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Tecnologia

Não é ar-condicionado nem aquecedor: esta tecnologia usa o próprio terreno para deixar a casa mais confortável gastando pouca energia

Uma técnica relativamente simples aproveita algo que existe sob praticamente todas as casas para amenizar o calor e o frio. O resultado pode significar menos consumo durante o ano.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando chega o verão, o ar-condicionado trabalha sem descanso. No inverno, aquecedores e sistemas de calefação assumem a tarefa e a conta de energia acompanha esse esforço. Mas existe outra maneira de controlar a temperatura dentro de casa que não depende de produzir constantemente calor ou frio. A solução está escondida alguns metros abaixo dos nossos pés e utiliza uma característica natural do solo para reduzir o consumo energético.

A temperatura que sentimos na superfície não chega da mesma forma ao subsolo

Não é ar-condicionado nem aquecedor: esta tecnologia usa o próprio terreno para deixar a casa mais confortável gastando pouca energia
© Viktor Talashuk – Unsplash

Em um dia muito quente, o solo próximo à superfície pode esquentar bastante. Alguns metros abaixo, porém, a situação muda.

A terra funciona como uma espécie de enorme estabilizador térmico. Conforme aumenta a profundidade, as oscilações provocadas pelo clima exterior se tornam menores. Isso significa que o subsolo tende a manter temperaturas muito mais constantes do que o ar que circula do lado de fora.

Essa característica é justamente o princípio utilizado por uma tecnologia conhecida como poço canadense, também chamada de sistema geotérmico de baixa profundidade ou trocador de calor terra-ar.

Apesar do nome, não se trata necessariamente de cavar um enorme poço vertical.

O sistema utiliza uma rede de tubos enterrados no terreno e conectados ao sistema de ventilação da residência. O ar externo entra pelas tubulações e percorre determinado trecho sob a terra antes de chegar aos ambientes internos.

Durante esse caminho aparentemente simples acontece a parte mais interessante.

O terreno modifica naturalmente a temperatura do ar antes que ele entre na casa.

No verão ele resfria e no inverno acontece o contrário

Imagine que o lado de fora da residência esteja extremamente quente. O ar captado pelo sistema entra nas tubulações subterrâneas e encontra um ambiente consideravelmente mais fresco.

Enquanto percorre os tubos, ocorre uma troca térmica com o terreno. Quando finalmente chega ao interior da casa, esse ar já está menos quente.

No inverno, o princípio funciona ao contrário.

Se a temperatura exterior estiver muito baixa, o ar frio passa por um subsolo relativamente mais quente. Assim, chega à residência previamente aquecido.

O sistema, portanto, não produz frio nem calor da maneira convencional. Ele simplesmente aproveita a estabilidade térmica natural existente debaixo da terra.

Isso ajuda a explicar seu baixo consumo de energia.

O poço canadense também não precisa necessariamente substituir completamente aparelhos tradicionais. Sua função pode ser diminuir o esforço exigido deles.

Um ar-condicionado que recebe ar previamente resfriado, por exemplo, precisa trabalhar menos para atingir a temperatura desejada. A mesma lógica vale para determinados sistemas de aquecimento durante o inverno.

E menos trabalho dos equipamentos pode representar menos eletricidade ou gás consumidos ao longo do ano.

Instalar os tubos exige planejamento e nem toda casa é adequada

Apesar da simplicidade do princípio, não basta enterrar alguns canos no quintal.

A instalação normalmente utiliza tubos de plástico ou polietileno e precisa considerar características específicas do imóvel e do terreno.

Profundidade, comprimento e diâmetro das tubulações podem variar de acordo com fatores como clima da região, composição do solo e espaço disponível.

Quanto mais protegido das variações da superfície estiver o sistema, mais estável tende a ser a temperatura encontrada no terreno.

Também é necessário analisar corretamente circulação de ar, drenagem e características da instalação para que o sistema funcione de maneira eficiente.

Por isso, arquitetos e especialistas recomendam que a tecnologia seja considerada ainda durante o projeto de uma nova residência.

Isso permite planejar a posição das tubulações antes da construção e pode reduzir significativamente a complexidade da obra.

Em uma casa pronta, a adaptação continua sendo possível em determinadas situações, mas escavar o terreno e integrar todo o sistema de ventilação pode tornar o investimento inicial mais elevado. Além disso, imóveis com pouco espaço externo podem não ser bons candidatos.

A economia aparece justamente porque o sistema não precisa criar temperatura

O custo das escavações e da instalação representa uma das principais barreiras iniciais. A vantagem aparece posteriormente no funcionamento.

Depois de instalado, o sistema precisa basicamente movimentar o ar pelas tubulações. A maior parte do trabalho térmico é realizada passivamente pelo próprio terreno.

A tecnologia também pode funcionar em conjunto com equipamentos que já existem na residência, incluindo sistemas de climatização e calefação.

Isso significa que o objetivo não precisa ser viver completamente sem ar-condicionado ou aquecedor.

Em regiões onde as temperaturas atingem extremos, equipamentos convencionais podem continuar sendo necessários. A diferença é que eles recebem uma ajuda permanente de uma fonte que não chega todos os meses na conta de luz: a temperatura naturalmente estável do subsolo.

É uma ideia baseada em um princípio físico simples, mas que ganha novo interesse em um momento em que climatizar casas representa uma parcela cada vez mais importante do consumo energético.

A tecnologia não transforma qualquer residência em um ambiente climatizado gratuitamente e tampouco serve para todos os terrenos. Quando incorporada corretamente ao projeto, porém, pode transformar algo aparentemente banal, a terra debaixo da casa, em uma espécie de aliado térmico disponível durante todas as estações.

[Fonte: Mitre]

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