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Tecnologia

Data centers crescem com a IA, mas consumo de energia e água acende alerta

A expansão dos data centers acelera com o avanço da inteligência artificial, mas o enorme consumo de eletricidade e água aumenta a resistência de comunidades e governos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os data centers estão se espalhando rapidamente pelos Estados Unidos, Europa e outras regiões do planeta. Essas enormes instalações são fundamentais para serviços digitais e, principalmente, para a nova corrida da inteligência artificial. No entanto, seu crescimento também traz uma conta pesada: mais eletricidade, grandes volumes de água e impactos diretos sobre as cidades que recebem essas estruturas.

Emmanuel Ferrario, colunista do Infobae en Vivo, explicou que os data centers não determinam apenas como armazenamos e processamos informações. Eles também terão papel central no desenvolvimento da IA e, consequentemente, na vida cotidiana de milhões de pessoas.

Segundo Ferrario, essas instalações funcionam como verdadeiras fábricas digitais. Elas concentram computadores, servidores, sistemas de armazenamento e enormes redes responsáveis por guardar e processar praticamente tudo o que acontece no mundo conectado.

Além disso, são a infraestrutura necessária para treinar e executar os modelos de inteligência artificial que estão ganhando espaço em diferentes setores da economia.

A resistência aos data centers está aumentando

Data Centers E Inteligência Artificial
© Caureem – Shutterstock

Apesar de sua importância tecnológica, construir novos data centers está se tornando cada vez mais complicado.

Ferrario afirma que a resistência cresce principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Entre as principais preocupações aparecem o consumo de eletricidade, o uso de água, o barulho das instalações e a geração de resíduos eletrônicos.

Os Estados Unidos já possuem cerca de 5.500 data centers e planejavam acrescentar quase 4 mil instalações nos próximos três anos. Porém, segundo o colunista, o ritmo real de construção está bem abaixo do esperado.

Atualmente, estaria sendo construído apenas cerca de 40% do volume necessário para acompanhar os planos de expansão.

A desaceleração tem diferentes causas. Entre elas estão a falta de trabalhadores especializados, dificuldades para conseguir chips, limitações na infraestrutura elétrica e, cada vez mais, a oposição das comunidades locais.

Uma pesquisa citada por Ferrario mostrou a dimensão dessa resistência. Apenas 23% dos entrevistados nos Estados Unidos consideravam positiva a expansão dessas instalações, enquanto 48% tinham uma avaliação negativa. Mais de 60% também rejeitavam a instalação de um data center em sua própria cidade.

Energia e água viraram pontos críticos

O consumo de recursos está no centro da discussão.

De acordo com Ferrario, um data center de tamanho intermediário pode consumir diariamente uma quantidade de água e eletricidade comparável à utilizada por uma cidade de 30 mil a 50 mil habitantes.

O problema se torna ainda mais delicado quando governos ou empresas de energia oferecem incentivos para atrair essas instalações.

Segundo o colunista, parte desse custo pode acabar sendo distribuída entre os demais consumidores da região. Isso aumenta a resistência de moradores que temem pagar mais pela energia necessária para sustentar grandes operações tecnológicas.

A água representa outro desafio importante. Muitos data centers precisam de grandes sistemas de refrigeração para impedir o superaquecimento dos servidores.

Alguns países já tentam reduzir esse desperdício. Na Alemanha, por exemplo, existem iniciativas para aproveitar parte do calor produzido pelos centros de processamento e reutilizá-lo em sistemas urbanos de aquecimento.

Governos começam a aumentar as restrições

A pressão social também está chegando às autoridades.

Ferrario destacou que diversos estados americanos adotaram algum tipo de restrição ou passaram a discutir limites para novas instalações. Em algumas regiões, governos locais também analisam moratórias para impedir temporariamente novas construções ou expansões.

Na Europa, o cenário varia bastante.

Países com maior disponibilidade energética podem adotar uma postura mais flexível. A França, por exemplo, conta com uma ampla infraestrutura nuclear. Outros governos europeus, porém, colocam requisitos ambientais mais rígidos antes de permitir novos projetos.

Essa diferença mostra que a corrida pelos data centers não depende apenas da tecnologia. Disponibilidade de energia, infraestrutura elétrica, água e aceitação da população também se tornaram fatores estratégicos.

A IA também transforma dados em questão de soberania

Existe ainda outra preocupação: quem controla toda essa infraestrutura.

A concentração de enormes volumes de informações em poucos data centers levanta questões sobre soberania digital, segurança e controle de dados sensíveis.

Ao mesmo tempo, cresce o fenômeno conhecido como NIMBY, sigla para “not in my backyard”, ou “não no meu quintal”. A ideia descreve pessoas que reconhecem a necessidade de determinada infraestrutura, mas não querem seus impactos perto de onde vivem.

Para Ferrario, algo semelhante já acontece com os data centers.

O crescimento parece inevitável, mas terá um preço

Data Center Empresa
© alexgo.photography via Shutterstock

A expansão da inteligência artificial provavelmente exigirá ainda mais capacidade computacional nos próximos anos. Isso significa novos servidores, instalações maiores e uma demanda crescente por eletricidade e sistemas de refrigeração.

Por isso, a discussão começa a mudar. A questão já não é simplesmente construir ou não construir data centers, mas descobrir como ampliar essa infraestrutura sem transferir seus custos ambientais e econômicos para as comunidades.

Governos experimentam caminhos diferentes, desde restrições severas até incentivos econômicos e exigências ambientais.

A inteligência artificial pode estar no centro da próxima grande transformação tecnológica. Porém, por trás dos algoritmos aparentemente invisíveis existe uma infraestrutura extremamente física — e que precisa de enormes quantidades de energia, água e espaço para continuar funcionando.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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