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Japão transforma fraldas usadas em matéria-prima para enfrentar o lixo de uma população que envelhece

O envelhecimento da população japonesa criou um desafio que vai além da saúde e das aposentadorias: o descarte de fraldas para adultos. Empresas e municípios estão desenvolvendo sistemas para recuperar seus materiais e fabricar novos produtos. A iniciativa já saiu dos laboratórios, mas enfrenta obstáculos relacionados à coleta, aos custos e ao consumo de água.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Menos nascimentos não significam necessariamente menos fraldas no lixo. No Japão, o aumento da demanda por produtos para incontinência acompanha o envelhecimento da população. Esses itens cumprem uma função importante no cuidado diário, mas também exigem soluções para o descarte. A resposta em desenvolvimento envolve separar materiais, eliminar a contaminação e devolver parte dos componentes à indústria, inclusive para produzir novas fraldas.

A mudança demográfica também aparece no lixo

Segundo os dados oficiais do governo japonês, divulgados em setembro de 2026, o país tem 36,24 milhões de pessoas com 65 anos ou mais. Elas representam 29,6% da população, a maior proporção já registrada.

Esse cenário ajuda a entender por que a queda da natalidade não elimina a demanda por produtos absorventes. Parte da população adulta precisa deles para lidar com a incontinência, em casa ou em instituições de cuidado.

A transformação demográfica, portanto, também altera o perfil dos resíduos. Fraldas para adultos são maiores que as infantis e precisam ser substituídas regularmente. Seu descarte passa a fazer parte dos desafios de infraestrutura de uma sociedade que envelhece. 

Como uma fralda usada pode virar outra

Fralda
© Getty Images

A fabricante Unicharm desenvolveu um sistema que procura recuperar os componentes das fraldas descartadas. O projeto envolve municípios como Shibushi e Osaki, na província de Kagoshima, onde foram organizadas estruturas de coleta.

No processo de reciclagem descrito pela empresa, as fraldas são trituradas, lavadas e separadas por material. Entre os componentes recuperados estão a celulose e o polímero superabsorvente, responsável por reter líquidos.

A celulose recebe um tratamento com ozônio para destruir bactérias. Já o polímero passa por um tratamento ácido que restaura sua capacidade de absorção. Segundo a fabricante, os procedimentos permitem reutilizar esses materiais com condições adequadas de higiene e segurança.

O objetivo é aproveitar novamente recursos que seriam descartados. Como a celulose vem da madeira, sua recuperação também pode reduzir a necessidade de matéria-prima nova. 

A experiência já chegou a produtos de uso diário

Em junho de 2022, instituições de cuidado em Kagoshima começaram a utilizar fraldas para adultos que incorporavam material reciclado em parte de sua estrutura absorvente.

A iniciativa representa uma mudança no destino desse resíduo: componentes de uma fralda usada voltam a cumprir a mesma função em um produto novo.

Posteriormente, a empresa ampliou as aplicações para itens destinados a bebês e animais de estimação. O avanço mostra que recuperar os materiais é tecnicamente possível, embora ampliar o sistema exija uma rede capaz de recolher, transportar e processar os produtos descartados. 

A reciclagem também precisa gastar menos água

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© Pexels

Um dos obstáculos está no próprio tratamento. A lavagem convencional utiliza muita água, o que influencia o tamanho das instalações, os custos e a possibilidade de expansão.

Para enfrentar esse limite, a Unicharm anunciou uma parceria com a Fuji Clean para desenvolver um método de limpeza com menor consumo de água. A proposta utiliza um solvente reutilizável, combinado com técnicas de esterilização e branqueamento.

A meta é consumir aproximadamente um quinquagésimo da água exigida pelo método convencional. Trata-se de uma tecnologia em desenvolvimento: o cronograma anunciado prevê construir uma instalação em escala completa em 2028 e iniciar sua operação em 2029.

O desafio japonês mostra que o envelhecimento também exige mudanças na gestão dos resíduos. Para ampliar a reciclagem de fraldas, será necessário combinar segurança sanitária, coleta eficiente e processos que usem menos recursos.

 

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