Pular para o conteúdo
io9

Ridley Scott volta à ficção científica com Jacob Elordi e imagina um mundo onde sobreviver é apenas o começo

Quase uma década depois de seu último mergulho no gênero, o diretor de Alien e Blade Runner retorna com uma história pós-apocalíptica que coloca a humanidade à prova.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Ridley Scott ajudou a definir a aparência da ficção científica moderna, mas estava há quase uma década sem dirigir um novo filme do gênero. Agora, aos 88 anos, ele retorna a esse território acompanhado por Jacob Elordi, Josh Brolin e Margaret Qualley. O cenário parece familiar: uma pandemia devastou a civilização. O que interessa ao cineasta, porém, não é apenas descobrir quem consegue sobreviver, mas aquilo que ainda resta de humano depois do fim.

Uma pandemia destruiu quase tudo, mas alguém continua procurando

Ridley Scott volta à ficção científica com Jacob Elordi e imagina um mundo onde sobreviver é apenas o começo
© YouTube

O novo filme é Ponto Sem Retorno (The Dog Stars), adaptação do romance homônimo publicado por Peter Heller em 2012. No Brasil, a produção da 20th Century Studios chega aos cinemas em 27 de agosto de 2026.

Jacob Elordi interpreta Hig, um jovem piloto que sobreviveu a uma pandemia responsável por eliminar grande parte da humanidade.

Sua vida agora está reduzida a um pequeno universo. Ele divide um refúgio improvisado com Bangley, um especialista militar em sobrevivência interpretado por Josh Brolin, e mantém ao seu lado o cachorro Jasper.

Hig ainda possui uma velha aeronave Cessna, utilizada para procurar suprimentos e observar o território ao redor. A rotina parece funcionar até que uma misteriosa transmissão de rádio rompe o isolamento.

Pode existir alguém lá fora.

É suficiente para fazer Hig abandonar a relativa segurança que construiu e voar em direção ao desconhecido, movido por algo que se tornou extremamente raro naquele mundo: esperança.

Ridley Scott não queria fazer apenas outro filme sobre o fim do mundo

Ridley Scott volta à ficção científica com Jacob Elordi e imagina um mundo onde sobreviver é apenas o começo
© YouTube

O cenário pós-apocalíptico pode lembrar dezenas de produções recentes, mas Ridley Scott insiste que existe algo diferente no centro da história.

Não há zumbis.

O cineasta afirmou que considerava essencial incluir otimismo em um gênero normalmente dominado por desespero, violência e destruição. A experiência da pandemia de Covid-19 também influenciou sua decisão de adaptar o livro.

Para Scott, a história permite discutir comportamento humano, empatia e humor diante da incerteza.

O diretor também relaciona a trama a preocupações contemporâneas, incluindo mudanças climáticas e diferentes situações de instabilidade global. O apocalipse do filme pode ser ficcional, mas algumas das inquietações que o alimentam são bastante reconhecíveis.

Isso ajuda a explicar por que Ponto Sem Retorno não se concentra apenas em confrontos entre sobreviventes.

O amor também ocupa espaço importante, seja através das relações familiares, da amizade, do vínculo com um animal ou da possibilidade de construir intimidade quando quase tudo ao redor desapareceu.

Jacob Elordi encontrou um Ridley Scott diferente do que imaginava

Para Elordi, trabalhar pela primeira vez com o responsável por Alien, Blade Runner, Gladiador e Perdido em Marte foi uma experiência particularmente intensa.

O ator afirmou que Scott superou suas expectativas e destacou a maneira dinâmica como o veterano cineasta conduz as filmagens. Segundo o elenco, cenas podiam mudar rapidamente quando o diretor encontrava uma solução que considerava melhor no próprio set.

Brolin descreveu inicialmente esse processo como caótico, mas reconheceu que ele acabou se transformando em uma experiência criativa gratificante.

O elenco ainda reúne Margaret Qualley como Cima e Guy Pearce como Pops, seu pai. Allison Janney e Benedict Wong também participam da produção.

E existe outro integrante que conquistou uma quantidade inesperada de atenção: Jasper, o cachorro que acompanha Hig e virou uma das estrelas do lançamento mundial em Londres.

Um western escondido dentro da ficção científica

Embora a história aconteça depois do colapso da civilização, Ponto Sem Retorno também carrega elementos bastante familiares aos westerns.

Hig é essencialmente um homem solitário atravessando um território perigoso. Só que seu cavalo foi substituído por uma velha Cessna.

O filme utiliza grandes paisagens, planos aéreos e regiões aparentemente intocadas para reforçar essa sensação de isolamento. Apesar de a história se passar nos Estados Unidos, parte das filmagens aconteceu nas Dolomitas italianas.

O resultado marca ainda um retorno importante na filmografia de Scott.

Esta é sua primeira direção de ficção científica desde ** Alien: Covenant, de 2017**. Para um cineasta cuja carreira está profundamente associada ao gênero, quase uma década de distância torna a estreia especialmente curiosa.

O fim do mundo é apenas o cenário para outra pergunta

A história de Ponto Sem Retorno poderia facilmente se limitar à sobrevivência.

Existem armas, ameaças, escassez, isolamento e personagens tentando permanecer vivos em um planeta que perdeu grande parte de sua população.

Mas Scott parece mais interessado no que acontece depois.

Quando sobreviver deixa de ser uma emergência temporária e se transforma na rotina, surge uma questão diferente: para que continuar sobrevivendo?

É aí que a misteriosa transmissão captada por Hig ganha importância. Ela representa não apenas a possibilidade de encontrar outras pessoas, mas a chance de descobrir se ainda existe alguma forma de vida que valha a pena construir.

Aos 88 anos, Ridley Scott retorna justamente ao gênero que ajudou a transformar para contar uma história sobre o fim.

Só que, desta vez, talvez esteja muito mais interessado naquilo que poderia começar depois dele.

[Fonte: El debate]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados