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Fifa tenta conter crise após reação internacional e faz promessa sobre o futuro da Copa do Mundo

Após uma onda de críticas e ameaças de ruptura, a FIFA decidiu esclarecer um projeto que pode transformar a forma como o futebol movimenta bilhões de dólares nos próximos anos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma proposta apresentada pela FIFA abriu uma das maiores discussões recentes sobre o futuro do futebol mundial. O plano, que pretende reformular a estrutura comercial da entidade e atrair investimentos privados, provocou reações imediatas de importantes confederações e levantou dúvidas sobre quem realmente controlará as competições mais valiosas do esporte. Diante da repercussão, a entidade comandada por Gianni Infantino resolveu responder publicamente às críticas e detalhar seus próximos passos.

FIFA reage às críticas e nega qualquer intenção de vender o futebol

Fifa tenta conter crise após reação internacional e faz promessa sobre o futuro da Copa do Mundo
© Pexels

Depois de enfrentar uma forte oposição ao projeto que pretende reorganizar sua estrutura comercial, a FIFA publicou um comunicado oficial para rebater críticas e esclarecer pontos considerados distorcidos durante o debate.

A manifestação surgiu poucos dias após UEFA e Concacaf demonstrarem preocupação com a proposta, que prevê a criação de uma nova empresa responsável por administrar os ativos comerciais da entidade. As críticas rapidamente ganharam força porque o plano inclui a possibilidade de receber investimentos privados em uma parcela minoritária da operação.

Segundo a FIFA, parte da discussão foi influenciada por informações incorretas divulgadas na imprensa, o que teria comprometido o processo de consulta entre as federações nacionais.

Por isso, a entidade afirmou que continuará ouvindo suas 211 associações filiadas antes de qualquer decisão definitiva. O objetivo, segundo o comunicado, é garantir que cada membro possa analisar o projeto com base em informações oficiais e participar democraticamente da votação.

A organização também respondeu diretamente às manifestações da UEFA ao afirmar que nenhuma confederação representa, sozinha, todas as associações filiadas espalhadas pelo mundo.

O ponto mais enfático do comunicado foi uma tentativa de afastar o principal temor gerado desde o anúncio do projeto. A FIFA afirmou que jamais cogitou vender o futebol e insistiu que a governança da entidade permanecerá integralmente sob seu controle.

Além disso, reforçou que, caso a maioria das federações rejeite a proposta, absolutamente nada mudará na estrutura comercial atual.

O que prevê a criação da FIFA Forward Enterprise

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© Pexels

No centro da discussão está a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa que concentraria praticamente todas as operações comerciais da entidade.

Caso seja aprovada, a nova companhia administrará direitos de transmissão, contratos de patrocínio, venda de ingressos, licenciamento de produtos e a organização operacional das principais competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo.

A entidade afirma que a FFE continuará pertencendo à própria FIFA e permanecerá permanentemente sob seu controle. A abertura ao mercado ocorreria apenas por meio da venda de participações minoritárias para investidores externos, sem qualquer poder para interferir nas decisões esportivas ou institucionais.

Outro ponto apresentado pela entidade envolve a distribuição dos recursos arrecadados. Segundo o projeto, todas as 211 associações nacionais receberiam uma ampliação significativa dos investimentos destinados ao desenvolvimento do futebol em seus respectivos países.

A proposta prevê que cada federação tenha direito a US$ 20 milhões em recursos do programa FIFA Forward entre 2027 e 2030, independentemente de apoiar ou não a iniciativa.

Também foi anunciado um novo mecanismo chamado FIFA Fast Forward Programme. Caso a FFE seja aprovada, o programa poderá liberar outros US$ 20 milhões extras para cada associação participante, em caráter totalmente voluntário.

De acordo com a FIFA, esses recursos adicionais seriam financiados por investimentos externos e por uma gestão comercial mais eficiente, sem alterar a estrutura de governança da organização.

Resistência cresce entre confederações e amplia debate internacional

Apesar das garantias oferecidas pela FIFA, a proposta encontrou resistência imediata entre algumas das entidades mais influentes do futebol mundial.

A UEFA foi uma das primeiras a manifestar oposição ao projeto e chegou a anunciar que poderia retirar suas seleções das competições organizadas pela FIFA caso o modelo avançasse da forma inicialmente apresentada.

A Concacaf adotou posição semelhante. Em documento oficial, a confederação rejeitou tanto a criação da nova empresa quanto a venda de participação nos direitos comerciais das competições.

Além da crítica ao modelo de investimentos privados, as federações defenderam que a FIFA utilize suas próprias reservas financeiras, avaliadas em bilhões de dólares, para ampliar os programas de desenvolvimento, evitando recorrer ao mercado para financiar novas iniciativas.

Mesmo diante desse cenário, Gianni Infantino mantém a proposta em discussão.

Segundo estimativas divulgadas pela própria entidade, a FIFA Forward Enterprise poderia gerar aproximadamente US$ 4,2 bilhões apenas em receitas durante um único ano. Além disso, a organização projeta arrecadar mais de US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos para ampliar investimentos no futebol mundial.

Entretanto, outro fator aumentou ainda mais a polêmica. Diversos veículos internacionais informaram que uma das empresas interessadas em adquirir participação na futura companhia estaria ligada à família Trump, relação que ganhou atenção após a proximidade demonstrada entre Donald Trump e Gianni Infantino durante eventos recentes da FIFA.

Enquanto o debate continua, a criação da FFE dependerá da aprovação da maioria das 211 associações nacionais. Até lá, o futuro do maior projeto comercial já apresentado pela FIFA permanece em aberto.

[Fonte: TN]

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