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Furacão Melissa ameaça 1,5 milhão de pessoas na Jamaica e deve causar destruição sem precedentes no Caribe

A Cruz Vermelha alerta para o impacto “massivo” do ciclone, que já é considerado o mais poderoso da história jamaicana. Ventos de até 350 km/h e chuvas três vezes acima da média mensal colocam em risco milhões de pessoas em toda a região.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O furacão Melissa, que avança pelo Caribe com força máxima, pode atingir 1,5 milhão de pessoas somente na Jamaica, segundo estimativas da Federação Internacional da Cruz Vermelha (IFRC). A organização descreve o fenômeno como “o furacão do século” e alerta para um impacto devastador que também deve afetar Cuba, Bahamas, República Dominicana e Haiti.

Um país em alerta máximo

A Jamaica nunca havia enfrentado um ciclone dessa magnitude. As autoridades locais abriram mais de 800 abrigos para acolher moradores em áreas de risco, enquanto reforçam as ações de evacuação. A Cruz Vermelha alerta que o número de afetados pode ser ainda maior, pois comunidades inteiras poderão ficar isoladas e infraestruturas essenciais, como energia, água e comunicações, correm o risco de colapso.

“Estamos diante de um desastre sem precedentes”, afirmou Necephor Mghendi, chefe da delegação da IFRC para o Caribe de língua inglesa e holandesa, em entrevista coletiva realizada a partir de Trinidad e Tobago.

Solidariedade internacional e ajuda emergencial

A Organização das Nações Unidas também se prepara para intervir. Segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório de Coordenação Humanitária da ONU, o foco inicial após a passagem de Melissa será salvar vidas e garantir acesso a alimentos, água potável, abrigo e atendimento médico.

Ele ressaltou que a ajuda internacional será crucial nas próximas semanas, tanto para as operações de resgate quanto para a reconstrução das áreas destruídas. Em Cuba, por exemplo, o governo já começou a receber alimentos, itens de higiene e produtos para purificação de água, especialmente nas províncias do leste, que devem ser as primeiras afetadas.

Ventos de 350 km/h e chuva três vezes acima da média

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o furacão Melissa já registra ventos sustentados de 280 km/h, com rajadas que podem chegar a 350 km/h. Dentro do olho do furacão, os meteorologistas preveem “destruição estrutural total”.

As chuvas também devem ser históricas: entre 350 e 750 milímetros em algumas regiões da Jamaica — o equivalente a três vezes o volume médio mensal. Essa intensidade pode causar enchentes repentinas e deslizamentos de terra de grandes proporções, segundo a especialista em ciclones tropicais da OMM, Anne Claire Fontan.

A situação é agravada pela previsão de uma maré ciclônica mortal, com ondas de até quatro metros de altura na costa sul da Jamaica.

Melissa mantém categoria máxima

Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), o furacão se encontra a cerca de 215 km ao sudeste de Kingston, capital jamaicana, e 500 km ao sudoeste de Guantánamo, Cuba. Melissa mantém categoria 5 na escala Saffir-Simpson, o nível mais alto, associado a danos catastróficos e ameaças diretas à vida.

Embora o Aeroporto Internacional Norman Manley, em Kingston, ainda opere parcialmente, já foram registrados ventos de 65 km/h e rajadas de 83 km/h. As autoridades aéreas e marítimas anunciaram a suspensão de voos e transporte marítimo até segunda ordem.

A rota da devastação

De acordo com as projeções do NHC, o centro do furacão atingirá diretamente a Jamaica ainda hoje, movendo-se depois em direção ao sudeste de Cuba na manhã de quarta-feira e alcançando o centro das Bahamas até o fim do dia.

A previsão indica que condições de tempestade tropical já começam a ser sentidas em Cuba, com avanço para o Haiti nas próximas horas. Para quarta-feira, há expectativa de condições de furacão em todo o arquipélago das Bahamas.

O impacto de Melissa deve deixar um rastro de destruição, mas também servirá como alerta para a região caribenha sobre a intensificação dos ciclones tropicais em um contexto de aquecimento global crescente.

 

[ Fonte: DW ]

 

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