Com apenas 444 km² de território, Curaçao é menor que a cidade de São Paulo e mesmo assim está brilhando nas Eliminatórias da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe). Na primeira fase, o time venceu Haiti, Barbados, Santa Lúcia e Aruba — quatro vitórias em quatro jogos e liderança do Grupo C com 12 pontos.
Agora, na segunda fase, ocupa a vice-liderança do Grupo B, com quatro pontos em dois jogos. O líder é a Jamaica, com seis. O duelo entre as duas seleções, nesta sexta-feira (10/10), em Willemstad, capital de Curaçao, pode definir o futuro da equipe. Uma vitória em casa colocaria o país caribenho muito perto da classificação direta.
Pelo regulamento, apenas o primeiro colocado de cada grupo garante vaga direta na Copa. O segundo ainda pode sonhar por meio da repescagem.
O time que desafia as probabilidades

Curaçao pode não ter craques mundialmente famosos, mas o elenco mostra talento e disciplina. O artilheiro das Eliminatórias é Gervane Kastaneer, com cinco gols — ele joga na Indonésia, pelo Persis Solo. Outro destaque é Rangelo Janga, do FC Eindhoven, da segunda divisão holandesa.
Há também nomes que atuam em ligas europeias:
- Armando Obispo, zagueiro do PSV (Holanda);
- Juninho Bacuna, meia do Gazisehir Gaziantep (Turquia);
- Tyrese Noslin, meia do Telstar (Holanda);
- Tahith Chong, atacante do Sheffield United (Inglaterra).
No comando técnico está uma verdadeira lenda do futebol: Dick Advocaat, ex-treinador da seleção holandesa e de clubes como PSV, Rangers, Zenit, Feyenoord e Fenerbahçe. Aos 77 anos, o técnico assumiu Curaçao em 2024 e tenta escrever o capítulo mais ousado da carreira — levar uma seleção “nanica” ao maior torneio do planeta.
O peso da história e o sonho da estreia
Se conseguir a classificação, Curaçao vai estrear em uma Copa do Mundo pela primeira vez. E não estará sozinha entre os novatos: Uzbequistão e Jordânia também garantiram suas estreias no Mundial de 2026, que terá 48 seleções, o maior número da história.
A façanha teria um valor simbólico enorme. Curaçao é uma ex-colônia holandesa, que se tornou autônoma em 2010. Hoje, mantém laços políticos com o Reino dos Países Baixos, mas tem governo, moeda e bandeira próprios. A seleção é, portanto, uma forma de afirmar a identidade nacional em campo — um orgulho para um país que caberia inteiro dentro de Belo Horizonte.
“Para um país tão pequeno, disputar uma Copa já seria como conquistar um título”, comentam jornalistas locais.
Um Caribe que quer ser gigante
O crescimento do futebol em Curaçao é parte de um movimento maior no Caribe, onde pequenas ilhas estão investindo em formação de base e treinadores experientes. O sucesso de Curaçao nas Eliminatórias inspira outras seleções da região — como Trinidad e Tobago, Haiti e Jamaica — a sonhar mais alto.
Com Dick Advocaat à frente e um grupo motivado, a equipe aposta na disciplina tática e no espírito coletivo. E se depender do entusiasmo da torcida no estádio Ergilio Hato, o “caldeirão azul” de Willemstad, os jamaicanos terão uma noite difícil.
Curaçao pode não ter a força de seleções históricas, mas já conquistou algo raro: a admiração dos amantes do futebol por provar que paixão, estratégia e união podem ser tão poderosos quanto dinheiro ou tradição. E quem sabe, em 2026, o pequeno país caribenho não faça o mundo inteiro decorar seu nome?
[Fonte: No ataque]