As ondas de calor estão se tornando cada vez mais intensas em diversas partes do mundo, e o norte da África não é exceção. Diante desse cenário, o Marrocos iniciou um plano de renovação urbana que pretende transformar a forma como suas cidades enfrentam as altas temperaturas. Em municípios como Marrakech e Agadir, o tradicional asfalto preto começa a dar lugar a pavimentos permeáveis e porosos, capazes de absorver a água da chuva e contribuir para o resfriamento do ambiente.
A proposta vai além da simples troca de revestimento. O novo material permite que a água infiltre no solo em vez de ser direcionada rapidamente para a rede de drenagem, ajudando a manter a umidade do terreno e reduzindo o calor acumulado nas ruas durante os dias mais quentes.
Como funciona o novo pavimento

O asfalto convencional é impermeável. Quando chove, praticamente toda a água escorre para os sistemas de drenagem, enquanto a superfície escura absorve grande parte da radiação solar, acumulando calor ao longo do dia.
Já o pavimento adotado pelo Marrocos apresenta uma estrutura porosa que permite a infiltração gradual da água no solo. Esse processo mantém a umidade subterrânea por mais tempo e favorece a evaporação natural, que ajuda a reduzir a temperatura da superfície e do ar ao redor.
Na prática, o solo passa a funcionar como um regulador térmico, diminuindo o aquecimento excessivo das áreas urbanas.
Menos calor e menor risco de alagamentos

Além de contribuir para o resfriamento das cidades, o pavimento permeável oferece outras vantagens importantes.
Uma delas é a redução do risco de enchentes. Como parte da água da chuva é absorvida pelo solo, diminui o volume que chega rapidamente às galerias pluviais durante temporais.
Outro benefício é a mitigação do chamado efeito de ilha de calor, fenômeno comum em grandes centros urbanos, onde o concreto e o asfalto acumulam energia solar durante o dia e liberam esse calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas.
Com maior infiltração de água e evaporação constante, o novo revestimento ajuda a amenizar esse efeito.
Reaproveitamento de água também faz parte da estratégia
Outro diferencial do projeto é o uso de águas residuais tratadas para manter a umidade do solo em determinados locais.
Essa prática potencializa o efeito de resfriamento sem aumentar significativamente o consumo de água potável, um recurso especialmente valioso em regiões sujeitas à escassez hídrica.
Ao manter o pavimento úmido por mais tempo, a evaporação ocorre de forma contínua, contribuindo para criar um microclima mais agradável nas áreas urbanas.
Cidades mais eficientes energeticamente
Os benefícios também podem chegar ao consumo de energia.
Com ruas e espaços públicos menos aquecidos, a temperatura dos edifícios próximos tende a diminuir, reduzindo a necessidade de utilizar aparelhos de ar-condicionado durante os períodos mais quentes.
Embora o impacto varie conforme o projeto urbano e as condições climáticas locais, especialistas consideram esse tipo de infraestrutura uma ferramenta importante para aumentar a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.
Uma tendência que pode ganhar espaço em outros países
O Marrocos não é o único país a investir em soluções urbanas para enfrentar o calor extremo. Diversas cidades ao redor do mundo estudam alternativas como pavimentos frios, telhados refletivos, aumento das áreas verdes e sistemas de drenagem sustentável.
A substituição gradual do asfalto convencional por materiais permeáveis faz parte desse conjunto de estratégias, que busca tornar os centros urbanos mais confortáveis, reduzir os impactos das ondas de calor e melhorar a gestão das águas pluviais.
Se os resultados observados em cidades como Marrakech e Agadir forem positivos, a experiência marroquina poderá servir de referência para outras regiões que enfrentam verões cada vez mais intensos. Em um cenário de aquecimento global, soluções capazes de reduzir a temperatura das cidades e melhorar o aproveitamento da água tendem a ganhar cada vez mais importância no planejamento urbano das próximas décadas.
[ Fonte: Diario Ok ]