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Ciência

Por que encontrar o tratamento adequado para a depressão pode levar tempo

Existem tratamentos eficazes para a depressão, mas a resposta varia entre pacientes. Algumas pessoas melhoram com a primeira estratégia, enquanto outras precisam de ajustes. Estudos investigam alternativas capazes de acelerar a redução dos sintomas. Ainda assim, acompanhar a evolução e escolher o tratamento conforme cada caso continuam sendo partes essenciais do cuidado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Começar um tratamento para a depressão pode trazer esperança e uma expectativa difícil de administrar: quando a melhora vai aparecer? A resposta depende da estratégia utilizada e das características de cada pessoa. Alguns medicamentos levam semanas para apresentar benefícios mais completos, e nem sempre a primeira opção alcança o resultado esperado. Por isso, o acompanhamento permite avaliar sintomas, tolerabilidade e a necessidade de mudar o plano terapêutico.

Melhorar e alcançar remissão são resultados diferentes

Depressão
© Ken Stocker

Um estudo importante nessa discussão é o STAR*D, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos. A pesquisa avaliou etapas sucessivas de tratamento em pessoas com depressão maior.

Na primeira etapa, aproximadamente um terço dos participantes alcançou remissão. Outros 10% a 15% apresentaram uma resposta ao tratamento, mas continuaram com sintomas suficientes para não atingir esse resultado.

A distinção ajuda a interpretar os números. Responder significa apresentar uma melhora relevante; alcançar remissão envolve uma redução dos sintomas até os critérios definidos pelo estudo.

Portanto, dizer que apenas um terço respondeu à primeira estratégia seria impreciso. Parte dos participantes melhorou sem alcançar remissão. Além disso, os resultados descrevem aquela população e aquele protocolo, sem determinar o que acontecerá com cada paciente. 

O tempo de resposta exige acompanhamento

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, antidepressivos podem produzir alguma melhora nas primeiras semanas. Os benefícios mais completos, porém, podem levar dois a três meses.

Quando a resposta é insuficiente, o profissional pode avaliar ajustes de dose, troca de medicamento ou outras combinações. A escolha depende também dos efeitos adversos e da evolução clínica.

Esse intervalo não deve ser entendido como uma espera sem acompanhamento. Consultas permitem verificar o que mudou e identificar dificuldades que precisam de atenção. Alterar ou suspender a medicação por conta própria pode prejudicar o cuidado. 

Novas combinações investigam outros mecanismos

Depressão 1
© PeopleImages.com – Yuri A

Entre as alternativas estudadas está a combinação de dextrometorfano e bupropiona, que atua sobre diferentes mecanismos neuroquímicos, incluindo o sistema relacionado ao glutamato.

No ensaio clínico GEMINI, 39,5% dos participantes que receberam a combinação alcançaram remissão após seis semanas. No grupo placebo, o percentual foi de 17,3%. Os pesquisadores observaram diferenças na redução dos sintomas desde a primeira semana.

Outro estudo, o ASCEND, comparou a combinação com bupropiona isolada. Na sexta semana, as taxas de remissão foram de 46,5% e 16,2%, respectivamente.

Os resultados ampliam as evidências sobre essa opção, mas precisam ser interpretados dentro das condições dos ensaios. Não garantem melhora rápida para todas as pessoas nem demonstram que a combinação seja adequada a qualquer paciente. 

O cuidado vai além da escolha do medicamento

A Organização Mundial da Saúde destaca que existem tratamentos psicológicos eficazes, como terapia cognitivo-comportamental, ativação comportamental e psicoterapia interpessoal.

Em quadros moderados e graves, essas abordagens podem ser combinadas com antidepressivos. A decisão deve considerar a intensidade dos sintomas, as preferências da pessoa, os possíveis efeitos adversos e o acesso ao atendimento. 

Encontrar a estratégia adequada pode exigir mais de uma tentativa. Isso não elimina a possibilidade de recuperação. O objetivo é acompanhar a redução dos sintomas e a retomada da vida cotidiana, ajustando o cuidado conforme a resposta individual.

 

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