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Ciência

Pressão alta na infância: um alerta que pode cobrar caro no futuro

Um estudo com mais de 38 mil crianças nos Estados Unidos trouxe um alerta preocupante: a pressão arterial elevada ainda na infância pode aumentar em até 50% o risco de morte por doenças cardíacas antes dos 55 anos. O monitoramento precoce, segundo os especialistas, pode ser tão importante quanto vacinas ou acompanhamento do crescimento infantil.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A pesquisa que acendeu o sinal vermelho

O trabalho, publicado na revista JAMA e apresentado nas Sessões Científicas de Hipertensão 2025 da Associação Americana do Coração, acompanhou 38.252 crianças durante décadas. Os resultados revelaram que até mesmo valores de pressão apenas um pouco acima da média — sem configurar hipertensão — já elevam o risco cardiovascular a longo prazo.

De acordo com a pesquisadora Alexa Freedman, da Universidade Northwestern, “crianças cuja pressão está apenas levemente acima do esperado já apresentam um risco aumentado”.

Principais achados

Os dados mostraram que:

  • Crianças com pressão alta aos 7 anos tiveram 40% mais risco de morrer por doenças cardíacas na vida adulta.

  • Quando o diagnóstico foi de hipertensão infantil, o risco subiu para 50%.

  • Mesmo valores classificados como “normais altos” elevaram o risco em 13% (pressão sistólica) e 18% (pressão diastólica).

O acompanhamento de mais de meio século demonstrou que o impacto não aparece de imediato, mas se acumula silenciosamente ao longo da vida.

A importância de medir a pressão desde cedo

A Academia Americana de Pediatria recomenda medir a pressão arterial anualmente a partir dos 3 anos. Na prática, porém, essa rotina nem sempre é seguida. Bonita Falkner, especialista em medicina e pediatria, destaca que os resultados do estudo “reforçam a necessidade de incluir a pressão arterial como um indicador essencial na saúde infantil”.

No Brasil, médicos como Luis Pompozzi, do Hospital Garrahan, reforçam o alerta: “Hipertensão não é apenas um problema de adultos; ela também afeta crianças e adolescentes e deve ser encarada como fator modificável ao longo da vida”.

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© FreePik

O que pode ser feito em casa

As medidas de prevenção são conhecidas, mas precisam ser incorporadas com mais disciplina no dia a dia das crianças:

  • Reduzir o consumo de sal e gorduras.

  • Aumentar a ingestão de frutas, verduras e legumes.

  • Estimular a prática de atividades físicas regulares.

  • Evitar o contato com tabaco e nicotina no ambiente familiar.

  • Manter o peso dentro de faixas saudáveis.

Um chamado urgente

O estudo da JAMA deixa claro que a pressão alta infantil não pode ser ignorada. A hipertensão pode se instalar sem sintomas, mas deixar marcas permanentes no coração. Assim como o peso e as vacinas fazem parte dos cuidados pediátricos de rotina, medir a pressão das crianças deve ser uma prioridade. Afinal, a saúde do coração adulto começa a ser protegida ainda na infância.

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