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Ciência

NASA transmitiu um vídeo por laser a 31 milhões de quilômetros da Terra

Um vídeo de apenas 15 segundos entrou para a história das comunicações espaciais. Enviado pela missão Psyche a milhões de quilômetros da Terra, o arquivo levou cerca de 101 segundos para chegar ao nosso planeta usando um sistema experimental de comunicação a laser.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Enviar vídeos pelo espaço pode parecer algo relativamente simples, mas as distâncias envolvidas tornam essa tarefa extremamente complicada. A NASA conseguiu demonstrar uma possível solução ao transmitir um vídeo em alta definição a partir da sonda Psyche, localizada a cerca de 31 milhões de quilômetros da Terra. A protagonista da gravação também chamou atenção: um gato chamado Taters perseguindo o ponto vermelho de um laser.

Um gato protagonizou uma transmissão histórica

O experimento fazia parte dos testes do Deep Space Optical Communications, conhecido pela sigla DSOC.

Durante a demonstração, a sonda Psyche transmitiu um vídeo de 15 segundos que havia sido previamente armazenado no sistema. O sinal percorreu aproximadamente 31 milhões de quilômetros até chegar à Terra.

A viagem levou cerca de 101 segundos, pouco menos de dois minutos.

O tempo pode parecer surpreendentemente curto, mas existe uma explicação: o sinal viaja à velocidade da luz. Portanto, a maior dificuldade não é simplesmente fazer a informação chegar à Terra, mas transmitir grandes volumes de dados de maneira confiável através de enormes distâncias.

É justamente esse problema que a NASA pretende resolver com comunicações ópticas.

Como funciona a internet a laser da NASA

As missões espaciais tradicionalmente utilizam ondas de rádio para se comunicar com a Terra.

Essa tecnologia é extremamente confiável e continuará desempenhando um papel fundamental na exploração espacial. Porém, futuras missões podem produzir quantidades de dados muito maiores.

Imagens de alta resolução, vídeos e instrumentos científicos avançados exigirão conexões capazes de transportar mais informações.

O DSOC utiliza laser infravermelho para transmitir dados.

Na Terra, telescópios extremamente sensíveis detectam esses fótons. Equipamentos especializados transformam então os sinais luminosos novamente em informação digital.

Em determinadas condições experimentais, tecnologias ópticas desse tipo podem alcançar taxas de transmissão muito superiores às oferecidas pelos sistemas tradicionais de rádio.

Isso poderia representar um salto semelhante ao que aconteceu na Terra quando conexões antigas foram substituídas por tecnologias de banda larga muito mais rápidas.

Por que transmitir um vídeo de gato?

O vídeo utilizado pela NASA não foi escolhido por sua importância científica.

A gravação mostrava Taters, o gato de um funcionário do Jet Propulsion Laboratory, perseguindo um laser. A escolha também funcionou como uma brincadeira histórica.

Décadas antes da internet, transmissões experimentais de televisão já utilizavam imagens simples para demonstrar novas tecnologias. Dessa vez, a NASA adaptou a tradição para a era dos vídeos de gatos.

O verdadeiro objetivo era testar se o sistema conseguia transmitir um arquivo de alta definição através do espaço profundo.

E conseguiu.

O experimento mostrou que comunicações ópticas podem transportar grandes volumes de informação mesmo quando uma espaçonave está a dezenas de milhões de quilômetros.

A tecnologia poderá ser importante para Marte

Marte (2)
© Alex Shuper – Unsplash

A capacidade de transmitir mais dados será especialmente importante em futuras missões tripuladas.

Astronautas em Marte, por exemplo, poderão precisar enviar enormes quantidades de informações científicas, imagens e vídeos para a Terra.

Também será necessário manter sistemas de comunicação confiáveis para operações médicas, técnicas e científicas.

Isso não significa que conversar com alguém em Marte será instantâneo. Nenhuma tecnologia consegue eliminar o atraso provocado pela velocidade da luz.

Dependendo da posição dos dois planetas, uma mensagem pode levar vários minutos para percorrer a distância entre Marte e a Terra.

O avanço está na quantidade de dados que poderá ser transmitida durante esse intervalo.

Psyche tem uma missão ainda mais ambiciosa

O DSOC viajou ao espaço como uma demonstração tecnológica instalada na missão Psyche, lançada pela NASA em outubro de 2023.

O principal destino da espaçonave é o asteroide 16 Psyche, localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

O objeto chama atenção por sua composição rica em metais.

Uma das possibilidades investigadas pelos cientistas é que Psyche preserve materiais semelhantes aos encontrados nas regiões internas dos planetas rochosos. Estudar o asteroide pode, portanto, fornecer pistas sobre processos que ocorreram durante a formação do Sistema Solar.

Enquanto a espaçonave segue sua longa viagem, seu experimento de comunicação já mostrou algo importante.

No futuro, sondas e astronautas poderão continuar separados da Terra por milhões de quilômetros. Mas tecnologias a laser prometem transformar radicalmente a quantidade de informações que conseguiremos enviar através desse gigantesco vazio.

 

[ Fonte: TN ]

 

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