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Ciência

O que a música faz com o seu cérebro? Estudo revela como músicos controlam melhor a atenção

Pesquisadores do Instituto Karolinska e do MIT descobriram que pessoas com formação musical apresentam respostas cerebrais únicas diante de ambientes barulhentos. A prática musical ativa regiões específicas do cérebro, reduz distrações e fortalece a atenção consciente em situações de alta demanda auditiva.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em um restaurante cheio ou em uma reunião barulhenta, alguns conseguem se concentrar apenas na voz que importa, como se desligassem o ruído ao redor. Essa habilidade, comum entre pessoas com formação musical, acaba de ser mapeada em detalhe por um estudo publicado na revista Science Advances. O trabalho mostra como a prática musical aprimora mecanismos cerebrais ligados ao foco e ao controle consciente da atenção.

Música e cérebro: mais que audição

Cerebro Predice O Futuro 1
© Freepik

Segundo os pesquisadores, indivíduos treinados em música apresentam maior capacidade de manter a atenção seletiva em meio a estímulos simultâneos. Isso significa que conseguem acompanhar uma melodia ou uma conversa mesmo quando sons competitivos estão acontecendo ao mesmo tempo.

O segredo está no fortalecimento de redes neurais específicas, que diferenciam a atenção consciente — conhecida como “top-down” — da atenção automática ou involuntária, chamada de “bottom-up”. Enquanto a primeira ajuda a manter o foco, a segunda é responsável por desviar a atenção para sons inesperados.

O experimento

Dois grupos de voluntários participaram do estudo: 28 pessoas em um grupo e 20 em outro. Eles ouviram duas melodias sobrepostas e tinham que identificar mudanças de tom em apenas uma delas. Para registrar as reações do cérebro, os cientistas usaram magnetoencefalografia (MEG) combinada a um método chamado etiquetagem de frequência, que permite isolar a resposta neuronal de cada som.

Os resultados foram claros: pessoas com maior musicalidade mostraram ativação mais intensa na região parietal esquerda, ligada à atenção orientada por objetivos, e menor atividade na região parietal direita, associada à distração por estímulos irrelevantes.

A neurociência da concentração

A autora principal, Cassia Low Manting, do Instituto Karolinska, explica que o treinamento musical fortalece o cérebro para resistir a distrações. “A música não melhora apenas a audição, mas também a capacidade de manter a atenção ao longo do tempo”, afirmou.

O estudo também revelou que músicos apresentam maior atividade no córtex pré-frontal, área considerada o centro de controle da atenção. Essa ativação extra ajuda a filtrar sons sobrepostos e manter o foco por períodos prolongados.

Aplicações possíveis

Os achados vão além da música. Pesquisadores acreditam que o treinamento musical pode ser explorado em educação e reabilitação cognitiva, como ferramenta para melhorar foco, memória e controle de atenção em pessoas com dificuldades de concentração.

Outra descoberta interessante foi que participantes com maior experiência musical adotaram estratégias organizadas para gerir a atenção, o que se refletiu em melhor desempenho. Isso sugere que a prática não só molda o cérebro, mas também ensina métodos práticos para lidar com ambientes caóticos.

Limitações e próximos passos

Apesar dos avanços, os cientistas alertam: o estudo não prova de forma definitiva que o treinamento musical causa essas mudanças, apenas mostra uma forte correlação. Para confirmar o impacto real da prática musical, serão necessários estudos de longo prazo ou experimentos intervencionistas.

O time também recomenda investigar se tocar instrumentos específicos afeta a capacidade de ignorar sons relacionados a eles, além de explorar a base neuroquímica dessas diferenças com técnicas como a ressonância magnética espectroscópica.

Música como treino cerebral

Música Na Sua Rotina
© ANTONI SHKRABA Production – Pexels

Mesmo sem respostas finais, o estudo reforça a ideia de que aprender música é mais do que desenvolver habilidades artísticas: é também uma forma de treinar o cérebro para resistir a distrações e manter o foco em ambientes desafiadores.

No fim, a prática musical pode ser vista como um exercício para a mente — afinando, como uma orquestra, os circuitos cerebrais que nos permitem dar atenção ao que realmente importa.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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