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Freiras viram fenômeno online e desafiam Igreja na Áustria

Uma fuga improvável, três freiras na casa dos 80 anos e quase 100 mil seguidores no Instagram. A história que começou como um protesto silencioso virou um fenômeno global — e agora coloca Igreja Católica e internet em rota de colisão. Descubra por que as religiosas austríacas se tornaram virais e por que seu futuro ainda é incerto.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A fuga que virou hit nas redes sociais

Três freiras austríacas — irmã Bernadette (88 anos), irmã Regina (86) e irmã Rita (82) — se tornaram protagonistas de um drama nada convencional. Internadas em uma casa de repouso contra a própria vontade, elas decidiram fugir em setembro e voltar para o convento onde viveram por décadas. E não voltaram sozinhas: ex-alunos ajudaram na operação e até um chaveiro precisou ser chamado.

O que ninguém esperava é que essa história renderia milhares de seguidores. Vídeos do dia a dia das religiosas — orações, almoços e até exercícios com luvas de boxe da irmã Rita — viralizaram rapidamente. Em poucas semanas, o trio se transformou em um fenômeno online, com quase 100 mil fãs no Instagram e milhares no Facebook.

Mas essa repentina fama digital virou problema.

A Igreja reage e impõe condições duras

Freiras viram fenômeno online e desafiam Igreja na Áustria
© https://x.com/sn_aktuell/

O retorno das freiras ao convento irritou autoridades da Igreja. O superior responsável por elas, Markus Grasl, classificou a decisão como “incompreensível” e exigiu que retornassem à casa de repouso. O impasse se arrasta há quase três meses.

Agora, depois de uma reunião, a Igreja decidiu permitir que as freiras continuem no convento — mas só sob condições rígidas. A principal delas: abandonar completamente as redes sociais. Nada de vídeos, nada de seguidores, nada de fama online.

Além disso, a Igreja quer restringir a entrada de visitantes no convento, que vinha sendo frequentado por apoiadores. Em troca, as irmãs receberiam assistência médica e espiritual no local, mantendo o direito de permanecer onde sempre viveram.

A decisão final está nas mãos delas. Até o momento, as religiosas não informaram se vão aceitar.

Um convento com história — e celebridades

O convento Goldenstein tem uma longa trajetória. Instalado no castelo Schloss Goldenstein, virou escola para meninas em 1877 e funciona até hoje. Foi lá que Bernadette estudou após chegar em 1948. E a lista de ex-alunas inclui ninguém menos que Romy Schneider, uma das maiores estrelas do cinema europeu nas décadas de 1960 e 1970.

Regina ingressou no convento em 1958; Rita, em 1962. As três deram aulas por anos, e Regina chegou a ser diretora. Mas o número de freiras foi caindo. Em 2022, o controle do convento passou à Arquidiocese de Salzburgo e à Abadia de Reichersberg. A comunidade religiosa foi dissolvida oficialmente em 2024, e as irmãs receberam permissão para permanecer ali enquanto tivessem boa saúde.

A decisão de enviá-las à casa de repouso no fim de 2023, porém, foi o estopim de todo o conflito.

O que as freiras querem — e o que pode acontecer agora

As três religiosas deixaram claro que preferem ficar onde viveram quase toda a vida. Em entrevista à BBC, irmã Bernadette foi direta:

“Antes que eu morra naquela casa de idosos, prefiro ir para uma campina e entrar na eternidade desta forma.”

A frase inflamou ainda mais seus apoiadores e ajudou a impulsionar o caso nas redes sociais — um ponto que a Igreja tenta justamente apagar.

Por enquanto, tudo depende da resposta delas às exigências. Vão abrir mão da fama online para permanecer no convento? Ou vão enfrentar a hierarquia mais uma vez?

Para onde essa história vai?

O caso das freiras austríacas virou um espelho de temas que adoramos acompanhar: tradição versus internet, resistência versus autoridade, fé versus viralização. Seja qual for o desfecho, a história já entrou para o folclore digital — e mostra como até a vida monástica pode virar trending topic.

Resta saber: elas vão escolher silêncio… ou seguidores?

[Fonte: Correio Braziliense]

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