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Ciência

Mudanças climáticas já matam 710 mil pessoas por calor em um ano e cientistas pedem emergência sanitária mundial

Relatório internacional revela que o calor extremo provocou 710 mil mortes em 2023. Especialistas defendem que a crise climática seja reconhecida como emergência global de saúde pública.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental para se transformar em uma ameaça direta à saúde humana. Um novo relatório elaborado por 146 pesquisadores de mais de 100 instituições revela que os impactos do aquecimento global estão avançando mais rapidamente do que as medidas adotadas para combatê-los. Diante dos números alarmantes, especialistas defendem que a Organização Mundial da Saúde reconheça formalmente a crise climática como uma emergência sanitária mundial.

Calor extremo já provoca centenas de milhares de mortes

Mortes relacionadas ao calor em 2023: 710 mil.

Estimativa global apresentada pelo relatório Lancet Countdown 2026.

O alerta aparece na décima edição do relatório Lancet Countdown, desenvolvido em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e coordenado pela University College London.

Os pesquisadores analisaram 54 indicadores relacionados aos impactos climáticos sobre a saúde.

Um dos resultados mais preocupantes envolve a mortalidade causada pelas temperaturas elevadas.

Em 2023, aproximadamente 710 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor em todo o mundo. Mais de 70% dessas mortes foram atribuídas às mudanças climáticas provocadas pela atividade humana.

Entre 2016 e 2023, foram registradas quase três milhões de mortes associadas às altas temperaturas.

Segundo a Agência EFE, a mortalidade anual relacionada ao calor aumentou aproximadamente 36% na década posterior ao Acordo de Paris, em comparação com a década anterior.

Por que cientistas querem declarar emergência sanitária mundial?

Mudanças climáticas já matam 710 mil pessoas por calor em um ano e cientistas pedem emergência sanitária mundial
© K – Pexels

Os especialistas defendem que o aquecimento global seja tratado com mecanismos internacionais semelhantes aos utilizados em grandes emergências de saúde pública.

A proposta envolve criar um instrumento coordenado pela OMS para acelerar a distribuição de recursos, melhorar a cooperação entre países e integrar políticas climáticas aos sistemas de saúde.

Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, afirma que os danos climáticos estão aumentando mais rapidamente do que a capacidade mundial de resposta.

O relatório também destaca que secas, enchentes e temperaturas extremas estão agravando problemas como insegurança alimentar, doenças infecciosas e dificuldades de acesso à água potável.

A proposta ainda não representa uma declaração oficial de emergência pela OMS. Trata-se de uma recomendação científica que depende de decisões institucionais e políticas.

Brasil está entre os países vulneráveis aos impactos climáticos

No Brasil, os efeitos das mudanças climáticas já aparecem em diferentes regiões.

Ondas de calor elevam os riscos de desidratação, problemas cardiovasculares e complicações respiratórias, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Ao mesmo tempo, enchentes e chuvas intensas podem comprometer o abastecimento de água, provocar deslocamentos populacionais e favorecer doenças como leptospirose.

Outro problema envolve a dengue, cuja transmissão pode ser influenciada pelas condições de temperatura e precipitação.

A combinação desses fatores aumenta a pressão sobre hospitais e unidades básicas de saúde.

Para os especialistas, políticas de adaptação precisam considerar as particularidades de cada região, principalmente em países com grandes desigualdades sociais.

Prejuízos econômicos ultrapassaram US$ 1 trilhão

Mudanças climáticas já matam 710 mil pessoas por calor em um ano e cientistas pedem emergência sanitária mundial
© Red Zeppelin – Pexels

Além das consequências sanitárias, o relatório destaca os efeitos econômicos das temperaturas extremas.

Em 2025, o calor provocou perdas estimadas em US$ 1,07 trilhão na renda mundial devido à redução da produtividade dos trabalhadores.

Setores como agricultura, construção civil e atividades realizadas ao ar livre estão entre os mais vulneráveis.

As altas temperaturas podem diminuir a capacidade física, aumentar o risco de acidentes e exigir interrupções frequentes das atividades.

O impacto tende a ser maior em regiões pobres, onde trabalhadores possuem menos acesso à climatização e infraestrutura adequada.

Ainda é possível evitar milhões de mortes?

Apesar do cenário preocupante, os pesquisadores destacam avanços importantes.

Atualmente, 56 países integrantes da OMS possuem planos de adaptação às mudanças climáticas, enquanto 75 contam com sistemas de alerta antecipado para eventos meteorológicos extremos.

A redução da poluição atmosférica também apresenta resultados positivos. Segundo o relatório, melhorias na qualidade do ar ajudaram a evitar aproximadamente 323 mil mortes anuais em pelo menos 77 países.

Para os cientistas, essas experiências demonstram que políticas climáticas podem produzir benefícios imediatos à saúde.

A conclusão é que reduzir as emissões de gases de efeito estufa não significa apenas proteger o planeta no futuro. Significa evitar doenças, diminuir mortes e preservar vidas agora.

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