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Ciência

A NASA encontrou algo inesperado no solo de Marte e cientistas dizem que a imagem os deixou “sem fôlego”

Uma paisagem registrada pelo Curiosity chamou a atenção dos cientistas por reunir estruturas incomuns em uma mesma região e pode revelar novos detalhes sobre o passado de Marte.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Marte continua guardando pistas de uma época muito diferente daquela que conhecemos hoje. Enquanto o planeta atual é frio, seco e aparentemente hostil, evidências acumuladas ao longo de décadas sugerem que seu passado pode ter sido marcado pela presença de água. Agora, uma paisagem registrada pelo rover Curiosity colocou os cientistas diante de novas perguntas sobre as condições que existiram por lá e sobre a possibilidade de o planeta ter sido habitável.

Uma paisagem em Marte surpreendeu os cientistas

A NASA encontrou algo inesperado no solo de Marte e cientistas dizem que a imagem os deixou “sem fôlego”
© Alex Shuper – Unsplash

O novo achado ocorreu enquanto o Curiosity, rover da NASA que explora Marte desde 2012, investigava uma área do cráter Gale conhecida como Valle Grande.

Foi ali que suas câmeras registraram uma extensa planície coberta por padrões geométricos que lembram um enorme favo de mel. São inúmeras fraturas poligonais espalhadas pelo terreno.

Estruturas desse tipo não são exatamente desconhecidas pelos pesquisadores. O que chamou a atenção foi a quantidade encontrada em uma única região.

A imagem detalhada do local foi produzida a partir de 340 fotografias individuais capturadas pelo Curiosity nos dias 19 e 20 de junho. Depois que os arquivos chegaram à Terra, os pesquisadores combinaram as imagens para formar um grande panorama da paisagem.

Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity, afirmou que a equipe já havia observado diversos cenários impressionantes durante a missão, mas descreveu aquele conjunto de polígonos como particularmente surpreendente.

Agora, os pesquisadores estão medindo cuidadosamente as formas e analisando a composição química dessas estruturas para tentar compreender como elas surgiram.

Cada uma das fraturas poligonais observadas possui entre quatro e oito centímetros de largura. E é justamente sua origem que pode ajudar a reconstruir um capítulo importante da história marciana.

O detalhe que pode apontar para um Marte muito diferente

Existem diferentes mecanismos capazes de produzir rachaduras no solo. Mudanças bruscas de temperatura estão entre eles. Mas os cientistas também consideram outra possibilidade especialmente interessante: a presença de água no passado.

Isso não significa que o Curiosity tenha encontrado vida marciana.

O que os pesquisadores procuram são evidências de ambientes que, em algum momento, poderiam ter oferecido condições adequadas para que organismos existissem.

Na astrobiologia, a água líquida ocupa um lugar central porque participa das reações químicas associadas à vida como a conhecemos. Encontrar sinais de antigos ambientes aquáticos em Marte, portanto, ajuda os cientistas a identificar lugares onde formas microscópicas de vida poderiam ter surgido ou sobrevivido bilhões de anos atrás.

E as fraturas de Valle Grande não são a única pista recente.

No início deste ano, o Curiosity detectou mais de 20 moléculas orgânicas em arenitos marcianos ricos em argila. Algumas dessas substâncias nunca haviam sido identificadas anteriormente no planeta.

Os pesquisadores observaram que determinados compostos poderiam estar relacionados a moléculas precursoras de estruturas fundamentais para a vida, como RNA e DNA.

Há, porém, uma ressalva essencial.

Moléculas orgânicas não são automaticamente evidências de organismos. Compostos baseados em carbono também podem surgir através de processos geológicos sem qualquer participação biológica.

Mesmo assim, sua presença reforça a possibilidade de que o Marte antigo tenha reunido ingredientes químicos compatíveis com ambientes potencialmente habitáveis.

A química do solo pode revelar o que aconteceu naquela região

O próximo passo será aprofundar a análise das estruturas encontradas em Valle Grande.

Os cientistas esperam que a composição química do terreno permita descobrir se aquelas rachaduras realmente estão relacionadas à presença de água ou se foram produzidas principalmente por alterações térmicas e outros processos geológicos.

Essa investigação faz parte de um esforço muito maior para reconstruir a evolução do planeta.

Hoje, Marte apresenta uma superfície extremamente seca e uma atmosfera muito fina. Entretanto, imagens orbitais, minerais e formações geológicas indicam que rios, lagos e outros sistemas aquáticos provavelmente fizeram parte de sua paisagem em um passado remoto.

O próprio cráter Gale é particularmente importante nessa investigação porque existem fortes indícios de que abrigou um antigo lago.

Por isso, cada nova formação encontrada pelo Curiosity funciona como uma pequena peça de um quebra-cabeça gigantesco.

Mas a NASA já está pensando também em como futuras gerações de robôs poderão investigar terrenos ainda mais difíceis.

Um novo tipo de rover pode explorar lugares hoje inacessíveis

Entre os projetos em desenvolvimento está Ernest, um rover experimental que vem sendo testado em ambientes desérticos na Terra.

O protótipo mede aproximadamente 1,2 metro de comprimento, embora versões futuras possam chegar ao dobro desse tamanho. Sua principal característica não é a velocidade, mas a capacidade de atravessar terrenos complicados.

O veículo possui quatro rodas capazes de se movimentar individualmente para superar obstáculos. Sua velocidade máxima prevista é de apenas cerca de 1 quilômetro por hora, uma limitação pouco relevante quando o objetivo é investigar cuidadosamente regiões geologicamente complexas.

Testes foram realizados no deserto do Colorado, nos Estados Unidos, onde os engenheiros encontraram condições úteis para simular alguns dos desafios que poderiam aparecer em outros mundos.

O projeto começou em 2022 e já passou por quase uma dúzia de configurações diferentes.

Agora, pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA trabalham para desenvolver sistemas que permitam ao rover analisar obstáculos e escolher rotas mais eficientes de maneira autônoma.

Ainda não existe uma data anunciada para que Ernest seja enviado ao espaço. A tecnologia, porém, poderá contribuir para futuras missões destinadas a explorar regiões particularmente acidentadas de Marte ou da Lua.

Enquanto esses novos robôs ainda estão sendo preparados, o veterano Curiosity continua trabalhando.

E aquela estranha planície repleta de polígonos pode guardar uma resposta importante. Talvez não diga diretamente se Marte já teve vida, mas pode ajudar a descobrir se, bilhões de anos atrás, o planeta ofereceu o tipo de ambiente onde ela poderia ter começado.

[Fonte: TN]

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