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Ciência

O segredo do café pode estar em um mecanismo que protege as células, revela novo estudo

Pesquisadores descobriram que compostos presentes no café ativam um receptor ligado à proteção celular. A descoberta pode ajudar a explicar por que a bebida está associada à longevidade.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Há décadas, estudos sugerem que quem toma café regularmente tende a viver mais e apresentar menor risco de desenvolver diversas doenças crônicas. Mas uma pergunta permanecia sem resposta: por que isso acontece? Agora, uma pesquisa da Universidade Texas A&M identificou um possível mecanismo biológico que pode explicar parte desses benefícios e colocar o café novamente no centro das discussões sobre envelhecimento saudável.

Cientistas encontraram uma pista para explicar os benefícios do café

O segredo do café pode estar em um mecanismo que protege as células, revela novo estudo
© Unsplash

O café já foi alvo de inúmeras pesquisas relacionando seu consumo a uma menor incidência de doenças neurodegenerativas, problemas metabólicos e até alguns tipos de câncer.

Apesar dessas associações aparecerem repetidamente em grandes estudos populacionais, os cientistas ainda buscavam compreender exatamente como a bebida exercia esses efeitos no organismo.

Foi justamente essa lacuna que motivou pesquisadores do Texas A&M College of Veterinary Medicine and Biomedical Sciences.

O estudo, publicado na revista Nutrients, aponta que determinados compostos naturais presentes no café conseguem ativar um receptor celular chamado NR4A1.

Esse receptor funciona como uma espécie de regulador biológico envolvido na resposta ao estresse, no controle da inflamação, na reparação de tecidos e em processos relacionados ao envelhecimento.

Segundo os pesquisadores, essa interação pode representar uma das principais explicações para os efeitos positivos frequentemente associados ao consumo da bebida.

O receptor funciona como um sistema de defesa das células

O segredo do café pode estar em um mecanismo que protege as células, revela novo estudo
© Unsplash

O NR4A1 pertence a uma família de receptores nucleares responsáveis por controlar a atividade de diversos genes quando o organismo sofre algum tipo de dano.

Em pesquisas anteriores, a equipe já havia mostrado que esse receptor atua como um verdadeiro sensor de nutrientes, reagindo a compostos presentes na alimentação.

De acordo com o professor Stephen Safe, um dos autores do estudo, praticamente qualquer tecido lesionado ativa esse mecanismo de defesa.

Quando o receptor está funcionando normalmente, ele ajuda a reduzir os danos celulares.

Nos experimentos realizados pelos pesquisadores, a ausência do NR4A1 fez com que os prejuízos às células fossem significativamente maiores.

Isso reforça a importância dessa proteína na proteção do organismo.

Além disso, o receptor também participa de processos ligados ao metabolismo, à inflamação e à regeneração de tecidos, fatores diretamente relacionados ao desenvolvimento de doenças associadas ao envelhecimento.

A cafeína pode não ser a principal responsável pelos efeitos positivos

Uma das descobertas mais curiosas da pesquisa envolve justamente o ingrediente mais famoso do café.

Embora a cafeína também consiga interagir com o receptor NR4A1, seu efeito foi relativamente discreto nos modelos analisados.

Quem realmente chamou a atenção dos cientistas foram os compostos polifenólicos e polihidroxilados presentes naturalmente no café.

Entre eles está o ácido cafeico, encontrado não apenas na bebida, mas também em diversas frutas, verduras e outros alimentos de origem vegetal.

Essas substâncias demonstraram uma capacidade muito maior de ativar o receptor.

Nos experimentos de laboratório, essa ativação reduziu danos celulares e desacelerou o crescimento de células cancerígenas.

Quando os pesquisadores removeram o receptor NR4A1 das células, esses efeitos desapareceram completamente.

Isso fortalece a hipótese de que ele desempenha um papel central em parte dos benefícios observados.

A descoberta também ajuda a entender por que estudos anteriores encontraram vantagens semelhantes tanto para quem consome café tradicional quanto para quem prefere versões descafeinadas.

A pesquisa não significa que o café previne doenças

Apesar dos resultados promissores, os próprios autores fazem questão de destacar que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas.

O estudo não comprova que beber café previne câncer, Alzheimer, Parkinson ou outras doenças.

Também não estabelece uma relação direta de causa e efeito em seres humanos.

O trabalho identificou um mecanismo biológico que pode explicar parte das associações observadas em pesquisas anteriores.

Segundo Stephen Safe, o café possui uma composição química extremamente complexa.

Centenas de substâncias diferentes interagem com diversos receptores do organismo ao mesmo tempo.

O NR4A1 pode ser apenas um dos caminhos envolvidos nesses benefícios.

Agora, os pesquisadores pretendem investigar com mais profundidade a importância dessa interação e avaliar até que ponto ela influencia a saúde ao longo da vida.

A descoberta pode abrir caminho para novos medicamentos

Os resultados não interessam apenas aos amantes do café.

Como o receptor NR4A1 participa de vários processos relacionados ao envelhecimento e a doenças crônicas, ele também pode se tornar um alvo para futuros tratamentos.

A equipe da Universidade Texas A&M já trabalha no desenvolvimento de compostos sintéticos capazes de ativar esse receptor de maneira ainda mais eficiente do que as substâncias naturais encontradas na alimentação.

O objetivo é investigar possíveis aplicações no tratamento de câncer, doenças neurodegenerativas e distúrbios metabólicos.

Enquanto essas pesquisas avançam, o novo estudo reforça uma ideia que ganha cada vez mais força na ciência.

A alimentação influencia diretamente mecanismos celulares complexos que determinam como envelhecemos e como nosso organismo responde ao estresse.

No caso do café, talvez o maior segredo nunca tenha sido a cafeína, mas um conjunto de compostos naturais que trabalham silenciosamente para proteger nossas células.

[Fonte: Cadena3]

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