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Tecnologia

O eclipse vai mudar a geração de energia em minutos: veja como a rede pretende compensar

Quando a Lua bloquear o Sol, uma parte importante da geração solar espanhola desaparecerá rapidamente. O sistema elétrico, porém, já está preparado para esse momento incomum.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Enquanto milhões de pessoas estarão olhando para o céu nesta quarta-feira, os operadores da rede elétrica espanhola estarão acompanhando outra coisa: os números que aparecem nas telas dos centros de controle. O eclipse solar de 12 de agosto vai provocar uma mudança repentina na quantidade de energia produzida pelos painéis solares. Parece um cenário perfeito para um problema elétrico, mas o horário do fenômeno pode ser justamente o que evita uma situação mais complicada.

A sombra da Lua vai atingir também a rede elétrica

O eclipse solar total desta quarta-feira atravessará parte do norte da Espanha entre aproximadamente 20h27 e 20h32, no horário local. Em algumas áreas, a escuridão total poderá durar até cerca de um minuto e 40 segundos.

Para quem estiver observando o fenômeno, será um espetáculo astronômico. Para a rede elétrica, entretanto, será um teste bastante diferente.

A Espanha se tornou uma das grandes potências solares da Europa. Milhões de painéis fotovoltaicos dependem diretamente da radiação solar para produzir eletricidade. Quando a Lua encobrir o Sol, essa geração cairá rapidamente nas áreas atingidas pela sombra.

A previsão da Red Eléctrica, responsável pela operação do sistema espanhol, indica uma redução máxima de aproximadamente 5 GW de geração solar na Península Ibérica.

O número impressiona. Essa quantidade de potência equivale a cerca de 13% da demanda máxima registrada em uma quarta-feira típica de agosto.

O desafio não está apenas no tamanho da queda, mas principalmente na velocidade. Uma rede elétrica precisa manter geração e consumo equilibrados praticamente o tempo todo. Se uma grande quantidade de energia solar desaparece em poucos minutos, outras fontes precisam assumir rapidamente essa diferença.

A Red Eléctrica, por isso, desenvolveu modelos capazes de calcular como a sombra lunar avançará por diferentes regiões e quanto isso poderá representar em perda de geração.

Até mesmo as nuvens entram na conta. Se uma área já estiver nublada antes da passagem da Lua, parte da produção fotovoltaica terá diminuído naturalmente e o efeito adicional do eclipse será menor.

O horário do eclipse pode ser a grande vantagem

Existe, porém, um detalhe decisivo que torna este eclipse muito menos preocupante do que poderia parecer.

O fenômeno acontecerá perto do pôr do sol.

Isso significa que a geração fotovoltaica espanhola já estará entrando em sua queda natural no fim do dia. Em vez de interromper uma produção próxima do máximo, o eclipse vai acelerar temporariamente uma redução que aconteceria de qualquer maneira.

O cenário seria bem mais delicado se a mesma passagem da Lua acontecesse ao meio-dia, quando os painéis estariam produzindo muito mais energia.

Outro fator ajuda: o eclipse não coincide com o horário de maior demanda elétrica típico dos dias de verão.

Por isso, apesar da perda momentânea de vários gigawatts, o operador espanhol considera que o impacto será limitado e temporário e não prevê problemas para atender ao consumo.

Nas Ilhas Baleares e Canárias, também não é esperado um efeito significativo sobre a geração fotovoltaica.

Isso não significa que os operadores possam simplesmente observar o fenômeno e esperar que tudo aconteça como previsto. A rede elétrica funciona com margens de segurança justamente para lidar com situações inesperadas.

Durante o eclipse, a Red Eléctrica aumentará as reservas disponíveis e os níveis de segurança, além de manter comunicação constante com centros de geração, distribuição e outros operadores europeus.

A Europa já teve um ensaio para esse tipo de problema

A preocupação não surgiu agora.

Em março de 2015, durante outro eclipse solar, a Europa já tinha cerca de 90 GW de energia fotovoltaica instalada. Naquela época, a ENTSO-E, organização que reúne operadores das redes elétricas europeias, classificou o fenômeno como um verdadeiro teste de resistência para o sistema continental.

A rede conseguiu atravessar o evento sem interrupções graças à preparação antecipada, às reservas adicionais e à coordenação entre os operadores.

Mas havia uma previsão importante naquele relatório: o problema poderia se tornar mais relevante no futuro, à medida que a capacidade solar europeia continuasse crescendo.

Onze anos depois, 2026 chegou com uma quantidade muito maior de energia solar conectada às redes.

O eclipse desta quarta-feira representa, portanto, uma demonstração curiosa de como a transição energética também cria novos desafios. Quanto mais eletricidade vem de fontes dependentes das condições naturais, mais importante se torna prever mudanças rápidas na produção.

Ainda assim, para os consumidores espanhóis, o episódio provavelmente passará despercebido.

Enquanto a Lua esconder o Sol por alguns instantes, outras fontes de geração poderão compensar a redução da energia fotovoltaica. Na prática, o sistema fará algo parecido com o que já acontece todas as tardes: substituir gradualmente a energia solar por outras formas de geração.

A diferença é que, desta vez, a mudança acontecerá de maneira muito mais rápida e poderá ser observada no céu.

O eclipse, portanto, não deve provocar apagões na Espanha. O verdadeiro espetáculo estará acontecendo em paralelo, nos centros de controle: uma rede elétrica inteira se ajustando em tempo real enquanto o Sol desaparece atrás da Lua.

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