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Tecnologia

EUA freiam milhares de data centers após rejeição crescente da população

A expansão da inteligência artificial enfrenta um obstáculo inesperado nos Estados Unidos: comunidades preocupadas com energia, infraestrutura e impactos locais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os Estados Unidos estão descobrindo que a corrida pela inteligência artificial também tem um limite físico. Depois de anos incentivando a construção de enormes data centers, vários estados começaram a frear novos projetos diante da crescente resistência da população. No Texas, o governador Greg Abbott reconheceu que as próprias empresas do setor ajudaram a criar o problema. Enquanto isso, uma pesquisa mostra que 61% dos americanos não querem um desses complexos perto de casa.

Texas coloca até 1.800 projetos em espera

A Explosão Dos Data Centers Está Encontrando Resistência 75 Projetos Foram Interrompidos Em Apenas Três Meses E A Oposição Cresce Nos Estados Unidos
© Steve Jones for the Southern Environmental Law Center

Em entrevista à emissora americana ABC, Abbott afirmou que as empresas responsáveis pela expansão dos data centers “basicamente cavaram a própria cova”. Segundo o governador republicano, milhares de projetos enfrentam agora obstáculos devido à reação das comunidades locais.

A mudança de postura chama atenção porque, há poucos meses, o discurso era completamente diferente.

Em novembro de 2025, Abbott apresentava o Texas como o “epicentro do desenvolvimento da IA”. Na época, o governador anunciou ao lado do Google um investimento de US$ 40 bilhões em três grandes campus de servidores no estado.

Nove meses depois, o cenário mudou. Abbott determinou que reguladores estaduais analisem cada projeto antes de autorizar sua conexão à rede elétrica.

As empresas também terão que pagar integralmente pela infraestrutura necessária para suas operações. Além disso, o governador pediu a retirada gradual dos incentivos fiscais concedidos ao setor.

Segundo Abbott, as novas regras já interromperam até 1.800 projetos. Nem todos envolvem data centers, embora eles representem a maioria.

Consumo de energia virou uma das maiores preocupações

O crescimento acelerado dessas instalações está dificultando o planejamento da rede elétrica.

Abbott afirma que menos de 10% das empresas responderam a um pedido de informações destinado a calcular a futura demanda por eletricidade. Na prática, novos projetos surgem em uma velocidade que dificulta qualquer previsão de longo prazo.

Outro problema é a comunicação com as comunidades. Segundo o governador, empresas chegam a determinadas regiões sem explicar claramente o tamanho dos projetos, suas necessidades energéticas ou seus possíveis impactos locais.

Essa situação ajuda a explicar o aumento da rejeição.

Uma pesquisa recente do Annenberg Public Policy Center mostrou que 61% dos americanos são contrários à construção de um data center perto de suas casas. Em março, o índice era de 49%.

A oposição também ultrapassa divisões políticas. Entre democratas, chega a 69%. Entre republicanos, fica perto de 54%.

Rejeição aos data centers atravessa os EUA

Data Centers2
© Krzysztof Kowalik – Unsplash

O movimento não está restrito ao Texas.

Em Ohio, o ex-senador democrata Sherrod Brown investiu milhões em anúncios que apresentam seu adversário republicano Jon Husted como “a cara dos data centers”. Em Michigan, o republicano Mike Rogers passou a defender uma moratória de um ano para novos projetos.

Nova York aprovou uma moratória estadual de um ano. A Pensilvânia também endureceu suas condições em agosto, apesar de seu governador ter celebrado anteriormente um investimento de US$ 20 bilhões da Amazon no estado.

Até políticos de extremos diferentes concordam parcialmente sobre o assunto. Vivek Ramaswamy, candidato republicano ao governo de Ohio, defende uma pausa. Já Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez apresentaram uma proposta para congelar novas construções em nível federal.

EUA não podem simplesmente desligar a corrida da IA

Existe, porém, um enorme dilema. Os Estados Unidos dificilmente podem interromper completamente a construção dessas instalações.

Os investimentos em equipamentos de processamento de dados e software representam cerca de 4% do PIB americano e ajudam a sustentar o atual crescimento da indústria de inteligência artificial.

A questão também envolve a disputa tecnológica com a China. Ter capacidade computacional suficiente para treinar e operar modelos avançados tornou-se uma prioridade estratégica para Washington.

Os cinco maiores provedores de serviços em nuvem devem investir aproximadamente US$ 660 bilhões em infraestrutura neste ano, quase três vezes mais do que há dois anos.

A Casa Branca tenta, portanto, reduzir o conflito com as comunidades sem comprometer essa onda gigantesca de investimentos.

Donald Trump também entrou na discussão. Em entrevista a Michael Cohen, seu ex-advogado, o presidente afirmou que comunidades que rejeitam data centers estão cometendo um erro.

Segundo Trump, esses projetos geram empregos e movimentam grandes quantidades de dinheiro. Ele também rejeitou a ideia de que necessariamente prejudiquem a rede elétrica, argumentando que algumas empresas estão construindo suas próprias usinas de energia.

A expansão da IA nos Estados Unidos enfrenta, assim, uma contradição cada vez mais difícil de ignorar. O país quer liderar a corrida tecnológica mundial, mas os enormes centros necessários para alimentar essa revolução começam a encontrar resistência justamente nos lugares onde precisam ser construídos.

 

[ Fonte: El País ]

 

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