black Panther X consegue executar um giro lateral de 720 graus.

Ou seja, a experiência começa parecendo uma atividade de montagem, mas termina com uma máquina capaz de realizar movimentos que estão muito longe do que normalmente esperamos de um kit doméstico.

A graça está em poder desmontar tudo depois

A proposta mais interessante do Black Panther X talvez não seja sua velocidade.

É o fato de que a empresa não quer entregar uma máquina fechada.

A ideia é que o usuário participe da construção e entenda como funcionam sua estrutura, pernas, motores e articulações. Depois, também pode modificar o robô e experimentar novas configurações.

A própria Mirror Me compara o processo de montagem ao LEGO. A arquitetura modular foi desenvolvida para atender tanto iniciantes quanto estudantes, pesquisadores e desenvolvedores interessados em criar seus próprios projetos.

A plataforma também permite adicionar componentes externos. A empresa oferece arquivos para impressão 3D de novas carcaças e interfaces que podem ser utilizadas com câmeras FPV, iluminação, sistemas de vídeo e diferentes sensores.

Isso muda completamente a proposta.

O comprador não está simplesmente adquirindo um cachorro-robô. Está recebendo uma espécie de laboratório de robótica sobre quatro patas, que pode ser desmontado, reprogramado e transformado em outra coisa.

A tecnologia veio de robôs muito mais rápidos

O Black Panther X faz parte de uma família de projetos desenvolvidos dentro do ecossistema de pesquisa em robótica ligado à Universidade de Zhejiang.

Entre os responsáveis está Yongbin Jin, doutor pela instituição e criador da família Black Panther.

Antes do modelo destinado a entusiastas, a empresa havia chamado atenção com o Black Panther II, um quadrúpede experimental desenvolvido com foco em velocidade.

Segundo a Mirror Me, esse modelo chegou a registrar um pico de 13,4 metros por segundo, aproximadamente 48 km/h.

O Black Panther X segue uma filosofia diferente. Ele é muito mais lento, mas a intenção também é outra: colocar uma plataforma robótica avançada nas mãos de pessoas que querem aprender, programar e desenvolver novas aplicações.

Essa combinação ajuda a explicar por que o projeto despertou interesse entre estudantes, desenvolvedores e fãs de robótica.

O projeto chamou atenção antes mesmo de chegar às lojas

A campanha de financiamento coletivo do Black Panther X aconteceu entre março e abril de 2026.

A Mirror Me havia estabelecido uma meta de 250 mil dólares de Hong Kong. Ao final, arrecadou mais de 2,52 milhões de HKD, com 226 apoiadores — cerca de dez vezes o objetivo inicial.

Durante a fase de lançamento antecipado, a empresa chegou a anunciar uma oferta de US$ 999 para os primeiros 300 compradores. Esse valor, porém, correspondia à promoção inicial e não necessariamente ao preço comercial definitivo.

Atualmente, a fabricante informa em seu site que os pedidos estão abertos, embora não apresente de maneira clara um único preço de varejo na página principal.

O resultado é um produto difícil de encaixar em uma categoria tradicional.

Ele é sofisticado demais para ser apenas um brinquedo, mas foi pensado para preservar justamente uma das partes mais divertidas dos brinquedos de construção: abrir as peças, montar tudo e descobrir o que aquela estrutura é capaz de fazer.

A diferença é que, neste caso, quando a última peça finalmente entra no lugar, o “LEGO” ganha vida.

E pode sair correndo pela casa a mais de 14 km/h.

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