A proposta, apoiada pelo governo do premiê Kyriákos Mitsotákis, do partido conservador Nova Democracia, permite que trabalhadores atuem por até 13 horas diárias em determinadas situações — algo inédito no país desde a criação de sua legislação moderna.
Pelas novas regras, o funcionário pode trabalhar para o mesmo empregador 13 horas por dia em até 37 dias por ano. Em troca, ele receberá um acréscimo de 40% no salário. O governo defende que a medida é “voluntária” e que moderniza o mercado de trabalho.
Mas a oposição vê o contrário: sindicatos e o partido de esquerda Syriza classificaram a proposta como “digna da Idade Média”, acusando o governo de desmontar direitos históricos da classe trabalhadora.
Greves, protestos e desgaste político

A aprovação veio após dois dias de debates intensos no Parlamento e duas greves gerais em setembro, organizadas por sindicatos contrários à reforma. As manifestações tomaram as ruas de Atenas e outras cidades, com milhares de trabalhadores denunciando que a medida “normaliza a exaustão” e favorece o abuso patronal.
Segundo dados do Eurostat, os gregos já estão entre os europeus que mais trabalham: são 39,8 horas semanais, contra 35,8 na média da União Europeia. A oposição afirma que aumentar ainda mais essa carga coloca o país em rota de colisão com as diretrizes europeias de bem-estar e saúde mental.
O novo dilema grego
A medida reacende um velho dilema: crescimento econômico a qualquer custo ou qualidade de vida? O governo promete mais flexibilidade para empresas e ganhos salariais, enquanto críticos alertam para o risco de exploração disfarçada de “voluntariedade”.
De um jeito ou de outro, a Grécia volta a ser palco de um debate que o resto do mundo acompanha de perto — o de quanto tempo vale, afinal, um dia de trabalho.
[Fonte: Terra]