Pular para o conteúdo
Ciência

O que há dentro da Lua? O surpreendente achado que revela sua estrutura interna

Graças a dados sísmicos e medições gravitacionais, cientistas confirmaram que a Lua tem um núcleo sólido em seu interior. A descoberta ajuda a entender a formação do satélite e oferece pistas sobre a evolução do sistema solar.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Desde as primeiras observações de civilizações antigas até as missões Apollo, a Lua sempre foi alvo de curiosidade e mistério. Saber o que há sob sua superfície era uma pergunta sem resposta definitiva — até agora. Um novo estudo internacional trouxe evidências sólidas de que o satélite da Terra tem uma estrutura interna mais complexa do que se imaginava.

Um núcleo sólido no coração da Lua

Lua
© iStock

A pesquisa, liderada por Arthur Briaud, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, revelou que a Lua possui um núcleo dividido em duas camadas:

  • uma região externa líquida,

  • e um núcleo interno sólido, com densidade semelhante à do ferro.

Segundo o modelo elaborado pelos cientistas, o núcleo sólido tem cerca de 258 km de raio, enquanto a camada líquida mede aproximadamente 362 km. Isso representa cerca de 15% do raio total da Lua.

O achado confirma uma hipótese que circulava há décadas, mas que ainda carecia de comprovação.

Como foi feita a descoberta

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores combinaram diferentes métodos:

  • dados sísmicos coletados em missões passadas,

  • medições de gravidade,

  • e observações precisas da distância entre a Terra e a Lua.

Esse conjunto de informações permitiu criar um modelo tridimensional da estrutura interna lunar. O que antes era apenas especulação ganhou agora robustez científica.

O campo magnético perdido

Os dados também sugerem que, nos primeiros mil milhões de anos de sua história, a Lua teve um campo magnético intenso, gerado pela atividade em seu núcleo. Esse campo, no entanto, desapareceu à medida que o interior do satélite esfriou e perdeu parte de sua dinâmica.

Essa informação é essencial porque ajuda a reconstruir a evolução da Lua e, por extensão, a compreender melhor os processos de formação de outros corpos celestes do sistema solar.

Impacto científico e futuro das missões lunares

Compreender a estrutura interna da Lua vai além da curiosidade científica. O conhecimento pode ter impactos diretos em áreas como:

  • Planejamento de missões espaciais: entender a estabilidade geológica do satélite é fundamental para futuras bases lunares.

  • Exploração de recursos: dados sobre o núcleo e a crosta podem indicar potenciais reservas de minerais e compostos úteis para exploração espacial.

  • Astrofísica comparativa: a Lua funciona como um laboratório natural para estudar a evolução de planetas e satélites semelhantes.

Segundo os cientistas, esse avanço marca um passo importante na resolução de um debate que dividia a comunidade científica desde os anos 1970.

A Lua como laboratório natural

Para além de sua importância cultural e simbólica, a Lua continua a desempenhar um papel central na ciência moderna. Cada descoberta sobre sua origem, composição e dinâmica oferece pistas valiosas sobre a história da Terra e do próprio sistema solar.

Confirmar a existência de um núcleo sólido abre novas linhas de investigação: desde a simulação de campos magnéticos antigos até a análise das condições necessárias para a formação de satélites rochosos.

Em outras palavras, olhar para dentro da Lua é também olhar para o passado da humanidade e para o futuro da exploração espacial.

 

[ Fonte: Canal26 ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados