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China drenou o subsolo para construir megacidades — e agora elas estão afundando

Durante décadas, Veneza foi o exemplo clássico de uma cidade que afundava lentamente. Nos últimos anos, porém, cientistas passaram a observar com preocupação outra região: o leste da China.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nesse caso, não são os canais que fazem o terreno descer. O principal problema está em milhões de bombas que retiraram água subterrânea durante décadas para abastecer algumas das maiores cidades do planeta.

A urbanização acelerada aumentou a demanda por água e pressionou os aquíferos. Agora, áreas densamente povoadas estão afundando alguns milímetros por ano, enquanto a elevação do nível do mar aumenta os riscos nas regiões costeiras.

Crescimento acelerado elevou a demanda por água

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© pexels

Em apenas quatro décadas, a China protagonizou uma das maiores transformações urbanas da história. Centenas de milhões de pessoas deixaram as áreas rurais, enquanto pequenas cidades se transformaram em grandes centros urbanos.

O país construiu bairros, estradas, pontes, linhas de metrô e arranha-céus em uma velocidade sem precedentes. Esse avanço também fez crescer rapidamente a necessidade de água para residências, indústrias e serviços.

Como os sistemas de abastecimento superficial nem sempre conseguiam acompanhar essa expansão, muitas cidades passaram a explorar os aquíferos localizados sob o solo.

Durante anos, a água subterrânea pareceu um recurso quase inesgotável. Entretanto, cada litro retirado reduzia o volume de água responsável por ocupar os pequenos espaços entre os sedimentos.

O solo perde sustentação e começa a se compactar

O afundamento não acontece porque enormes buracos se abrem repentinamente sob os edifícios. Na prática, o terreno vai sendo compactado lentamente.

Quando a água desaparece dos poros subterrâneos, o peso de prédios, estradas e outras estruturas comprime as camadas de sedimentos. A cidade inteira começa a perder altura de maneira quase imperceptível.

Em alguns locais, o processo ocorre a uma velocidade de poucos milímetros por ano. Ainda assim, o efeito acumulado durante décadas pode deformar vias férreas, danificar tubulações, provocar rachaduras e comprometer a estabilidade de edifícios.

Além disso, parte dessa compactação é praticamente irreversível. Mesmo que a extração de água seja interrompida, o solo nem sempre recupera o volume perdido.

Satélites revelaram a dimensão do problema

A escala da subsidência ficou mais clara depois que pesquisadores analisaram, por satélite, 82 das maiores cidades chinesas entre 2015 e 2022.

Os dados mostraram que aproximadamente 45% das áreas urbanas avaliadas afundavam mais de três milímetros por ano. Cerca de uma em cada seis registrava uma queda superior a dez milímetros anuais.

Isso significa que dezenas de milhões de pessoas vivem em regiões onde o terreno perde altura de maneira acelerada.

Os pesquisadores identificaram diversos fatores envolvidos, como características geológicas, mineração, construções pesadas e redes de transporte subterrâneo. No entanto, a retirada excessiva de água dos aquíferos apareceu como uma das principais causas.

Elevação do nível do mar agrava o risco

O problema se torna ainda mais preocupante nas cidades costeiras. Enquanto o solo desce, o nível do mar sobe devido ao aquecimento global.

Nos deltas dos rios Yangtzé e das Pérolas estão cidades como Xangai, Shenzhen e Hong Kong, além de grandes portos, indústrias e centros logísticos.

Nessas regiões, a subsidência e a elevação dos oceanos se reforçam. Em alguns pontos, o terreno afunda mais rapidamente do que o mar sobe, ampliando o risco de enchentes e invasões costeiras.

Mesmo uma queda aparentemente pequena pode reduzir a eficácia de diques, sistemas de drenagem e outras estruturas de proteção.

Xangai mostrou que é possível desacelerar o processo

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© YouTube

A boa notícia é que o afundamento não precisa continuar sempre no mesmo ritmo.

Xangai perdeu mais de um metro de altura em algumas áreas durante o século XX por causa da exploração intensa das águas subterrâneas. Posteriormente, as autoridades limitaram as extrações e começaram a reinjetar água doce nos aquíferos.

Essas medidas reduziram significativamente a velocidade da subsidência. O Japão obteve um resultado semelhante em Tóquio, onde restrições ao uso de poços praticamente interromperam o afundamento na década de 1970.

O desafio da China será aplicar soluções parecidas em uma escala muito maior. Isso inclui reduzir a dependência dos aquíferos, melhorar o abastecimento superficial e monitorar continuamente a movimentação do solo.

Recuperar a altura já perdida é praticamente impossível. No entanto, impedir que as megacidades continuem afundando ainda depende das decisões tomadas hoje.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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