Durante anos, falar em streaming significava quase automaticamente pensar na Netflix. Essa associação continua forte, mas o mercado brasileiro de 2026 mostra que o domínio de uma única plataforma ficou para trás. Um novo levantamento revela uma disputa muito mais apertada pela atenção do público, com a Netflix perdendo terreno, uma concorrente crescendo rapidamente e apenas três pontos separando os maiores serviços do país.
A Netflix agora tem duas concorrentes à sua frente

O Amazon Prime Video encerrou o segundo trimestre de 2026 na liderança do streaming brasileiro, com 21% de participação, segundo levantamento da JustWatch baseado em mais de 7 milhões de interações realizadas por usuários no país entre abril e junho.
A grande mudança aparece logo abaixo.
O Disney+ alcançou 19% e consolidou a segunda posição, enquanto a Netflix ficou com 18% e caiu para o terceiro lugar.
Na comparação com o mesmo período de 2025, os movimentos aconteceram em direções opostas. O Disney+ ganhou três pontos percentuais, enquanto a Netflix perdeu três.
A plataforma da Disney já havia ultrapassado a rival no primeiro trimestre, e os novos números indicam que a mudança não foi apenas uma oscilação pontual.
O Prime Video, por sua vez, perdeu um ponto percentual na comparação anual, mas conseguiu conservar a primeira posição.
Isso deixou as três maiores plataformas separadas por apenas três pontos: 21%, 19% e 18%.
Existe, entretanto, uma ressalva fundamental para interpretar esses números corretamente.
O ranking não significa que a Netflix perdeu milhões de assinantes

Os dados da JustWatch não representam uma contagem oficial de assinaturas.
A plataforma acompanha sinais de interesse e engajamento dos usuários, incluindo interações com ofertas, inclusão de produções em listas e marcação de filmes e séries como assistidos.
Portanto, os percentuais funcionam como um indicador da atenção destinada aos diferentes serviços, e não como uma fotografia direta da quantidade de assinantes pagantes.
Ainda assim, a mudança chama atenção porque mostra como o comportamento do consumidor está se fragmentando.
O streaming deixou de ser um mercado no qual um único serviço concentra grande parte da conversa. Filmes, séries, franquias, reality shows, documentários, esportes e transmissões ao vivo estão espalhados por diferentes aplicativos.
Isso significa que uma pessoa pode manter diversas assinaturas simultaneamente ou alternar entre plataformas conforme os lançamentos.
Para as empresas, conquistar uma assinatura já não é suficiente. É necessário disputar algo ainda mais limitado: o tempo do usuário.
E é justamente nessa batalha pela atenção que o Disney+ aparece como um dos grandes vencedores recentes.
Disney+ cresce e começa a olhar para o primeiro lugar
Com 19% de participação, o Disney+ ficou apenas dois pontos percentuais atrás do Prime Video.
O crescimento de três pontos em um ano chama atenção porque acontece enquanto a Netflix percorre o caminho contrário.
A combinação de franquias conhecidas, produções originais e um catálogo construído em torno de algumas das maiores marcas do entretenimento ajuda a colocar o serviço em uma posição cada vez mais competitiva.
A liderança, portanto, também está longe de ser confortável.
O Prime Video mantém seus 21%, mas uma diferença de apenas dois pontos significa que novos lançamentos e mudanças no comportamento do público podem alterar rapidamente as posições.
A Netflix enfrenta uma situação semelhante. Apenas um ponto a separa do Disney+, deixando a recuperação do segundo lugar perfeitamente possível nos próximos levantamentos.
A disputa também está ficando interessante fora do pódio.
Apple TV+ consegue ultrapassar o Globoplay
Logo abaixo das três maiores plataformas aparece a HBO Max, com 11%.
Depois dela, outra mudança merece atenção: a Apple TV+ alcançou 9% e ultrapassou o Globoplay, que ficou com 8%.
A plataforma da Apple avançou dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. O Globoplay, embora tenha recuperado um ponto durante o trimestre, acumulou queda de dois pontos na comparação anual.
O movimento reforça uma característica importante desse mercado: mesmo serviços com participação menor conseguem avançar rapidamente quando determinados conteúdos despertam interesse.
Para o consumidor, isso amplia as alternativas. Ao mesmo tempo, cria um problema conhecido por quem acompanha muitas produções.
Quanto mais fragmentado fica o catálogo, maior a possibilidade de ser necessário assinar diferentes serviços para assistir a tudo.
A competição que inicialmente prometia oferecer mais escolha também criou uma espécie de quebra-cabeça mensal: decidir quais assinaturas continuam valendo o preço.
A verdadeira guerra agora é para impedir que o usuário vá embora
A queda da Netflix para a terceira posição não muda automaticamente preços, planos ou catálogo. Mas aumenta a pressão competitiva.
Cada plataforma precisa oferecer motivos para que o assinante não aperte o botão de cancelar.
Grandes produções originais, franquias populares, conteúdo nacional, eventos ao vivo, esportes e diferentes modelos de assinatura fazem parte dessa disputa.
Existe ainda a estratégia de alternância dos próprios consumidores. Uma pessoa pode assinar um serviço por alguns meses para acompanhar determinada série, cancelar depois e migrar para outro quando surgir um lançamento mais interessante.
Isso torna a fidelidade muito mais difícil.
Para a Netflix, recuperar o segundo lugar exigirá interromper a perda de interesse registrada na comparação anual. Para o Disney+, o desafio passa a ser conservar o crescimento e tentar diminuir os dois pontos que ainda o separam do líder.
Já o Prime Video precisa defender uma posição que parece bem menos confortável do que o termo “primeiro lugar” sugere.
O próximo levantamento poderá mostrar se essas mudanças representam uma nova configuração duradoura ou apenas mais um capítulo de um mercado extremamente volátil.
Uma coisa, porém, já parece clara: a era em que Netflix e streaming eram praticamente sinônimos ficou para trás. Agora, cada novo sucesso pode mexer em um ranking no qual ninguém possui espaço suficiente para relaxar.
[Fonte: NCNews]