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Shein prepara IPO avaliado em US$ 27 bilhões — muito abaixo dos US$ 100 bilhões de 2022

Gigante da moda chegou a ser avaliada em US$ 100 bilhões durante seu auge. Mudanças nas regras comerciais dos EUA e prejuízos recentes ajudam a explicar a queda.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Shein já foi uma das empresas privadas mais valiosas do mundo. Impulsionada por roupas extremamente baratas e pelo crescimento explosivo das compras online, a companhia chegou a atingir uma avaliação de US$ 100 bilhões em 2022. Agora, enquanto se prepara para abrir seu capital, o cenário é bem diferente: seu IPO deve avaliar a empresa em cerca de US$ 27 bilhões.

Shein perdeu quase três quartos de seu valor desde 2022

No auge de sua expansão, a Shein parecia praticamente imparável.

Em 2022, uma rodada de investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões avaliou a companhia em impressionantes US$ 100 bilhões. Naquele momento, a empresa estava entre as startups mais valiosas do planeta.

Quatro anos depois, o número despencou.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, os planos para a abertura de capital consideram uma avaliação de aproximadamente US$ 27 bilhões.

Isso representa pouco mais de um quarto do valor alcançado pela empresa em seu auge.

A diferença de US$ 73 bilhões mostra como o cenário para a companhia mudou em poucos anos, especialmente depois de alterações nas políticas comerciais dos Estados Unidos.

De vestidos de casamento a gigante mundial da moda

A história da Shein começou de maneira bastante diferente.

Fundada em Nanquim, na China, em 2008, a empresa inicialmente estava concentrada na venda de vestidos de casamento. Atualmente, sua sede fica em Singapura, embora grande parte de sua cadeia produtiva continue ligada a fábricas na região de Guangzhou.

A companhia encontrou posteriormente um modelo de negócios muito mais lucrativo: vender enormes quantidades de roupas e acessórios a preços extremamente baixos diretamente pela internet.

A estratégia encontrou um público especialmente receptivo entre consumidores jovens.

Durante a década de 2010, a Shein ganhou espaço utilizando intensamente redes sociais como o Instagram para divulgar produtos, acompanhar tendências e alcançar consumidores.

Então veio a pandemia de Covid-19.

Com milhões de pessoas confinadas em casa e o comércio eletrônico disparando, a empresa cresceu rapidamente e se transformou em uma das maiores representantes mundiais do chamado ultra-fast fashion.

Mudança nos EUA atingiu o modelo da Shein

Parte importante da vantagem competitiva da Shein nos Estados Unidos estava ligada à chamada regra de minimis.

Durante anos, produtos importados abaixo de determinado valor podiam entrar no país com isenção de determinadas tarifas. Como a Shein enviava milhões de pacotes baratos diretamente aos consumidores, essa regra ajudava a manter seus preços extremamente baixos.

Em 2025, porém, o governo de Donald Trump eliminou essa isenção para produtos que utilizavam esse modelo de importação.

A mudança atingiu diretamente uma das principais vantagens da empresa no mercado americano.

Sem o mesmo benefício tarifário, tornou-se mais difícil oferecer produtos aos preços extremamente baixos que ajudaram a transformar a Shein em um fenômeno mundial.

Empresa registrou prejuízo de US$ 99 milhões

Os problemas também começaram a aparecer nos resultados financeiros.

No mês passado, a Shein informou um prejuízo trimestral de US$ 99 milhões.

A combinação de margens pressionadas, mudanças nas regras comerciais e um ambiente mais complicado para empresas chinesas e ligadas à China contribuiu para reduzir as expectativas dos investidores.

Ainda assim, US$ 27 bilhões continuam representando uma avaliação gigantesca. O contraste chama atenção principalmente quando comparado ao tamanho que o mercado imaginava que a empresa poderia alcançar poucos anos atrás.

Depois de EUA e Londres, IPO será em Hong Kong

A Shein passou anos tentando encontrar o melhor lugar para abrir seu capital.

A companhia inicialmente buscou uma listagem na Bolsa de Valores de Nova York. Posteriormente, também avaliou uma estreia na Bolsa de Londres.

Nenhuma das duas alternativas avançou como esperado.

A empresa finalmente decidiu realizar sua abertura de capital em Hong Kong, onde as ações devem começar a ser negociadas no início do próximo mês.

A estreia será um teste importante para descobrir quanto os investidores realmente estão dispostos a pagar pela Shein em sua nova fase.

A empresa que chegou a valer US$ 100 bilhões continua sendo uma gigante global da moda. Mas seu IPO mostra que os dias em que investidores enxergavam um crescimento praticamente ilimitado ficaram para trás.

 

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