O mercado de arrendamento em Portugal continua em ebulição. Os dados mais recentes da plataforma Idealista mostram que, entre abril e junho de 2025, cada casa colocada no mercado de aluguel recebeu em média 17 candidatos. Apesar de representar uma queda significativa em relação ao ano anterior — quando a média foi de 32 interessados —, o número ainda demonstra uma procura muito acima da oferta disponível.
A pressão sobre o mercado de arrendamento

De acordo com a Idealista, o custo médio dos aluguéis subiu 3,5% no segundo trimestre de 2025. Embora esse aumento seja mais moderado do que em anos anteriores, os valores continuam a ser considerados “inacessíveis para grande parte da população portuguesa”, segundo Rubén Marques, porta-voz da plataforma.
O especialista explica que a diminuição no número médio de interessados não indica uma perda de interesse das famílias, mas sim uma maior dispersão da oferta. “A procura continua elevada, mas há hoje mais imóveis disponíveis para arrendar do que no ano passado”, afirmou.
Portalegre lidera a corrida por habitação
Entre todas as cidades portuguesas, Portalegre destacou-se com a maior pressão sobre os anúncios de aluguel: cada imóvel anunciado recebeu, em média, 53 contatos. A lista das localidades mais procuradas inclui ainda Faro (33), Évora (32), Ponta Delgada (30), Santarém, Leiria e Setúbal (27 cada uma), Funchal e Guarda (25).
Já as cidades com menor procura foram Viseu (18), Aveiro (15), Braga (14), Lisboa (14) e Viana do Castelo (13). Os números mais baixos foram registados em Coimbra (7) e no Porto (8), reflexo da maior oferta de imóveis disponíveis nesses centros urbanos.
Queda e exceções na procura
Em comparação com 2024, várias cidades registaram uma forte queda na procura: Coimbra (-73%), Porto (-62%), Viseu (-56%), Bragança (-51%) e Lisboa (-49%). Apenas duas cidades destoaram da tendência nacional: Guarda, com um aumento de 40% nos contatos, e Funchal, com crescimento de 7%.
Essas exceções revelam que, em alguns mercados regionais, a procura não apenas se manteve como aumentou, sinalizando desequilíbrios específicos na oferta de habitação.
Lisboa e Porto: preços continuam em alta
Lisboa mantém-se como a capital mais cara para viver em Portugal. Segundo dados de maio de 2025 citados pela SIC Notícias, o preço médio de uma habitação na cidade é de 650 mil euros.
No norte do país, o Porto surge como a cidade com maior valorização imobiliária, com preços médios de 395 mil euros. Braga e Aveiro aparecem logo a seguir, com valores médios de 340 mil euros, enquanto em Viana do Castelo a média ronda os 287 mil euros.
A dificuldade dos estudantes
Se para famílias já é difícil encontrar um lar acessível, para estudantes universitários a situação é ainda mais delicada. A procura por quartos disparou, empurrando os preços para cima. Segundo um relatório sobre Alojamento Estudantil publicado em julho de 2025, o valor médio nacional por quarto é de 415 euros.
Em Lisboa, o preço médio chega a 500 euros no setor privado, podendo atingir até 714 euros em algumas zonas do distrito. No Porto, o custo médio é de 400 euros, em Braga 323 euros, e em Coimbra 280 euros. O cenário pressiona diretamente o acesso ao ensino superior, já que muitos estudantes dependem de arrendamento para permanecer nas universidades.
Uma equação sem solução rápida
Apesar de sinais de desaceleração, os números confirmam que o mercado de arrendamento em Portugal continua desequilibrado. A procura segue superior à oferta, os preços permanecem em patamares elevados e a desigualdade no acesso à habitação aprofunda-se.
Para famílias e jovens, encontrar uma casa para alugar não é apenas questão de paciência, mas de concorrência feroz — em algumas cidades, literalmente dezenas de candidatos disputam cada anúncio.
[ Fonte: Euronews ]