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Tecnologia

IA agora também quer ocupar os discos de vinil — e a Suno já prepara o serviço

Em uma época marcada por assinaturas digitais, streaming e pela redução da posse de produtos físicos, os discos de vinil sobreviveram como um símbolo de resistência. Colecionar um álbum ainda significa tocar a capa, observar a arte, colocar o disco na vitrola e realmente possuir aquela música.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Agora, porém, a inteligência artificial também está chegando a esse formato. A Suno, plataforma conhecida por gerar músicas completas a partir de comandos de texto, prepara um serviço para transformar faixas criadas por IA em discos físicos enviados diretamente para a casa dos usuários.

Suno permitirá gravar músicas de IA em vinil

O novo serviço, chamado Suno Vinyl, ainda não foi oficialmente lançado. Entretanto, a empresa já disponibilizou uma página para interessados entrarem em uma lista de espera.

Segundo as informações divulgadas, o usuário poderá selecionar músicas criadas pela plataforma, organizar as faixas e encomendar um disco de vinil personalizado.

O produto deverá custar US$ 45, sem incluir o frete. Cada disco poderá armazenar até 46 minutos de áudio, distribuídos entre os dois lados.

Também será possível utilizar uma imagem própria na capa ou gerar a arte com inteligência artificial. Dessa forma, praticamente todo o processo de criação do álbum poderá ser automatizado: músicas, letras, vozes, instrumentos e identidade visual.

A Suno afirma que as primeiras unidades produzidas serão destinadas às pessoas inscritas na lista de espera. A companhia ainda não revelou uma data exata para o início das encomendas.

Disco será produzido com material PETG

A única opção apresentada até agora é um disco preto de 12 polegadas fabricado em PETG, um tipo de plástico termoplástico que a empresa descreve como ambientalmente responsável.

O anúncio, no entanto, reacendeu críticas sobre o impacto ambiental da inteligência artificial. Plataformas generativas dependem de grandes centros de dados, que consomem energia e água para operar e resfriar seus equipamentos.

Além do processamento necessário para gerar músicas e imagens, o serviço acrescentará a fabricação de um objeto físico, a embalagem e o transporte até o consumidor.

Nesse sentido, o vinil produzido pela Suno representa uma curiosa inversão. Um formato valorizado justamente por sua materialidade passará a armazenar músicas criadas de forma quase instantânea e inteiramente digital.

Plataforma enfrenta acusações sobre direitos autorais

A chegada da Suno aos discos físicos também amplia uma discussão que acompanha a empresa desde seu lançamento.

Gravadoras e artistas acusam plataformas de música generativa de treinar seus sistemas com gravações protegidas por direitos autorais sem autorização. A Suno afirma que sua tecnologia cria faixas novas, mas evita revelar em detalhes todo o material utilizado durante o treinamento.

Críticos argumentam que essas ferramentas dependem do trabalho de músicos reais para aprender estruturas, estilos, melodias, timbres e formas de produção. Depois, oferecem ao público a possibilidade de gerar músicas semelhantes em poucos segundos.

Por isso, a ideia de prensar essas faixas em vinil não é vista apenas como uma novidade comercial. Para parte da indústria musical, ela representa a transformação de obras derivadas de treinamento controverso em produtos físicos vendidos diretamente ao consumidor.

CEO da Suno já criticou a dificuldade de produzir música

A visão da empresa sobre a criação artística também desperta resistência entre músicos.

Mikey Shulman, CEO da Suno, já afirmou que produzir música atualmente não é uma experiência muito agradável porque exige tempo, prática e domínio de instrumentos ou programas de produção.

A declaração foi criticada por tratar justamente o aprendizado, a dedicação e a experimentação como obstáculos que a tecnologia deveria eliminar.

Para muitos artistas, essas etapas não são defeitos do processo. Elas fazem parte da construção de uma identidade musical e ajudam a transformar ideias em obras com significado.

IA transforma a música em produto instantâneo

A Suno apresenta sua plataforma como uma forma de democratizar a criação musical. Pessoas sem experiência podem escrever uma descrição e receber uma faixa completa em poucos segundos.

O novo serviço de vinil levará essa lógica até o produto final. Um usuário poderá gerar um álbum, criar sua capa e receber o disco sem tocar um instrumento, cantar ou aprender técnicas de produção.

Isso não impede que a ferramenta seja usada de maneira criativa. Entretanto, também aumenta a preocupação com uma enxurrada de conteúdos genéricos produzidos em escala industrial.

O vinil sobreviveu ao CD, aos arquivos digitais e ao streaming porque oferecia uma relação mais lenta e física com a música. Agora, até esse símbolo de permanência poderá carregar faixas criadas em segundos por um algoritmo.

 

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