Uma conferência sobre o futuro das operações militares norte-americanas foi marcada por protestos em Washington. Enquanto o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, apresentava os planos do Pentágono para ampliar o uso de drones e tecnologias autônomas, manifestantes interromperam sua participação com críticas à guerra contra o Irã e à situação humanitária na Faixa de Gaza. Os episódios provocaram a intervenção dos seguranças.
Protestos interrompem conferência militar em Washington
O incidente ocorreu na passada quarta-feira, 14 de outubro de 2026, durante a reunião anual da Associação do Exército dos Estados Unidos (AUSA), um dos principais encontros do setor militar norte-americano.
Hegseth participava de um painel ao lado de autoridades das Forças Armadas quando manifestantes começaram a gritar críticas à política externa do governo de Donald Trump.
Segundo a reportagem do Defense News, seis pessoas interromperam diferentes momentos da apresentação.
Os participantes acusaram o secretário de responsabilidade política pelas operações militares e denunciaram o sofrimento da população civil em Gaza. Uma manifestante afirmou que crianças estavam passando fome no território palestino.
Outros participantes exibiram mensagens contrárias à guerra com o Irã.
As acusações dirigidas a Hegseth representam as posições dos manifestantes, não conclusões judiciais sobre sua responsabilidade pessoal.
Seguranças retiram manifestantes enquanto Hegseth reage
As interrupções aconteceram principalmente durante a primeira parte do encontro.
Agentes de segurança retiraram os manifestantes do auditório, permitindo que o painel continuasse.
Hegseth inicialmente reagiu com comentários irônicos. Em determinado momento, respondeu a uma das participantes sugerindo, sarcasticamente, que ela tinha uma opinião favorável a seu respeito.
Mais tarde, afirmou que os protestos pareciam coordenados e voltou a defender as prioridades militares da administração Trump.
Vídeos divulgados pela Associated Press registraram as interrupções e a retirada de participantes.
Gaza e Irã entram no centro do debate militar

Embora os protestos tenham destacado a crise humanitária em Gaza, o encontro tinha como objetivo discutir o desenvolvimento de novas capacidades militares.
Hegseth apresentou argumentos em defesa da modernização das Forças Armadas, incluindo investimentos em inteligência artificial, robótica e armamentos autônomos.
O secretário também reafirmou a posição do governo norte-americano de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, uma das justificativas utilizadas pela administração Trump para suas operações militares.
Durante o evento, defendeu investimentos de aproximadamente US$ 1,5 trilhão em defesa e destacou a necessidade de acelerar a produção de equipamentos militares.
As declarações ocorreram em meio a divergências sobre a política externa dos Estados Unidos e seus impactos humanitários.
O que estava sendo discutido na conferência?
Um dos temas centrais era o Projeto Agincourt, iniciativa do Pentágono destinada a acelerar o desenvolvimento e a utilização de sistemas militares autônomos.
O programa envolve tecnologias como drones, robôs e ferramentas capazes de ampliar a capacidade operacional das tropas.
Segundo a cobertura da conferência, Hegseth defendeu a redução de obstáculos burocráticos para que novos equipamentos cheguem mais rapidamente aos militares.
O episódio mostrou como discussões sobre inovação tecnológica e investimentos em defesa também podem se tornar espaços de contestação política.
Apesar das interrupções, a conferência prosseguiu, mantendo na pauta tanto a modernização militar quanto as críticas públicas às ações internacionais dos Estados Unidos.