Leão XIV, primeiro pontífice norte-americano, reforçou que “todos são bem-vindos” na Igreja, mas deixou claro que o ensinamento oficial permanecerá como está. Ele afirmou que não pretende promover mudanças doutrinárias que possam acentuar divisões internas.
“Os indivíduos serão aceitos e recebidos. Todos, todos, todos são bem-vindos. Mas não por ser de uma identidade específica”, declarou.
Francisco havia dado passos inéditos em direção à inclusão, como a autorização para que padres abençoassem casais homoafetivos em 2023. Leão XIV garantiu que não pretende recuar nesses avanços, mas também não pretende ampliar essa abertura.
Mulheres na Igreja: espaço no alto escalão, mas sem ordenação

Sobre a presença feminina no Vaticano, o papa indicou que seguirá o caminho aberto por Francisco, nomeando mais mulheres para cargos de gestão. No entanto, descartou discutir a ordenação de mulheres, reivindicação histórica de setores católicos.
“O tópico se torna polêmico quando a pergunta específica é feita sobre a ordenação. No momento, não tenho a intenção de mudar o ensinamento da Igreja sobre o assunto”, disse.
Mesmo com avanços recentes, mulheres seguem sem participação no comando direto da Igreja, apesar de representarem mais da metade dos 1,3 bilhão de fiéis no mundo.
Política internacional: cautela com Trump e Gaza
O papa também comentou sobre a crise em Gaza e o cenário político dos EUA, mas adotou postura cautelosa. Disse que a Santa Sé não reconhece o termo genocídio no conflito e evitou críticas diretas a Israel ou ao presidente norte-americano Donald Trump.
Ele revelou ter discutido a repressão a imigrantes em encontro com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em maio: “Falei sobre a dignidade humana e como isso é importante para todas as pessoas, independentemente de onde nasceram”.
Ao contrário de Francisco, que frequentemente fazia declarações incisivas sobre líderes globais como Trump e Putin, Leão XIV parece adotar um tom mais reservado e institucional.
Abusos e finanças do Vaticano

O papa reafirmou a tolerância zero com abusos sexuais, mas expressou preocupação com possíveis falsas acusações contra padres. Também comentou sobre as finanças do Vaticano, que registram déficit de 83 milhões de euros (cerca de R$ 518 milhões).
Apesar da situação, afirmou que a gestão financeira vem melhorando: “Não acho que a crise tenha acabado… mas não estou perdendo o sono por causa dela”.
As primeiras declarações de Leão XIV confirmam as previsões de especialistas: seu papado tende a preservar o legado social e humanista de Francisco, mas sem promover rupturas ou novas reformas estruturais. Resta ver se essa postura será capaz de manter unidade em uma Igreja marcada por tensões entre tradição e demandas por mudança.
[Fonte: G1 – Globo]