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Ciência

O cheiro do corpo pode revelar doenças antes dos sintomas? Veja o que diz a ciência

Pesquisadores investigam como alterações no odor da pele e do hálito podem indicar doenças. Compostos químicos liberados pelo organismo oferecem pistas, mas ainda não substituem exames médicos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O cheiro do corpo pode revelar muito mais do que hábitos de higiene. Cientistas descobriram que determinadas doenças alteram as substâncias químicas liberadas pela pele, pelo suor e pela respiração. Essas mudanças podem produzir odores característicos, alguns perceptíveis ao olfato humano e outros identificáveis apenas por sensores especializados. A descoberta está impulsionando pesquisas sobre novas formas de diagnóstico, incluindo dispositivos capazes de detectar sinais de doenças sem a necessidade de procedimentos invasivos.

Por que algumas doenças alteram o cheiro do corpo?

A pele libera continuamente pequenas quantidades de substâncias chamadas compostos orgânicos voláteis, ou COVs.

Essas moléculas são produzidas por processos metabólicos, pela atividade das glândulas sebáceas e pela interação com microrganismos presentes na pele.

Quando o funcionamento do organismo muda, a composição dessas substâncias também pode sofrer alterações.

Isso significa que determinadas doenças podem produzir assinaturas químicas diferentes das observadas em pessoas saudáveis.

Em entrevista à Univision, o neurologista Alejandro Guillermo Andersson explicou que pesquisadores estão desenvolvendo tecnologias capazes de identificar esses padrões em amostras de pele, hálito e urina.

Mulher conseguiu identificar Parkinson pelo cheiro do marido

O cheiro do corpo pode revelar doenças antes dos sintomas? Veja o que diz a ciência
© YouTube

Um dos casos mais conhecidos envolve a escocesa Joy Milne, que percebeu uma mudança no odor corporal do marido anos antes de ele receber o diagnóstico de doença de Parkinson.

Ela descreveu um cheiro almiscarado, diferente daquele que conhecia.

Posteriormente, pesquisadores descobriram que Milne conseguia reconhecer um odor semelhante em outras pessoas com Parkinson.

A descoberta estimulou investigações na Universidade de Manchester sobre substâncias presentes no sebo, a secreção oleosa produzida pela pele.

Uma revisão científica publicada em 2025, na revista npj Parkinson’s Disease, examinou o potencial desses compostos como indicadores da doença.

Cães também conseguem reconhecer sinais da doença

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© Pexels

Um estudo publicado em julho de 2025 investigou se cães treinados poderiam identificar o Parkinson pelo cheiro.

Os pesquisadores utilizaram amostras coletadas da pele de pessoas com e sem a doença.

Dois cães participaram de um teste duplo-cego, no qual nem os avaliadores nem os animais tinham acesso à classificação das amostras durante a avaliação.

Os resultados mostraram sensibilidades de 70% e 80%, enquanto a especificidade chegou a 90% e 98%, respectivamente.

Isso significa que os animais conseguiram reconhecer parte significativa dos casos, embora tenham ocorrido erros.

O estudo reforça a possibilidade de utilizar odores corporais como biomarcadores, mas não estabelece um teste diagnóstico pronto para utilização clínica.

Narizes eletrônicos podem identificar câncer e outras doenças?

Pesquisadores também estudam sensores conhecidos como narizes eletrônicos, capazes de analisar misturas de compostos químicos.

Com auxílio de algoritmos de inteligência artificial, esses dispositivos procuram identificar padrões associados a determinadas condições.

Entre as áreas investigadas estão câncer de pulmão, próstata e bexiga, além de infecções e doenças neurológicas.

O objetivo é desenvolver métodos de triagem menos invasivos, capazes de indicar quando uma investigação médica adicional pode ser necessária.

Entretanto, os resultados ainda variam conforme a doença, o equipamento utilizado e as características dos participantes.

O neurologista entrevistado pela Univision destacou que um teste com sensibilidade de aproximadamente 80% deixaria de identificar cerca de 20% dos casos reais, o que representa uma limitação importante para exames de rastreamento.

Um cheiro diferente significa que você está doente?

Não necessariamente.

O odor corporal pode mudar por motivos comuns, como alimentação, medicamentos, atividade física, alterações hormonais e presença de bactérias na pele.

Além disso, diferentes pessoas podem apresentar odores semelhantes por razões completamente distintas.

Por isso, não é possível diagnosticar Parkinson, câncer ou Alzheimer simplesmente cheirando a pele de alguém.

Mudanças persistentes e inexplicáveis no odor corporal merecem avaliação médica, especialmente quando acompanhadas de outros sintomas, mas não devem provocar conclusões precipitadas.

Quando essa tecnologia poderá chegar aos hospitais?

Os pesquisadores ainda precisam demonstrar que os sensores conseguem distinguir doenças com precisão suficiente em populações maiores e mais diversas.

Também será necessário padronizar a coleta das amostras e avaliar como fatores ambientais interferem nos resultados.

Um estudo publicado em 2025 na revista npj Parkinson’s Disease encontrou alterações em dezenas de características químicas do sebo de pessoas com Parkinson, reforçando o potencial dessa abordagem.

A grande promessa é transformar sinais químicos quase imperceptíveis em ferramentas de diagnóstico precoce. Por enquanto, porém, o cheiro do corpo oferece pistas para a pesquisa científica, não respostas definitivas sobre a saúde.

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