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O destino das joias milionárias roubadas do Louvre: o que pode acontecer com elas, segundo especialistas em arte

Após um assalto cinematográfico no museu mais famoso do mundo, peritos em arte alertam que as joias reais de mais de 100 milhões de dólares podem desaparecer para sempre — não em cofres secretos, mas fundidas, desmontadas e revendidas como peças comuns.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O roubo das joias históricas do Museu do Louvre, em Paris, deixou o mundo da arte em alerta. Segundo especialistas, as peças — que pertenciam à realeza francesa — provavelmente já começaram a ser desmembradas. Fundir metais preciosos e lapidar novamente as gemas seria o método ideal para apagar qualquer vestígio de sua origem.

Um roubo digno de cinema

O golpe ocorreu em plena luz do dia e foi executado com precisão profissional. Vestidos como operários, os ladrões usaram um elevador acoplado a um caminhão para entrar e sair do Louvre, fugindo em seguida de scooter pelas ruas de Paris.

As joias roubadas — avaliadas em mais de US$ 100 milhões (cerca de €88 milhões) — incluíam duas coroas, um colar e brincos de esmeralda, um colar de safiras, dois broches e um brinco solitário usado por nobres do século XIX. Desde então, o paradeiro das peças é um mistério.

Mas, para quem conhece o submundo dos roubos de arte, o desaparecimento pode não durar muito: o que é valioso demais para ser exibido costuma ser desmontado, fundido ou transformado em algo irreconhecível.

O “verdadeiro” crime está na venda

A professora Erin Thompson, especialista em crimes artísticos no John Jay College of Criminal Justice (Nova York), explicou que o maior desafio de um roubo desse tipo não é o assalto em si — é monetizar o que foi levado.

“O verdadeiro crime no roubo de arte não é o furto, é a venda”, diz Thompson. “Você nem precisa colocar as joias no mercado negro — basta vendê-las em uma joalheria comum, a poucos metros do Louvre.”

Segundo ela, fundir metais preciosos e lapidar novamente as pedras é a maneira mais eficaz de ocultar a origem das peças. “Ao desmembrar, você destrói a identidade da joia e elimina o valor histórico, mas transforma algo impossível de vender em algo comum.”

Como os ladrões podem lucrar — e perder

Especialistas em crimes de arte apontam que esse tipo de operação reduz drasticamente o valor original do roubo. Joias que valem milhões podem ser revendidas por uma fração do preço quando transformadas em pequenas gemas ou em novos acessórios.

Além disso, o ouro refinado séculos atrás possui uma composição diferente da atual, o que torna possível rastrear sua origem em análises laboratoriais. É por isso que Robert Wittman, ex-agente do FBI e fundador da equipe de Crimes de Arte da agência, acredita que os ladrões terão dificuldade em revender o material.

“Essas gemas podem ser identificadas pela pureza e pela lapidação, e o ouro antigo não tem a mesma composição do que é usado hoje”, afirma. “Eles podem tentar, mas será quase impossível monetizar o roubo com sucesso.”

O papel das redes criminosas internacionais

Outros especialistas, porém, são mais céticos. Eles afirmam que há redes globais capazes de cortar e redistribuir gemas preciosas até que fiquem irreconhecíveis.
Essas redes operam em países com forte indústria de lapidação, como Tailândia, Índia e Emirados Árabes Unidos, onde as pedras roubadas podem ser recortadas e reintroduzidas no mercado por meio de cadeias de fornecimento legítimas.

O processo exige especialistas experientes — e cúmplices dispostos a não fazer perguntas. Uma vez recortadas, as gemas se tornam praticamente impossíveis de rastrear, permitindo que voltem a circular legalmente em novos colares, anéis e brincos.

O vídeo que chocou Paris

Um vídeo divulgado pelo jornal The Telegraph e amplamente compartilhado nas redes sociais mostra dois suspeitos descendo calmamente do Louvre pelo mesmo elevador acoplado ao caminhão com que entraram, com vista para o rio Sena. A frieza da fuga — sem correria, sem tiros, sem alarmes — reforça a hipótese de que o roubo foi planejado por uma quadrilha altamente especializada.

A polícia francesa ainda não revelou detalhes da investigação, mas fontes próximas ao caso dizem que as autoridades já monitoram possíveis rotas de saída de material precioso pelo porto de Marselha e pelo aeroporto Charles de Gaulle.

O destino provável das joias do Louvre

Se a história servir de guia, as chances de recuperar as joias são pequenas. O mundo da arte tem inúmeros precedentes: peças reais e relíquias históricas roubadas que jamais foram encontradas — muitas, provavelmente, já transformadas em outros objetos.

“Essas joias podem voltar a brilhar”, resume Thompson, “mas não em um museu — e sim no pescoço de alguém que jamais saberá o que carrega.”

 

[ Fonte: TN ]

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