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Gianni Infantino admite “erros” após plano polêmico na FIFA, mas uma reunião no Marrocos define seu futuro

Uma proposta envolvendo investidores privados, milhões de dólares e os principais torneios do futebol provocou uma crise dentro da FIFA. Infantino pediu desculpas, mas recebeu uma resposta decisiva.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma das maiores crises internas recentes da FIFA colocou Gianni Infantino sob forte pressão. O presidente da entidade viu uma proposta envolvendo capital privado provocar críticas da UEFA e até de integrantes da própria organização. Depois de convocar uma reunião extraordinária no Marrocos, ele reconheceu que houve erros na condução do processo. O encontro, porém, terminou com uma decisão importante sobre sua permanência no comando do futebol mundial.

Uma proposta envolvendo os Mundiais colocou Infantino no centro da crise

Gianni Infantino admite “erros” após plano polêmico na FIFA, mas uma reunião no Marrocos define seu futuro
© YouTube

Gianni Infantino continuará como presidente da FIFA apesar da controvérsia provocada por um projeto que pretendia abrir espaço para investidores privados em competições administradas pela entidade.

Diante do crescimento das críticas, Infantino convocou integrantes da direção para uma reunião no escritório africano da FIFA, em Rabat, no Marrocos.

O encontro aconteceu nesta quarta-feira e teve como principal objetivo discutir a chamada FIFA Forward Enterprise (FFE), proposta que acabou sendo abandonada após provocar forte resistência.

A dimensão da crise ficou evidente pela demora da própria entidade em divulgar uma posição oficial. Somente cerca de quatro horas após o término da reunião foi publicado um comunicado confirmando apoio ao presidente.

A FFE previa a criação de uma nova subsidiária capaz de receber investimentos privados relacionados aos torneios da FIFA, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.

Um dos elementos mais controversos envolvia uma oferta financeira às federações nacionais.

Segundo as informações divulgadas, Infantino teria oferecido US$ 40 milhões a cada associação caso elas apoiassem a proposta de entrada de capital privado nas competições.

A FIFA possui 211 associações filiadas, o que ajuda a dimensionar o alcance político e financeiro da iniciativa.

O plano, entretanto, acabou produzindo o efeito contrário ao esperado.

UEFA falou em acordo “opaco” e críticas surgiram dentro da própria FIFA

Gianni Infantino admite “erros” após plano polêmico na FIFA, mas uma reunião no Marrocos define seu futuro
© YouTube

A reação mais dura veio da UEFA, responsável pelo futebol europeu.

A entidade afirmou no fim de semana que havia perdido a confiança em Infantino e descreveu a proposta como um acordo pouco transparente, desenvolvido sem a participação adequada das partes que seriam diretamente afetadas.

Mas a oposição não ficou restrita às organizações externas.

Dentro da própria FIFA também surgiram questionamentos sobre a maneira como a FFE havia sido conduzida. Entre os críticos estava Mattias Grafström, secretário-geral da entidade e uma das figuras mais importantes de sua estrutura administrativa.

Em um memorando interno enviado aos funcionários na terça-feira, Grafström classificou a sequência de acontecimentos como lamentável e reprovável.

Sua presença na reunião realizada no dia seguinte em Rabat tornou-se, portanto, especialmente significativa.

Depois do encontro, porém, o cenário mudou.

Grafström e os integrantes da direção reafirmaram publicamente seu apoio a Infantino como presidente. Os dois também assinaram uma carta enviada aos vice-presidentes, ao Conselho e às 211 associações filiadas.

No documento, apresentaram suas “sinceras desculpas” pelos erros cometidos e assumiram o compromisso de impedir que uma situação semelhante volte a acontecer.

Após a reunião, Infantino e Grafström ainda foram fotografados juntos durante uma partida da Copa Africana de Nações Feminina, também em Rabat.

O gesto ganhou uma dimensão simbólica diante das divergências que haviam surgido poucos dias antes.

A FIFA reconheceu que o processo deveria ter sido conduzido de outra maneira

No comunicado divulgado após o encontro, a FIFA admitiu oficialmente a existência de erros relacionados à FIFA Forward Enterprise.

A organização reconheceu que o Conselho e as associações nacionais acabaram se sentindo excluídos das discussões, embora tenha afirmado que essa nunca teria sido a intenção dos responsáveis pela proposta.

Também houve uma admissão considerada importante: todo o processo deveria ter sido conduzido de maneira diferente.

A controvérsia se tornou pública depois que informações sobre o projeto chegaram à imprensa. O jornal britânico The Times revelou detalhes do plano de Infantino em 28 de julho, desencadeando uma sucessão de críticas e questionamentos.

A FIFA também reconheceu que houve falhas na forma como a organização reagiu depois do vazamento.

Apesar das desculpas e do abandono da FFE, a entidade adotou um tom mais duro em outra parte do comunicado.

A organização afirmou que não aceitará novos ataques contra sua integridade, seus procedimentos de governança e seu devido processo. Também indicou que poderá tomar as medidas consideradas necessárias para proteger seu nome e sua reputação.

Infantino permanece no cargo, mas a crise deixa uma questão maior para a FIFA

O resultado mais imediato da reunião em Rabat é claro: Gianni Infantino permanece na presidência da FIFA e, pelo menos formalmente, recuperou o respaldo dos principais dirigentes da organização.

Isso não significa, entretanto, que a controvérsia tenha desaparecido.

A proposta colocou novamente no centro do debate uma questão sensível para o futebol internacional: até onde investidores privados podem participar economicamente das competições administradas pela FIFA?

Copas do Mundo estão entre os eventos esportivos mais valiosos do planeta. Qualquer mudança em sua estrutura comercial pode movimentar bilhões de dólares e afetar federações, patrocinadores, emissoras e seleções.

Por isso, a forma como decisões desse porte são discutidas internamente pode ser tão importante quanto o próprio conteúdo das propostas.

Infantino reconheceu erros, a FFE foi descartada e a direção decidiu manter seu apoio ao presidente. Mas a intensidade da reação da UEFA e das críticas internas mostrou que o episódio ultrapassou uma simples divergência administrativa.

A reunião no Marrocos encerrou, por enquanto, a discussão sobre a permanência de Infantino. O debate sobre dinheiro privado, transparência e poder dentro da FIFA, porém, provavelmente está longe de terminar.

[Fonte: BBC]

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