A expansão da inteligência artificial trouxe promessas de produtividade, novos negócios e transformação econômica. Mas, para grande parte da população mundial, existe uma preocupação muito mais imediata: perder empregos.
Uma pesquisa global do Pew Research Center revelou que, considerando a mediana de 37 países, 46% dos entrevistados acreditam que a IA provocará uma redução no número de postos de trabalho. Apenas 9% esperam que a tecnologia crie mais empregos.
Outros 13% acreditam que a IA não fará muita diferença, enquanto aproximadamente um quarto dos participantes afirmou não saber qual será o impacto.
Pessimismo domina em 34 dos 37 países
A expectativa de redução dos empregos foi a resposta mais frequente em 34 dos 37 países analisados.
A Nigéria foi a principal exceção. No país africano, 27% dos entrevistados acreditam que a IA criará mais empregos, enquanto 26% esperam uma redução.
Tailândia e Filipinas apresentaram outro comportamento. Nesses países, a incerteza predominou: 49% dos tailandeses e 54% dos filipinos disseram não saber o que acontecerá com o mercado de trabalho.
Nos Estados Unidos, o pessimismo é particularmente elevado.
Segundo o Pew, 71% dos entrevistados americanos esperam que a inteligência artificial provoque uma redução no número de empregos. Há dois anos, essa proporção era de 64%.
Países mais ricos estão mais preocupados
A pesquisa encontrou uma tendência interessante: o pessimismo em relação aos empregos tende a ser maior nos países com PIB mais elevado.
Uma possível explicação é a crescente preocupação com a automação de atividades administrativas e intelectuais, justamente aquelas que ocupam uma parcela importante das economias desenvolvidas.
Ferramentas de IA generativa já conseguem produzir textos, códigos, imagens, análises e realizar determinadas tarefas administrativas. Isso alimenta discussões sobre o futuro de profissões que, até recentemente, pareciam relativamente protegidas da automação.
Os adultos mais jovens também demonstraram maior preocupação com o impacto da tecnologia no emprego em vários países de renda alta e média, embora esse padrão não tenha aparecido em todos os lugares.
Pessoas com maior renda também esperam perda de empregos
Em países de renda média, pessoas com maior renda e nível educacional também demonstraram maior probabilidade de prever redução de postos de trabalho.
Isso não significa necessariamente que grupos de menor renda sejam mais otimistas.
Segundo o Pew, participantes com menos renda ou menor escolaridade formal apresentaram maior tendência a responder que não sabiam qual seria o impacto da inteligência artificial.
A preocupação geral com a tecnologia também aumentou em alguns países.
Na Suécia, a parcela de adultos que se dizem mais preocupados do que entusiasmados com a IA cresceu nove pontos percentuais em relação ao ano anterior. O avanço foi de oito pontos na Polônia, sete na Holanda, seis na Hungria e quatro na Austrália.
Mas a IA já está realmente destruindo empregos?
Essa pergunta ainda não possui uma resposta definitiva.
Uma análise publicada em julho de 2026 por especialistas do Instituto de Pesquisa de Política Econômica de Stanford concluiu que, até agora, os efeitos gerais da IA sobre o mercado de trabalho americano permanecem relativamente limitados.
Existem, porém, sinais de que trabalhadores mais jovens e recém-formados podem estar enfrentando um cenário mais difícil em algumas ocupações expostas à automação.
O problema para os pesquisadores é separar o impacto específico da IA de outros fatores econômicos que também influenciam contratações, demissões e salários.
Além disso, muitas das ferramentas de inteligência artificial generativa se popularizaram há poucos anos. Mudanças estruturais no mercado de trabalho podem levar mais tempo para aparecer claramente nas estatísticas.
A desigualdade também preocupa
O Pew também perguntou aos participantes sobre os possíveis efeitos da IA na distribuição de renda.
No geral, mais pessoas acreditam que a tecnologia aumentará a diferença entre ricos e pobres do que reduzirá essa desigualdade. Ainda assim, uma parcela significativa afirmou não saber ou acreditar que pouca coisa mudará.
Nos Estados Unidos, 46% disseram esperar um aumento da desigualdade. Outros 21% acreditam que a IA fará pouca diferença nesse aspecto.
Apenas 5% dos americanos esperam que a tecnologia torne o país economicamente mais igualitário.
Os números não mostram o que realmente acontecerá com os empregos nos próximos anos. Eles revelam outra coisa: enquanto empresas de tecnologia apresentam a IA como uma ferramenta capaz de transformar a produtividade, uma parcela considerável da população ainda enxerga essa revolução principalmente pela perspectiva do risco.
E, por enquanto, a promessa de que a inteligência artificial criará uma nova geração de empregos parece estar convencendo muito menos pessoas do que o medo de que ela elimine os existentes.