Com a eleição de Robert Prevost como novo Papa, agora chamado Leão XIV, os olhares se voltam para o último pontífice que escolheu esse nome: Leão XIII. Seu papado, iniciado em 1878, foi um dos mais longos e inovadores da história da Igreja. Em um momento de transformações políticas e sociais, Leão XIII deixou marcas profundas ao aproximar a doutrina católica dos desafios do mundo moderno. Seu legado inspira até hoje.
Uma escolha com raízes históricas
Uma curiosidade sobre o homenageado Papa Leão XIII:
Nascido em 1810, ele é considerado a pessoa mais velha a ser registrado em filmagem na história da humanidade.
Estas imagens são de 1896, quando ele tinha 86 anos de idade.pic.twitter.com/n7MWtnF0NT
— Gabriel Bauer (@TheGabrielBauer) May 8, 2025
O nome Leão já havia sido adotado por outros papas, principalmente em referência a São Leão Magno (Papa Leão I), reconhecido como Doutor da Igreja e célebre por seu encontro diplomático com Átila, o Huno. Ao escolher “Leão”, Gioacchino Pecci, eleito em 1878, sinalizou desde o início um papado de firmeza doutrinal e ação estratégica.
Leão XIII ocupou o trono de Pedro por 25 anos, até 1903. Seu pontificado buscou reconciliar a tradição eclesial com as exigências do século XIX — um período marcado por revoluções industriais, conflitos ideológicos e tensões entre fé e ciência.
Pai da Doutrina Social da Igreja
O marco mais lembrado de seu pontificado é a encíclica Rerum Novarum (1891), considerada o ponto de partida da Doutrina Social da Igreja. Nesse texto, Leão XIII abordou a questão operária, os direitos dos trabalhadores e a responsabilidade do Estado na promoção da justiça social.
O historiador José Miguel Sardica destaca que Leão XIII deu à Igreja uma voz clara diante do avanço do capitalismo e do socialismo, rejeitando os extremos de ambos e propondo uma via alternativa baseada na dignidade da pessoa e na solidariedade. Foi uma mudança de paradigma: a Igreja passou a se posicionar ativamente sobre questões sociais e econômicas.
Fé e razão como aliadas
Outro eixo fundamental de seu papado foi o diálogo com o pensamento moderno. Leão XIII incentivou o estudo das ciências, promoveu o resgate da filosofia de Tomás de Aquino (com a encíclica Aeterni Patris) e defendeu que fé e razão não se excluem, mas se complementam na busca pela verdade.
Para o teólogo João Décio Passos, o pontífice deu início ao “diálogo oficial” entre Igreja e mundo moderno, abrindo caminhos para a valorização da dignidade humana e a renovação da formação teológica.
Reforma educacional e valorização do clero
Preocupado com a formação dos padres e leigos, Leão XIII reformou o sistema educacional católico, incentivando o estudo da escolástica tomista e aprimorando os seminários. Seu objetivo era preparar melhor a Igreja para enfrentar os desafios intelectuais e espirituais do novo século.
Ele também promoveu a centralidade da autoridade espiritual do Papa, aceitando pragmaticamente a perda dos Estados Pontifícios e fortalecendo a presença diplomática da Santa Sé no cenário internacional.
O Papa do Rosário
Leão XIII ficou conhecido como o “Papa do Rosário”. Entre 1883 e 1898, escreveu doze encíclicas sobre essa oração, defendendo seu uso como ferramenta de contemplação e fortaleza espiritual. Textos como Supremi Apostolatus Officio e Laetitiae Sanctae destacam a importância dessa prática para a vida cristã em tempos de provações.
Para Leão XIII, o Rosário não era apenas uma devoção privada, mas uma arma espiritual diante das crises do mundo.
Fonte: G1.Globo