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Marrocos substitui o asfalto tradicional por um pavimento que reduz o calor e absorve a água da chuva

Cidades marroquinas começaram a trocar o asfalto convencional por pavimentos permeáveis capazes de infiltrar a água da chuva e reduzir a temperatura urbana. A iniciativa busca combater as ondas de calor, diminuir o efeito de ilha de calor e tornar os centros urbanos mais resilientes às mudanças climáticas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As ondas de calor estão se tornando cada vez mais intensas em diversas partes do mundo, e o norte da África não é exceção. Diante desse cenário, o Marrocos iniciou um plano de renovação urbana que pretende transformar a forma como suas cidades enfrentam as altas temperaturas. Em municípios como Marrakech e Agadir, o tradicional asfalto preto começa a dar lugar a pavimentos permeáveis e porosos, capazes de absorver a água da chuva e contribuir para o resfriamento do ambiente.

A proposta vai além da simples troca de revestimento. O novo material permite que a água infiltre no solo em vez de ser direcionada rapidamente para a rede de drenagem, ajudando a manter a umidade do terreno e reduzindo o calor acumulado nas ruas durante os dias mais quentes.

Como funciona o novo pavimento

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© Pexels

O asfalto convencional é impermeável. Quando chove, praticamente toda a água escorre para os sistemas de drenagem, enquanto a superfície escura absorve grande parte da radiação solar, acumulando calor ao longo do dia.

Já o pavimento adotado pelo Marrocos apresenta uma estrutura porosa que permite a infiltração gradual da água no solo. Esse processo mantém a umidade subterrânea por mais tempo e favorece a evaporação natural, que ajuda a reduzir a temperatura da superfície e do ar ao redor.

Na prática, o solo passa a funcionar como um regulador térmico, diminuindo o aquecimento excessivo das áreas urbanas.

Menos calor e menor risco de alagamentos

Clima Pode Afetar Terremotos1
© FreePik

Além de contribuir para o resfriamento das cidades, o pavimento permeável oferece outras vantagens importantes.

Uma delas é a redução do risco de enchentes. Como parte da água da chuva é absorvida pelo solo, diminui o volume que chega rapidamente às galerias pluviais durante temporais.

Outro benefício é a mitigação do chamado efeito de ilha de calor, fenômeno comum em grandes centros urbanos, onde o concreto e o asfalto acumulam energia solar durante o dia e liberam esse calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas.

Com maior infiltração de água e evaporação constante, o novo revestimento ajuda a amenizar esse efeito.

Reaproveitamento de água também faz parte da estratégia

Outro diferencial do projeto é o uso de águas residuais tratadas para manter a umidade do solo em determinados locais.

Essa prática potencializa o efeito de resfriamento sem aumentar significativamente o consumo de água potável, um recurso especialmente valioso em regiões sujeitas à escassez hídrica.

Ao manter o pavimento úmido por mais tempo, a evaporação ocorre de forma contínua, contribuindo para criar um microclima mais agradável nas áreas urbanas.

Cidades mais eficientes energeticamente

Os benefícios também podem chegar ao consumo de energia.

Com ruas e espaços públicos menos aquecidos, a temperatura dos edifícios próximos tende a diminuir, reduzindo a necessidade de utilizar aparelhos de ar-condicionado durante os períodos mais quentes.

Embora o impacto varie conforme o projeto urbano e as condições climáticas locais, especialistas consideram esse tipo de infraestrutura uma ferramenta importante para aumentar a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.

Uma tendência que pode ganhar espaço em outros países

O Marrocos não é o único país a investir em soluções urbanas para enfrentar o calor extremo. Diversas cidades ao redor do mundo estudam alternativas como pavimentos frios, telhados refletivos, aumento das áreas verdes e sistemas de drenagem sustentável.

A substituição gradual do asfalto convencional por materiais permeáveis faz parte desse conjunto de estratégias, que busca tornar os centros urbanos mais confortáveis, reduzir os impactos das ondas de calor e melhorar a gestão das águas pluviais.

Se os resultados observados em cidades como Marrakech e Agadir forem positivos, a experiência marroquina poderá servir de referência para outras regiões que enfrentam verões cada vez mais intensos. Em um cenário de aquecimento global, soluções capazes de reduzir a temperatura das cidades e melhorar o aproveitamento da água tendem a ganhar cada vez mais importância no planejamento urbano das próximas décadas.

 

[ Fonte: Diario Ok ]

 

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