Viajar continua sendo uma das principais formas de escapar de uma rotina cada vez mais acelerada, conectada e cheia de estímulos. Para muitas pessoas, porém, descansar já não significa apenas tirar férias. Significa também encontrar lugares onde seja possível fugir do barulho e das multidões.
Essa busca deu origem às chamadas quietcations, ou “férias do silêncio”. Também inspirou a criação do primeiro Índice de Lugares Intocados, elaborado pelo portal especializado BookRetreats.com. A análise usou dados de satélite e mapas para classificar as 100 ilhas mais tranquilas do mundo.
E uma delas conseguiu se destacar de todas as outras.
O que torna uma ilha realmente tranquila?

Definir tranquilidade não é tão simples quanto parece. Afinal, silêncio e descanso podem significar coisas diferentes para cada pessoa.
Por isso, o levantamento adotou critérios objetivos inspirados em parâmetros da Agência Europeia do Ambiente. Foram considerados seis fatores: presença de natureza, quantidade de estradas, tráfego aéreo, concentração de pessoas, escuridão do céu noturno e preservação das paisagens costeiras.
Entre as 100 ilhas selecionadas aparecem vários destinos espanhóis. Fuerteventura ficou na 48ª posição, com 51,5 pontos. El Hierro chegou ao 38º lugar, com 62,2 pontos, enquanto La Gomera alcançou a 25ª posição, com 68,2.
Mallorca, Ibiza, Lanzarote e Tenerife também aparecem no ranking.
Mas nenhuma delas chegou perto da campeã.
A ilha mais tranquila do planeta fica na Nova Zelândia
Ao sul da Ilha Sul da Nova Zelândia está a selvagem Ilha Stewart. Apesar de ser a terceira maior ilha do país, o destino permanece praticamente desconhecido do turismo de massa.
Sua área é aproximadamente três vezes maior que a de Phuket, na Tailândia. Mesmo assim, a natureza permanece amplamente preservada e a população é de apenas cerca de 500 habitantes. A maioria vive em Oban, principal povoado da ilha.
Essas características ajudaram a Ilha Stewart a conquistar a primeira posição do ranking, com 94,6 pontos em uma escala de 100.
No indicador que mede as alterações humanas no terreno, ela chegou a impressionantes 99 pontos.
Para os maoris, a ilha é conhecida como Rakiura, nome tradicionalmente associado à ideia de “terra dos céus resplandecentes”. E basta olhar para cima durante a noite para entender o motivo.
Um dos melhores lugares para observar o céu
A Ilha Stewart possui o Santuário Internacional de Céu Escuro mais ao sul do planeta. A combinação de pouca iluminação artificial, baixa densidade populacional e localização privilegiada cria condições excepcionais para observar as estrelas.
Há ainda outro espetáculo: as auroras austrais. Segundo os dados usados no levantamento, cerca de 2,3% do território da ilha registra ocorrência desse fenômeno luminoso.
Grande parte dessa preservação está ligada ao Parque Nacional Rakiura, que ocupa aproximadamente 85% da ilha.
A presença humana, portanto, permanece limitada. Existem poucas estradas e apenas uma pequena pista de pouso, enquanto enormes áreas continuam dominadas por florestas, praias e animais selvagens.
Um refúgio para animais ameaçados

Entre os habitantes mais famosos está o kiwi-marrom-da-ilha-Stewart, uma espécie ameaçada que encontrou ali um de seus principais refúgios.
Estima-se que aproximadamente 20 mil exemplares vivam no território. Diferentemente do que acontece em outros lugares, os visitantes podem ter a oportunidade de encontrar essas aves em seu ambiente natural.
A ilha também abriga pinguins, focas e uma grande diversidade de aves.
Para quem prefere explorar o destino caminhando, existem cerca de 280 quilômetros de trilhas com diferentes níveis de dificuldade.
Os caminhos atravessam florestas nativas, pequenas enseadas, praias isoladas e paisagens praticamente intocadas. Entre elas está Māori Beach, onde grandes troncos carregados pelo oceano repousam sobre a areia enquanto a mata nativa avança quase até a água.
Em um planeta no qual encontrar lugares realmente silenciosos está cada vez mais difícil, a Ilha Stewart oferece algo raro: quilômetros de natureza selvagem, pouquíssimas pessoas e noites em que as estrelas — e às vezes as auroras — são praticamente as únicas responsáveis pelo espetáculo.
[ Fonte: National Geographic ]