Grande parte da internet mundial viaja por lugares que nunca vemos. No fundo dos oceanos, milhares de quilômetros de cabos de fibra óptica transportam mensagens, vídeos, serviços na nuvem e praticamente todo tipo de informação digital entre continentes. Agora, o Google pretende ampliar ainda mais essa gigantesca infraestrutura.
A empresa anunciou três novos sistemas de cabos submarinos: Alisios, Canoa e OlaLuz. Eles farão parte do Americas Connect, projeto criado para aumentar a capacidade, confiabilidade e resiliência das conexões digitais nas Américas.
A ideia é simples: criar mais caminhos para os dados. Assim, caso uma determinada rota apresente problemas, o tráfego poderá utilizar conexões alternativas.
Alisios vai conectar República Dominicana, Panamá e Chile
Google anuncia cable submarino que conectará a Chile con Panamá y República Dominicana
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— El Carrerino (@ElCarrerinocl) August 12, 2026
O primeiro dos novos sistemas será o Alisios, responsável por estabelecer uma conexão entre República Dominicana, Panamá e Chile.
Seu nome é inspirado nos ventos alísios, conhecidos por atravessar grandes regiões do planeta de maneira relativamente constante. O Google aproveitou essa referência para representar o fluxo de informações pela nova rota submarina.
A conexão terá papel importante principalmente na costa do Pacífico.
Combinada com outras infraestruturas, ela ajudará a criar um anel de conectividade entre Chile e Panamá, além de estabelecer uma rota adicional em direção à costa oeste dos Estados Unidos.
Essa arquitetura permitirá interligar regiões do Google Cloud localizadas no Chile, Los Angeles e Las Vegas.
Canoa criará uma nova rota em direção à Europa
O segundo cabo recebeu o nome de Canoa e conectará República Dominicana às Bermudas.
O nome vem da língua taína e faz referência à tradição marítima do Caribe e do Atlântico Norte.
Entretanto, sua importância vai muito além dessa conexão direta.
O sistema será combinado com os cabos Nuvem e Sol, permitindo criar rotas adicionais em direção aos Estados Unidos e à Europa. Entre os destinos conectados estará inclusive a região do Google Cloud localizada em Madri.
Essa configuração ajudará a criar uma rede mais diversificada para transportar informações entre diferentes continentes.
Em vez de depender de poucas rotas extremamente importantes, o tráfego poderá ser distribuído por diferentes caminhos.
OlaLuz ligará o Caribe diretamente à Flórida

O terceiro novo sistema será o OlaLuz, que estabelecerá uma conexão direta entre República Dominicana e Flórida.
O nome combina as palavras espanholas “ola”, que significa onda, e “luz”. A escolha faz referência ao funcionamento dos próprios cabos submarinos.
Embora pareçam enormes fios atravessando oceanos, esses sistemas utilizam fibras ópticas para transmitir informações através de pulsos luminosos.
A nova ligação deverá aumentar a capacidade de comunicação entre o Caribe e a costa leste dos Estados Unidos, adicionando mais uma rota para o tráfego digital da região.
Google também vai ampliar o cabo Firmina

Os três novos projetos não serão as únicas novidades.
O Google também pretende ampliar o Firmina, cabo submarino desenvolvido originalmente para conectar América do Norte e América do Sul.
Uma nova ramificação levará o sistema diretamente até a República Dominicana.
Com isso, o Caribe ganhará outra conexão de alta capacidade, reduzindo sua dependência de um número limitado de rotas internacionais.
Essa redundância é particularmente importante porque problemas em cabos submarinos podem afetar conexões de grandes regiões. Quanto maior o número de caminhos disponíveis, menor tende a ser o impacto provocado por uma interrupção específica.
Uma rede submarina para sustentar uma internet cada vez maior
Alisios, Canoa e OlaLuz fazem parte do Americas Connect, uma arquitetura desenvolvida pelo Google justamente para funcionar como uma rede de caminhos alternativos.
O objetivo não é apenas aumentar a velocidade disponível.
A empresa também busca melhorar a resiliência da infraestrutura digital, permitindo que os dados sejam redirecionados quando determinado caminho estiver indisponível ou congestionado.
Isso se torna ainda mais importante diante do crescimento dos serviços em nuvem, streaming, inteligência artificial e outras aplicações que movimentam enormes volumes de informações entre diferentes regiões do planeta.
A internet pode parecer cada vez mais sem fio para quem utiliza smartphones, notebooks e redes móveis. Porém, por trás dessa experiência existe uma infraestrutura extremamente física.
E uma parte cada vez maior dessa gigantesca “autoestrada” digital continuará escondida onde quase ninguém consegue vê-la: milhares de metros abaixo da superfície dos oceanos.
[ Fonte: 20 Minutos ]