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Ciência

O telescópio James Webb aponta para um visitante interestelar e encontra um fóssil cósmico quase tão antigo quanto o universo

O cometa 3I/ATLAS pode ter entre 10 e 12 bilhões de anos, segundo novas análises. Isso o coloca entre os objetos mais antigos já observados. Mais do que um visitante curioso, ele pode revelar como eram os primeiros ambientes onde estrelas e planetas começaram a surgir.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A passagem de objetos interestelares pelo Sistema Solar já é, por si só, um evento raro. Mas o cometa 3I/ATLAS elevou esse fenômeno a outro nível. Detectado cruzando nossa vizinhança cósmica em alta velocidade, ele chamou atenção por sua origem externa. Agora, novas observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb indicam algo ainda mais impressionante: sua idade pode remontar aos primórdios da galáxia.

Um visitante que vem de muito longe — e de muito antes

3I/Atlas não é alienígena: ciência descarta sinais artificiais
© https://x.com/dylancambel

Desde sua descoberta, os astrônomos já suspeitavam que 3I/ATLAS não era um cometa comum. Sua trajetória indicava claramente que ele não se formou no Sistema Solar.

As observações realizadas pelo James Webb no final de 2025 permitiram analisar os gases liberados pelo objeto durante sua aproximação do Sol — um processo conhecido como sublimação. Esse fenômeno acontece quando o gelo do cometa se transforma diretamente em gás, liberando informações químicas preciosas sobre sua origem.

Foi a partir desses dados que os cientistas conseguiram estimar sua idade: entre 10 e 12 bilhões de anos.

Para comparação, a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos.

Um dos objetos mais antigos já observados

Se confirmada, essa idade faz do 3I/ATLAS um verdadeiro fóssil cósmico. Ele pode ter se formado quando a Via Láctea ainda estava em seus primeiros estágios — e quando o universo era muito mais jovem.

O estudo dos isótopos presentes nos gases do cometa foi decisivo. Segundo o pesquisador Romain Maggiolo, do Instituto Real Belga de Aeronomia Espacial, a composição química do objeto é muito diferente daquela encontrada em cometas do nosso sistema.

Isso indica não apenas uma origem externa, mas também um ambiente de formação completamente distinto.

Pistas sobre os primeiros ambientes da galáxia

Os dados sugerem que o cometa se formou em um ambiente extremamente frio, com temperaturas próximas de 30 Kelvin (cerca de -243°C), dentro de um disco protoplanetário denso e protegido.

Outro detalhe que chamou atenção foi a presença de água enriquecida em deutério, além de proporções incomuns de carbono. Esses elementos apontam para processos químicos diferentes dos que conhecemos no Sistema Solar.

Para os cientistas, isso abre uma possibilidade fascinante: a química prebiótica — os processos que podem dar origem aos blocos da vida — pode ter começado muito antes do que se imaginava.

Um mensageiro de outra época

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já detectado cruzando o Sistema Solar. Isso, por si só, já o tornaria especial.

Mas sua idade o transforma em algo ainda mais raro: uma cápsula do tempo que carrega informações sobre os primeiros bilhões de anos da galáxia.

No entanto, rastrear sua origem exata é praticamente impossível. Após bilhões de anos vagando pelo espaço e sendo bombardeado por radiação cósmica, sua trajetória original se perdeu.

Uma janela que está se fechando

O cometa fez sua maior aproximação do Sol em outubro de 2025 e passou relativamente perto da Terra em dezembro do mesmo ano. Desde então, já está se afastando rapidamente.

Atualmente, segue em direção às regiões externas do Sistema Solar e deve cruzar as órbitas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno nos próximos anos.

Isso significa que o tempo para estudá-lo é limitado.

O que esse achado pode mudar

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© https://x.com/Ammar1176708

Mesmo com as incertezas, o 3I/ATLAS já se tornou uma peça-chave para entender a formação de estrelas, planetas e moléculas complexas no universo primitivo.

Ele reforça uma ideia que ganha força na astronomia moderna: muitos dos ingredientes fundamentais da vida podem ter surgido muito cedo na história cósmica — e talvez estejam espalhados por toda a galáxia.

No fim das contas, esse cometa não é apenas um visitante. É um mensageiro de um passado que ainda estamos começando a compreender.

 

[ Fonte: El Confidencial ]

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